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França, Espanha, Indonésia, Marrocos,
México, Japão, China, Vietnã e...
Brasil, claro. Talvez você ainda não tenha
se dado conta, mas todos esses países estão
(bem) representados nos três andares do Shopping
da Gávea. Acabou aquela história de ficar
namorando uma cadeira incrível pelas ruas de
Paris ou Milão sem ter coragem de incorporá-la
à bagagem ou pensar em trazer aqueles lustres
indianos que poderiam se espatifar antes mesmo do check-in.
Com a oscilação cambial e com os novos
rumos tomados pelo país, chique mesmo é
fazer compras por aqui.
Essa
internacionalização se deve muito à
abertura econômica que ocorreu no país
a partir do início dos anos 90. Desde então,
facilidades no pagamento das taxas de importação,
aliadas a bons preços, tornaram-se os ingredientes
vitais para esse boom.
Apesar
disso, o designer nacional passou a ser mais valorizado.
As peças brasileiras ganham em criatividade
em todos os níveis, desde o desenho até
a cor e a matéria prima. Já no aspecto
industrial deixa ainda a desejar. Para compensar, nossos
designers usam a imaginação, diz
Márcia Chaloub, proprietária da loja Camaleoa
onde convivem, harmoniosamente, peças de Enzo
Mari, Stefano Giovannoni (designer do famoso banco bombo),
Elizabeth e Eduardo Prado, Luis Pedrazzi e Paulo Vergueiro.
Mesmo
com essa invasão gringa, Márcia
acredita que houve um retorno às raízes
nacionais e destaca o interesse pela madeira de demolição.
Quem
comemora esse revival é Rodrigo Perroni. Sua
loja, Velha Bahia tem como principal matéria-prima
a madeira de demolição. Para acompanhar
as necessidades do mercado, Perroni vem desenvolvendo
móveis coloniais com linhas mais retas. E, há
três anos inseriu objetos decorativos étnicos
em suas camas, mesas, cadeiras e aparadores.
Mas
esse intercâmbio que envolve a decoração
brasileira e estrangeira não foi conquistada
de repente. Precursora no quesito exportação,
a IMI, de origem italiana, há 30 anos no mercado
brasileiro, desempenhou papel importante na difusão
da nossa matéria-prima lá fora. Com lojas
espalhadas por países que integram o Mercosul,
Estados Unidos e Europa, a empresa cria hoje linhas
de móveis e objetos que são lançadas
simultaneamente no Brasil e exterior.
Prestar
atenção no que acontece lá fora
tornou-se fundamental para queas lojas acompanhem a
demanda do mercado. Ana Luíza Osório,
sócia da Área Objetos, viaja a cada três
meses para países como Vietnã, Indonésia,
Índia, Marrocos. A diferença é
que desenvolvemos peças exclusivas para serem
fabricadas lá, conta. O próximo
passo das sócias é investir no design
nacional, maneira encontrada para driblar o flutuante
mercado do dólar.
Fórmula
que vem sendo adotada pela maioria dos lojistas. Mônica
Kochen, da Rosa Kochen, por exemplo, decidiu apostar
inteiramente em produtos brasileiros e trouxe para sua
loja peças assinadas unicamente por designers
nacionais.
Na
contra-mão dos importados, quem vem se destacando
é a Imaginarium. A proprietária da franquia,
Karen Engelhardt, é quem assina todas as peças
da marca.
Para
fechar essa volta ao mundo, merece destaque a tradição
dos artesãos franceses da Secrets de Famille,
a ótima seleção de artigos indianos
da Rupee Rupee e o mobiliário da Novo Ambiente,
que traz, entre outras, uma releitura em acrílico
colorido da clássica cadeira da dupla Ray e Charles
Eames.
Boas
compras.
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