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Quando certa vez o jornal The New York Times chamou Miguel Falabella de furacão, não havia dúvida de que sabia o que estava dizendo. Não é novidade que o ator/diretor/autor não pára. Ou não sabe parar. De peças de teatro a livro infantil Falabella já experimentou de tudo, e com sucesso. Agora, chegou o momento de dividir, pela primeira vez, o palco com a amiga e atriz Claudia Jimenez. Falabella e Claudia já trabalharam juntos, mas nunca haviam atuado juntos.

O autor Mauro Rasi foi o escolhido para selar a união. A linguagem do humor brasileiro é marca registrada de Rasi, que escreveu “Batalha de Arroz num Ringue para Dois”, em 1985, especialmente para Claudia Jimenez.

No espetáculo, a dupla mostrará os desencontros do casamento e as neuroses que vão se estabelecendo ao longo da vida a dois. Dividida em quatro fases, a peça começa na cerimônia religiosa de Angela e Nélio, anunciando o tom da relação do casal. Os habituais festejos de bodas de papel, algodão, prata, ouro, serão substituídos pelos acúmulos de anos de desgosto, ciúme, ego exacerbado, até que finalmente uma das partes se propõe a resgatar a atenção do companheiro, mesmo que para isso ele precise mudar sua maneira de ser.

De volta ao Clara Nunes
Como no início de sua carreira, Miguel Falabella está novamente circulando pelo Teatro Clara Nunes, só que na direção. É dele e de sua parceira, Maria Carmen Barbosa, o espetáculo ‘Capitanias Hereditárias’, uma crônica sobre a herança da ditadura brasileira.

A história de dois irmãos banqueiros, da família Bentes da Gama, que provocam um rombo tão grande nas contas do Estado, que assustam até os paraísos fiscais é o mote da comédia.

O tom ácido e crítico da peça está embutido nas primeiras falas, que servem para apresentar os outros personagens: a esposa burra e religiosa que só pensa em aparecer nas capas das revistas, a cunhada conivente, o sócio corrupto, a empregada atrevida e um padre. O que faz um padre aí?! Claro, todas as mulheres da trama são religiosas.

O elenco é de peso: José Wilker, Ney Latorraca, Bia Nunes, Natália do Valle, Guilhermina Guinle e Didi Botelho. Sempre entre amigos.

Museu Armani inspira peça
“Tive a idéia para essa peça em NY, visitando o Museu do Armani com o Ney (Latorraca). Disse a ele que um dia iria fazer uma peça só com gente rica. ‘Capitanias’ é uma comédia latino-americana, uma maneira divertida de falar dessa nata gordurosa que nutre um profundo desamor dentro de si. Uma crítica a essa sociedade herdeira da ditadura militar. Inclusive, o nome da peça foi baseado exatamente nisso.”

Falabella acredita que as coisas só vão tomar outro rumo em nosso país quando o povo tiver mais educação e visão histórica. Por isso, diz que quer dar sua contribuição, deixar seu nome. “Não o nome de uma pessoa famosa, mas de alguém que fez algo importante num contexto social.” A amiga e fiel escudeira, Maria Carmen concorda: “Não se trata de um alerta. Quisemos insistir no tema para tentarmos contribuir no sentido de uma mudança desse cenário.”

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