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NA PRIMEIRA EDIÇÃO, ENSAIO DE MODA NA QUADRA DA MANGUEIRA
NA SEGUNDA EDIÇÃO: AS NOIVAS, A CRIAÇÃO DO Dancin' Days E NELSON MOTTA
NA MODA DE PITTY, ANA CAROLINA, E LAN LAN NA terceira EDIÇÃO
FABÍOLA CABRAL na nossa capa dA EDIÇÃO QUATRO e um passeio até anavilhanas
 

 

 

DEZ VEZES GÁVEA
A Gávea chega à sua décima edição e nada melhor do que rever algumas das reportagens que fizeram a história da revista. Lembre, junto com a gente, das matérias que se destacaram em cada uma das nove edições passadas.

Por Gabriela Varanda

Recebi o telefonema de Helio Levcovitz (publisher e diretor de arte desta revista), numa noite já distante de segunda-feira. Precisávamos definir a próxima matéria especial da Gávea. Entre um e-mail e outro, nada definido. Helio me alcançou novamente numa noite de sexta-feira: quem sabe uma retrospectiva da revista? Afinal, estávamos falando da edição número 10 da Gávea. Imediatamente, lembrei que minha primeira matéria havia sido publicada somente na edição número 6. Seria interessante olhar para trás e compartilhar, com jornalistas e fotógrafos, as experiências que rechearam, desde o início, as páginas desta revista.

Para selecionar algumas dessas reportagens, usamos alguns critérios. Uma matéria seria escolhida em cada uma das nove edições passadas. Transformaria aqueles que correm atrás das entrevistas em entrevistados e revelaria um pouquinho dos segredos das idéias que tomaram forma de pautas, e que, por sua vez, se desenvolveram em linhas concretas de reportagens.

Já com a primeira edição na mão, testemunhei o poderoso verde-e-rosa da Mangueira coroando o editorial de moda da fotógrafa Adriana Pittigliani. Ah, sim, era verão em 2003, o samba povoava o imaginário carioca e os belos modelos brejeiros vestiam branco e fantasias assinadas pelo carnavalesco Max Lopes. A Gávea e toda a cidade estavam em ritmo de carnaval. "Sempre vi a cultura brasileira com o assombro que os gringos têm, mas com o realismo de quem é brasileiro e vive aqui o carnaval carioca, com seus milhares de trabalhadores e modelos", lembra Adriana.

Longe das quadras das escolas de samba, outro ritmo embalou as páginas da segunda edição da revista. O jornalista Alexandre Rossi entrevistou uma turma da pesada para recordar os tempos do lurex, meias soquete, muito brilho, gosto duvidoso e, nas caixas... disco music! Isso mesmo, abra suas asas, solte suas feras, caia na gandaia e entre nessa festa. Nelson Motta revela para o repórter várias histórias de sua lendária discoteca Frenetic Dancin' Days, que funcionou no Shopping da Gávea, junto com o companheiro e DJ Don Pepe, responsável pela trilha da casa, e também com as ex-Frenéticas Sandra Pêra, Lidoca e Du Moraes. Lembranças noturnas, divertidas e, acima de tudo, turvas. "Eu estava lendo o Noites Tropicais (livro de Nelson Motta), na época, e tive essa idéia de pauta. Sempre quis saber como a Gávea, um lugar tão bucólico, poderia ser palco de uma das mais alucinadas casas noturnas da noite carioca", diverte-se Alexandre.

As lentes habilidosas da fotógrafa Adriana Pittiaglini voltaram a se destacar no ensaio com as cantoras Ana Carolina e Pitty e a percussionista Lan Lan, na terceira edição da revista. Modelos (in)voluntárias da moda, as três moças expõem seus estilos pessoais de se vestir. "Escolhi três mulheres diferentes, todas musicais, e propus a cada uma delas ultrapassar as barreiras de suas imagens já conhecidas", comenta Adriana. Fixo os olhos na menina-mulher Pitty, com pirulito na mão, sorrindo para a lente da fotógrafa, depois de ler o texto do editorial: "o importante é sempre ser você (mesmo que seja estranho)". Dou-me conta de que os versos da garota ali ainda ecoariam nas FMs de todo país.

