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Águas
minerais especiais ganham espaço entre consumidores
sofisticados
Por
Henrique
Koifman Fotos Antônio
Terra
Segundo
a mitologia, durante ataque de fúria, Poseidon,
deus do Mar, secou todos os rios e lagos da Grécia.
Mas, tocado pela beleza de uma jovem sedenta que foi
pedir sua ajuda, ele tocou uma rocha com seu tridente
e fez nascer desta uma fonte com três jorros de
água cristalina. Daí teriam nascido todas
as fontes do mundo. Da história e das rochas
para as garrafas e, com elas, para as nossas mesas,
muita água mineral rolou. Hoje ela possui inúmeras
marcas, tipos, preços e origens. Neste artigo,
Gávea convida você conhecer um pouco mais
sobre elas.
Nada
mais elementar, básico e necessário à
vida do que a célebre combinação
entre dois átomos de hidrogênio com outro,
de oxigênio. Molécula extremamente estável
e, ao mesmo tempo, dada a associações
com outras substâncias, ela está em praticamente
tudo o que comemos, bebemos (claro!) e somos
afinal, aproximadamente dois terços de nosso
corpo são compostos exatamente por ela, a água.
E aqui encerramos as considerações físico-químicas
e mergulhamos (ops!) no que nos traz a essas páginas:
justamente a porção da água que
escapa dos livros escolares, da torneira; que deixa
de ser básica e elementar e passa a ser prazerosa.
Que deixa de ser simplesmente potável
para ser degustável, se não como um vinho,
ao menos como companhia deste, junto com sabores de
uma mesa inspirada ou mesmo como estrela principal em
uma agradável experiência sensorial
como veremos mais adiante.
No
tempo de nossos avós, falar em águas minerais
era lembrar de simpáticas cidadezinhas do interior
de Minas Gerais e de São Paulo. Ali eles costumavam
passar as férias, entre hotéis confortáveis
e com ótimas cozinhas que faziam desses
lugares anti-spas, se comparados aos de
hoje e parques de águas, com fontes de
várias características, percorridas por
motivos terapêuticos ou de simples lazer. As fontes
hidrominerais, aliás, atraem turistas e pacientes
para hidroterapia desde os primórdios da história,
e as tantas estância romanas desse gênero
espalhadas por seu antigo império estão
aí para provar. Por trás de tudo, claro,
águas com características especiais.
Se
hoje as tais estâncias hidrominerais estão
um tanto fora de moda no Brasil, sua decadência
começou com a proibição do jogo,
nos anos 1940, pois muitos de seus hotéis surgiram
como cassinos , a água que elas produzem
talvez nunca tenha estado tão em voga. Embora
hoje a tecnologia tenha tornado possível construir
qualquer tipo de água mineral com a adição
de sais minerais em proporções exatas
ao H2O puro e básico, método adotado por
diversas marcas, que corretamente podem ser classificadas
como fabricantes , as naturais, que emergem prontas,
com sua composição diferenciada, das profundezas
da terra são as mais valorizadas. Ponto para
o Brasil, abençoado por inúmeras fontes
de excelente qualidade.
O
consumo de águas minerais aqui ainda não
chega aos níveis dos do Primeiro Mundo
já temos, no entanto, algum destaque como exportadores.
Mas começa a crescer, aos poucos, principalmente
nos segmentos de renda mais alta. Não somente
no uso diário geralmente com grandes garrafões
de 10 litros , mas também para ocasiões
específicas. Afinal, se podemos gastar um pouco
mais para escolher e apreciar um bom vinho, nada mais
justo que acompanhá-lo de uma água à
altura, o mesmo valendo para as refeições
mais sofisticadas. Casar a água certa com o vinho
certo, com o prato mais apropriado, também passa
a ser interessante e, principalmente, pode enriquecer
a fruição dos sabores.

A
esta altura, o leitor, já atacado por uma ligeira
sede, se pergunta: há mesmo tanta diferença
entre uma e outra boa marca de água mineral fora
o tradicional com ou sem gás? Confesso
que meu ceticismo era nesse tom quando me convidaram
para escrever esta matéria e, para tanto, fazer
uma degustação de águas
na Casa do Porto do Shopping da Gávea. Se para
diferenciar vinhos, bebidas de personalidade forte
distribuída em paladar, aroma e cor um
apreciador menos escolado (meu caso) tem dificuldades,
imagine se a bebida for transparente, inodora e, senão
insípida, muito, mas muito sutil em seu gosto?
Antes
dos copos, a prosa. E esta foi com Elizabeth Maccariello,
sócia da casa. Elizabeth é nefrologista
ramo da ciência médica que cuida
dos rins, justamente os nossos filtros, a parte de nosso
equipamento orgânico que mais lida com a água
que ingerimos. Somando à formação
um grande interesse e muita pesquisa, nossa anfitriã
é uma especialista de respeito.
E
ela explica que, do mesmo modo que os vinhos são
influenciados pelo solo em que as uvas são plantadas,
a água tem suas características intimamente
ligadas à composição geológica
da região em que suas fontes estão localizadas.
As fontes minerais costumam se originar de lençóis
freáticos profundos. A água, em seu caminho
da superfície para esses lençóis,
passa por terrenos e camadas de terra com composições
minerais particulares e vai incorporando diversos sais.
Assim como os vinhos, poderíamos dizer que as
águas minerais têm seu terroir, arrisca.

O
interesse do consumidor mais sofisticado por águas
especiais, revela Elizabeth, está ligado ao desenvolvimento
de seu gosto e exigência em relação
aos vinhos. Em sua loja, especializada no milenar fermentado
das uvas, a carta de águas minerais funciona
quase que como um complemento embora, aos poucos,
vá conquistando seu espaço próprio.
As marcas ali disponíveis e expostas são
muitas e vêm de muitos países, como variadas
e atraentes são as formas das garrafas que preenchem.
Chile, Áustria, França, Canadá,
Itália, Suécia, Noruega, Portugal, País
de Gales e Alemanha estão entre as nações
representadas nessa espécie de ONU hídrica.
E, como comprovamos, cada uma das garrafas contém
seu sotaque, sua personalidade sutil.
Começamos
nossa degustação separando as garrafas
em com e sem gás que, explica a especialista,
pode já estar na água em sua fonte, mas,
mais comumente, é adicionado artificialmente
durante o processo de engarrafamento. As marcas vão
se alternando: a Ouro Fino (de Campo Largo, no Paraná,
com ou sem as bolinhas), é leve e agradável;
a Pana, da Itália, sem gás, tem um traço
especial. Sua gêmea, a São Pelegrino, é
gasosa e levíssima. Perrier (França) e
São Lourenço (Brasil) são clássicos
consagrados. Marcante mesmo é a portuguesa Pedras
Salgadas que, como o nome sugere, é ligeiramente
salgada, e muito interessante. Tanto que é uma
das best-sellers do lugar.

Pouco
depois, um desafio: tentar identificar as marcas provando
das taças sem as garrafas por perto. Acertei
duas em cinco e, confesso, por pura sorte. Nada,
no entanto, que me deixasse desanimado. Junto a um cálice
de um bom vinho tinto da África do Sul, bebericado
em goles alternados da água Pana, já estava
convencido dos prazeres, ou, no mínimo, da diversão
garantida por mais esse universo de sensações
e sutilezas.
Se
você quiser conhecer mais sobre água mineral,
recomendo uma visita ao site http://www.
mineralwaters.org/. Nele estão listadas e
especificadas centenas de marcas de todo o mundo e você
ainda pode dar notas às que preferir. Imperdível.
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