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Eduardo Souza Lima

Terrorismo audiovisual soteropolitano

Não tem essa de pedir a bênção de painho: o Movimento Anticordial quer mostrar para o resto do Brasil que nem todo baiano é uma ovelhinha indo atrás do trio elétrico. Um dos seus mentores é Daniel Lisboa, 26 anos (foto ao lado), diretor de "O fim do homem cordial", exibido aqui no Curta Cinema e que foi premiado no Video Brasil 2005 e no último Cine PE, no Recife. É um filme muito simples, de apenas três minutos, mas feito de forma bem original: um grupo terrorista seqüestra um conhecido político baiano e exige que a TV dele transmita um comunicado.O filme acabou ganhando o Festival dos 5 Minutos de Salvador, mas em seguida foi banido da Mostra do Jovem Realizador Baiano e de todos os eventos oficiais que vieram a seguir.

- As pessoas têm medo de passar o filme lá. Mas nós acreditamos no terrorismo audiovisual. "O fim do homem cordial" foi o nosso primeiro crime. Foi um seqüestro completo, pois também pegamos uma fita da TV Bahia. O resgate são os prêmios. Ele custou R$ 100 e já me rendeu R$ 21 mil - conta Daniel.

Mesmo tendo sido censurado, foi o filme mais visto de todos os tempos na Bahia pela internet, com mais de 300 acessos por dia. E ainda pode ser visto no site http://cavalodocao.multiplay.com.

- Salvador é o lugar perfeito para nascer uma relação do tipo talibã contra os Estados Unidos já que lá a gente tem um ditador. Por isso fiz o filme com linguagem de vídeo de terrorista, com a câmera parada, misturada com o universo baiano. E para ser visto pela internet - explica o diretor.

Fruto de revolução tecnológica dos dias de hoje, uma nova espécie de cineasta está nascendo e Daniel é um de seus espécimes. Sua maior influência não é nenhum cineasta. Na verdade, nem mesmo o cinema propriamente dito.

- Eu não sou cinéfilo ou estudioso - conta. - Minha relação com o cinema nasce com o objeto câmera, dentro de casa. Meu pai não sabia mexer nela e eu fazia as filmagens de família. Aos poucos, comecei a fazer filmes com os amigos e depois entrei na faculdade de cinema.

O que talvez explique porque ele fez algo tão atrevido quanto "O fim do homem cordial". Ou quanto "O olho do povo", documentário que registra a manifestação do povo baiano a favor da cassação do senador Antônio Carlos Magalhães, que estreou no Festival de Cinema Universitário de 2003. Hoje, ele trabalha como VJ na noite de Salvador, produz a série de TV "Figuraça" e finaliza "Freqüência Hanói" - feito a partir do depoimento de um detento, de dentro de um presídio, via telefone celular.

- É o nosso segundo crime - diz

Enquanto isso, planeja os próximos atentados - sem violência, mas com muita raiva e irreverência - com seus comparsas do Movimento Anticordial. A célula é o site http://movac.multiplay.com. Os homens-bomba da TV já começaram a ser treinados.

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