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Jô
Hallack
Método prático para fugir dos problemas
MAs
pessoas dizem que não adianta você sair
de um lugar achando que você vai se livrar dos
seus problemas. Porque problemas são coisas grudentas,
que vão com você para qualquer lugar. Mas,
de vez em quando, não custa tentar. Vai que algum
problema, no meio do caminho, se perde? Além
do mais, fugir dos problemas tem uma vantagem. Mesmo
que seus problemas estejam com você, ocupando
a sua mente, os novos problemas ficarão afastados!
Claro
que quando você chegar no local da fuga - o bom
são destinos ermos, sem meios de comunicação
- problemas novinhos em folha estarão lá
esperando por você. Você pode pegar bicho
do pé. Torcer o pulso numa atividade lúdica.
Cair de amores por um caiçara. Ou não
cair de amores por ninguém. Por outro lado, os
novos problemas que surgirão no seu habitat natural
não vão surtir efeito em você, porque
ninguém vai conseguir te avisar. E estes é
que são os piores problemas. Um bicho do pé
não é nada comparado a você descobrir
que foi enganada pelo seu contador e que deve R$ 50
mil ao fisco. Ou R$ 500. Um bicho do pé é
ótimo! Ele pode até te fazer companhia,
conversar sobre a novela, fazer um cafuné.
Então,
para fugir bem de um problema, você deve fazer
que nem eu: pegue um táxi, um avião, outro
táxi, um catamarã, um jipe, um barco,
um trator (Fiz isso recentemente. E não estou
roubando na conta.). Pronto, você conseguiu chegar
num lugar muito muito muito longe. Sim, você é
neurótica e levou o celular. Mas o único
jeito dele pegar é você ficar andando com
ele pela beira da praia tentando conseguir um tracinho.
Vocês sabem o que eu estou falando. Claro que
você vai passar a semana inteira com comichão,
perguntando para pescadores onde tem um cyber-café.
Não
ter um cyber-café já é um problema
em si. Aí você vai ficar com este comichão
pensando "ai, minha nossa senhora, será
que tem algum problema novo que eu não tô
sabendo?". Sim, porque embora odiemos nossos problemas,
somos viciadas neles. Então, depois de não
conseguir nenhum tracinho, você provavelmente
irá fretar um trator e ficar andando pelo areal
até conseguir um cyber-café. Aí
vai abrir seu e-mail e descobrir um problema novo. Soma-se
a isso, claro, o bicho do pé e o pulso luxado.
Aí você vai voltar deprimida no trator,
pensando no novo problema, e pensando que o motorista
do trator não está a fim de você.
Tudo isso se você for mulher.
Se
você for homem vai ficar na beira do mar curtindo
a vida.

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