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DEZ
VEZES GÁVEA
A Gávea chega à sua décima edição
e nada melhor do que rever algumas das reportagens
que fizeram a história da revista. Lembre,
junto com a gente, das matérias que se destacaram
em cada uma das nove edições passadas.
Por
Gabriela Varanda
Recebi
o telefonema de Helio Levcovitz (publisher e diretor
de arte desta revista), numa noite já distante
de segunda-feira. Precisávamos definir a próxima
matéria especial da Gávea. Entre um
e-mail e outro, nada definido. Helio me alcançou
novamente numa noite de sexta-feira: quem sabe uma
retrospectiva da revista? Afinal, estávamos
falando da edição número 10 da
Gávea. Imediatamente, lembrei que minha primeira
matéria havia sido publicada somente na edição
número 6. Seria interessante olhar para trás
e compartilhar, com jornalistas e fotógrafos,
as experiências que rechearam, desde o início,
as páginas desta revista.
Para
selecionar algumas dessas reportagens, usamos alguns
critérios. Uma matéria seria escolhida
em cada uma das nove edições passadas.
Transformaria aqueles que correm atrás das
entrevistas em entrevistados e revelaria um pouquinho
dos segredos das idéias que tomaram forma de
pautas, e que, por sua vez, se desenvolveram em linhas
concretas de reportagens.
Já
com a primeira edição na mão,
testemunhei o poderoso verde-e-rosa da Mangueira coroando
o editorial de moda da fotógrafa Adriana Pittigliani.
Ah, sim, era verão em 2003, o samba povoava
o imaginário carioca e os belos modelos brejeiros
vestiam branco e fantasias assinadas pelo carnavalesco
Max Lopes. A Gávea e toda a cidade estavam
em ritmo de carnaval. "Sempre vi a cultura brasileira
com o assombro que os gringos têm, mas com o
realismo de quem é brasileiro e vive aqui o
carnaval carioca, com seus milhares de trabalhadores
e modelos", lembra Adriana.
Longe
das quadras das escolas de samba, outro ritmo embalou
as páginas da segunda edição
da revista. O jornalista Alexandre Rossi entrevistou
uma turma da pesada para recordar os tempos do lurex,
meias soquete, muito brilho, gosto duvidoso e, nas
caixas... disco music! Isso mesmo, abra suas asas,
solte suas feras, caia na gandaia e entre nessa festa.
Nelson Motta revela para o repórter várias
histórias de sua lendária discoteca
Frenetic Dancin' Days, que funcionou no Shopping da
Gávea, junto com o companheiro e DJ Don Pepe,
responsável pela trilha da casa, e também
com as ex-Frenéticas Sandra Pêra, Lidoca
e Du Moraes. Lembranças noturnas, divertidas
e, acima de tudo, turvas. "Eu estava lendo o
Noites Tropicais (livro de Nelson Motta), na época,
e tive essa idéia de pauta. Sempre quis saber
como a Gávea, um lugar tão bucólico,
poderia ser palco de uma das mais alucinadas casas
noturnas da noite carioca", diverte-se Alexandre.
As
lentes habilidosas da fotógrafa Adriana Pittiaglini
voltaram a se destacar no ensaio com as cantoras Ana
Carolina e Pitty e a percussionista Lan Lan, na terceira
edição da revista. Modelos (in)voluntárias
da moda, as três moças expõem
seus estilos pessoais de se vestir. "Escolhi
três mulheres diferentes, todas musicais, e
propus a cada uma delas ultrapassar as barreiras de
suas imagens já conhecidas", comenta Adriana.
Fixo os olhos na menina-mulher Pitty, com pirulito
na mão, sorrindo para a lente da fotógrafa,
depois de ler o texto do editorial: "o importante
é sempre ser você (mesmo que seja estranho)".
Dou-me conta de que os versos da garota ali ainda
ecoariam nas FMs de todo país.
Cruzando
também o Brasil, na quarta edição
da revista Gávea, o repórter Henrique
Koifman, escolado em reportagens de turismo, nos arrasta
para uma aventura, nas fotos de Lídio Parente,
em três áreas belíssimas de nosso
país: a Estação Ecológica
de Anavilhanas, reserva próxima à Manaus,
o Parque Nacional dos Aparados da Serra, no Rio Grande
do Sul, com seus fabulosos cânions e, o sertão
de Pernambuco e sua árida e lúdica paisagem.
"A reportagem de turismo permite que o leitor
se delicie com informações e imagens
de lugares distantes. Ser uma espécie de guia
turístico nessas viagens imaginárias
é muito bacana", comemora Henrique.
O
mundo da imaginação também é
companheiro do jornalista Beto Largman, na edição
número 5 da revista. Personagens de desenhos
animados, histórias em quadrinho, filmes e
seriados de televisão são transformados
em curiosas coleções de bonecos, não
em quartos de crianças, mas por marmanjos vidrados
em cultura pop. O humorista Cláudio Manoel
e o artista gráfico Luiz Stein são alguns
dos que falam de suas valiosas coleções,
reunidas em estantes repletas de bonequinhos. "Sabia
que não era o único marmanjo de 40 anos
com este hobbie, então pensei que seria legal
abordar o tema", entrega-se Beto, colecionador
de mão cheia.
E
foi justamente numa conversa com o próprio
Beto Largman, então editor da Gávea,
que surgiu o destaque da edição número
6 da revista. Beto me sugeriu uma pauta sobre cronistas
cariocas. Mas não somente os que se expressam
pelas letras, mas também aqueles que constroem
imagens. Dessa maneira, reunimos, numa mesma reportagem,
o escritor e compositor Fausto Fawcett, a artista
plástica Analu Prestes, o fotógrafo
César Barreto, a cineasta Rosane Svartman e
o jornalista Arthur Dapieve. Trabalhos tão
distintos mas, sobretudo, de alma carioca. E a cidade
exibiu-se, desenvolta, em cinco páginas de
revista.
O
homem das viagens Henrique Koifman volta a aparecer
no número 7 da Gávea. E o destino é
literalmente o outro lado do mundo: o atento repórter
nos delicia com rolos e rolos de filme e inúmeras
anotações produzidas em 12 dias no Japão.
"Viajei a convite do governo local, no ano de
2000. O objetivo principal era levantar dados sobre
as preparações do país para a
Copa do Mundo de 2002", relembra Henrique. "Espero
um dia voltar lá, pois é um lugar fantástico".
Deliciosa
é também a reportagem de Koifman sobre
chocolates, na oitava edição de Gávea.
Quantas vezes, diante da balança, você
já lamentou a descoberta dessa guloseima? Pois
bem, tudo sobre a história da iguaria à
base de cacau pode ser encontrado na matéria
de Henrique, que é chocólatra não-confesso.
"Me sinto mais atraído pelo efeito que
o tema tem nos outros, do que em mim mesmo",
desconversa. "Mas agora tá me dando uma
vontade de comer uma barrinha". Ah, então,
tá.
Irresistíveis
tentações são também as
jóias diante dos olhos femininos. E a jornalista
Simone Raitzik ensina como o design das jóias
é tão importante quanto o peso e o material
que as compõem, na edição 9 de
Gávea. "Queríamos tratar desse
assunto na revista e da enorme quantidade de designers
que estão apostando em um trabalho diversificado,
cheio de identidade e com um perfil brasileiro. São
peças que, literalmente, têm um brilho
próprio", explica.
Percorrido
o brilho das páginas viradas de Gávea
(todas as edições passadas da revista
podem ser conferidas, na íntegra, neste site),
apresentamos nessa décima edição
outras tantas deliciosas reportagens. Mais uma vez,
boa leitura.
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