Cruzando também o Brasil, na quarta edição da revista Gávea, o repórter Henrique Koifman, escolado em reportagens de turismo, nos arrasta para uma aventura, nas fotos de Lídio Parente, em três áreas belíssimas de nosso país: a Estação Ecológica de Anavilhanas, reserva próxima à Manaus, o Parque Nacional dos Aparados da Serra, no Rio Grande do Sul, com seus fabulosos cânions e, o sertão de Pernambuco e sua árida e lúdica paisagem. "A reportagem de turismo permite que o leitor se delicie com informações e imagens de lugares distantes. Ser uma espécie de guia turístico nessas viagens imaginárias é muito bacana", comemora Henrique.

O mundo da imaginação também é companheiro do jornalista Beto Largman, na edição número 5 da revista. Personagens de desenhos animados, histórias em quadrinho, filmes e seriados de televisão são transformados em curiosas coleções de bonecos, não em quartos de crianças, mas por marmanjos vidrados em cultura pop. O humorista Cláudio Manoel e o artista gráfico Luiz Stein são alguns dos que falam de suas valiosas coleções, reunidas em estantes repletas de bonequinhos. "Sabia que não era o único marmanjo de 40 anos com este hobbie, então pensei que seria legal abordar o tema", entrega-se Beto, colecionador de mão cheia.

E foi justamente numa conversa com o próprio Beto Largman, então editor da Gávea, que surgiu o destaque da edição número 6 da revista. Beto me sugeriu uma pauta sobre cronistas cariocas. Mas não somente os que se expressam pelas letras, mas também aqueles que constroem imagens. Dessa maneira, reunimos, numa mesma reportagem, o escritor e compositor Fausto Fawcett, a artista plástica Analu Prestes, o fotógrafo César Barreto, a cineasta Rosane Svartman e o jornalista Arthur Dapieve. Trabalhos tão distintos mas, sobretudo, de alma carioca. E a cidade exibiu-se, desenvolta, em cinco páginas de revista.

O homem das viagens Henrique Koifman volta a aparecer no número 7 da Gávea. E o destino é literalmente o outro lado do mundo: o atento repórter nos delicia com rolos e rolos de filme e inúmeras anotações produzidas em 12 dias no Japão. "Viajei a convite do governo local, no ano de 2000. O objetivo principal era levantar dados sobre as preparações do país para a Copa do Mundo de 2002", relembra Henrique. "Espero um dia voltar lá, pois é um lugar fantástico".

Deliciosa é também a reportagem de Koifman sobre chocolates, na oitava edição de Gávea. Quantas vezes, diante da balança, você já lamentou a descoberta dessa guloseima? Pois bem, tudo sobre a história da iguaria à base de cacau pode ser encontrado na matéria de Henrique, que é chocólatra não-confesso. "Me sinto mais atraído pelo efeito que o tema tem nos outros, do que em mim mesmo", desconversa. "Mas agora tá me dando uma vontade de comer uma barrinha". Ah, então, tá.

Irresistíveis tentações são também as jóias diante dos olhos femininos. E a jornalista Simone Raitzik ensina como o design das jóias é tão importante quanto o peso e o material que as compõem, na edição 9 de Gávea. "Queríamos tratar desse assunto na revista e da enorme quantidade de designers que estão apostando em um trabalho diversificado, cheio de identidade e com um perfil brasileiro. São peças que, literalmente, têm um brilho próprio", explica.

Percorrido o brilho das páginas viradas de Gávea (todas as edições passadas da revista podem ser conferidas, na íntegra, neste site), apresentamos nessa décima edição outras tantas deliciosas reportagens. Mais uma vez, boa leitura.

 

 

DU MOSCOVIS, VOLUNTARIADO E TUDO SOBRE COLECIONADORES DE BONECOS NA EDIÇÃO CINCO
NA EDIÇÃO SEIS, UMA PRIMAVEIRA SURREALISTA E OS CRONISTAS CARIOCAS
ALTO VERÃO, O CALOR DA METRÓPOLE E O OUTRO LADO DO MUNDO NA EDIÇÃO SETE
ENTREVISTA COM MARINA PERSON E O SABOR DO CHOCOLATE NA EDIÇÃO OITO
NA EDIÇÃO NOVE, DESIGN DE JÓIAS E A MODA DA CAPITAL DO VERÃO