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CASA
À MODA ITALIANA
Quase
3000 expositores espalhados por 221 mil m2 reunindo
uma média de 200 mil visitantes do mundo inteiro.
Milão, a capital da moda e estilo da Itália,
sediou o 45º Salão Internacional do Móvel
/ Salone del Mobile, um evento imperdível para
quem se interessa por design e decoração.
Impossível
descrever o megaevento que tomou conta de Milão,
entre os dias 5 e 10 de abril, enumerando simplesmente
as tendências de design e decoração
ali apresentadas. Afinal, a Feira do Móvel -
que reúne também os 141 expositores da
bienal Eurocucina e Salone Internazionale del Bagno
(destinados a lançamentos da área de cozinha
e banheiro), além do Salão Satélite,
onde jovens criativos exibem seus projetos - é
algo muito maior, com cerca de 350 mostras espalhadas
pelos quatro cantos da cidade (Fuori Saloni). Em suma,
há pequenas exposições em lojas,
museus e centros culturais, outras à céu
aberto e muitas grifes reunidas também nos galpões
da Zona Tortona (algumas alternativas e irreverentes
como o Superestúdio Più, do inglês
Tom Dixon, outras consagradas, como a cristais Swarovski).
Ou seja, muito o que ver, fazer, digerir e aprender.
Idéias e inspirações para todo
o tipo de público e gostos.
Dessa
vez, a festa ainda foi mais grandiosa com a inauguração
do novo complexo Rho-Phero, construído como parte
do processo de reurbarnização de uma área
localizada a 20km do centro da cidade. O projeto do
arquiteto Massimiliano Fuksas é nada menos do
que impressionante, com uma enorme estrutura de aço
e vidro, perfeita para abrigar a feira comme il faut:
com total competência, organização
e sofisticação. O metrô foi também
ampliado para deixar os visitantes dentro de uma área
coberta, logo na entrada do pavilhão. Dividido
nos temas "Clássico", "Design"
e "Moderno", os expositores mostraram criações
que privilegiaram o branco em muitas reedições
de peças consagradas - em resumo, modelos antigos
com novas dimensões, materiais e acabamentos.
Na Edra, por exemplo, os paulistas Humberto e Fernando
Campana apresentaram um remake da mesa Brasília,
com tampo de mosaico espelhado em várias cores.
"Eles são realmente grandes sensações
do evento, tratados com a mesma reverência de
um Philippe Starck", diz o arquiteto Luiz Marinho,
que comparece há seis anos na feira.

O PUFF ASTER PAPPOSUS DOS DESIGNERS
FERNANDO E HUMBERTO CAMPANA PARA A CASA EDRA.
O
que uma visita às centenas de estandes comprova
é que não há rigidez de regras
quando o assunto é morar bem - e com muito estilo.
O importante é garimpar, em meio a tanta versatilidade,
o que combina com a sua casa e o seu jeito. Mas algumas
tendências se destacaram no evento: o preto e
branco são clássicos que resistem ao tempo
e as estampas florais - que lembram um romantismo retrô
e quase geométrico - também sobrevivem
forrando poltronas e paredes e quebrando, muitas vezes,
a rigidez de formas retas e ambientes limpos e modernos.
"Parece que a casa está se tornando mais
poluída de estampas, mais personalizada e quente.
Mas tudo em tons neutros", contam as arquitetas
Carmem Zaccaro e Marise Kessel, que também estiveram
na feira. "Muitas camas têm dossel, os lustres
são de cristal e até a madeira está
mais mel, com uma tonalidade que lembra a nossa peroba.
O rústico e bruto continuam forte, como um contraponto
para as tecnologias avançadíssimas de
ferragens e acabamentos de móveis", acrescentam
elas. Para Luiz Marinho, as tonalidades que prevalecem
são os marrons, grafites e pretos. "Os florais
são muito conceituais e acho que, muitas vezes,
não funcionam bem em ambientes como uma casa,
porque se tornam cansativos. É algo feito para
chamar a atenção e tornar os espaços
mais cenográficos", afirma ele.

Chaise
Antibodi da badalada designer espanhola Patricia Urquiola
para a Moroso
A
aproximação com a moda, de um modo geral,
é também uma aposta forte no universo
da decoração. Valentino, Dior, Armani
e Cavalli são alguns nomes que estão investindo
em linhas específicas de produtos para a casa.
Na contrapartida, muitos designers de móveis
se fazem valer, cada vez mais, de acabamentos dignos
de alta-costura e de detalhes que privilegiam o artesanal.
A espanhola e badalada designer Patrícia Urquiola
criou para a Moroso a bela chaise Antibodi, com dobraduras
de feltro que parecem flores. Já o sofá
RPH (Revolutions per hour) que Fabio Novembre desenhou
para a Cappelini ganhou um revestimento de tweed de
lã que lembra a elegância de um tailleur
Channel. O toque feminino também se faz notar
nos tons terrosos e rosados das peças de Paola
Lenti. "Esses designers se destacam porque se preocupam
com cada detalhe do móvel: o verso, a costura,
o acabamento. E tem um diferencial, trazendo esse visual
da moda para a decoração. Nada de pret-à-porter.
É uma alta costura mesmo", define Patrícia
Quentel, da 3 Plus, que organiza a mostra Casa Cor carioca
e compareceu esse ano ao evento. Luiz Marinho vê
com um certo cuidado essas inovações.
"Por mais que queiram inserir a moda no design
de interiores, são contextos que não se
baseiam no mesmo conceito. A roupa, em geral, é
pensada para resistir por um ano. O móvel é
um investimento muito caro e, por isso, deve ser feito
para durar. Quem compra uma peça para a casa
deve se preocupar essencialmente com conforto, qualidade
e estética. Acho que necessariamente nessa ordem".

A
estante modular Random, da Neuland Studio, apresenta
um mosaico de módulos que facilitam a adaptação
em qualquer tipo de espaço
Outro
evento paralelo - no mesmo pavilhão Rho-Pero
- que se repete a cada dois anos (revezando com a feira
de iluminação) é a Eurocucina.
A abundância de materiais e ferragens chamou a
atenção das arquitetas Marise e Carmem,
que viram também cozinhas cada vez mais integradas
à sala de estar. "São espaços
que conquistaram um visual extremamente moderno",
dizem elas. Exemplo? A Minotti Cucina onde simplesmente,
de fogão à pia, tudo se escondia atrás
de painéis de madeira (ou laminado, como é
mais comum na Itália) que se abriam com leves
toques. "Definitivamente a cozinha entrou dentro
da sala", atesta Patrícia. "É
claro que o europeu e americano apostam nessa tendência,
porque efetivamente usam esses ambientes já que
não têm empregada. Mas de qualquer forma,
é um costume que veio para ficar", resume.
O Z.Island Unit, criado pela arquiteta Zaha Hadid, chama
também atenção por sua aparência
futurística. Montado todo em Corian, privilegia
os equipamentos multimídias, tão (ou mais)
importantes quanto o fogão e a geladeira. "A
cozinha funcionar como o centro da casa não chega
a ser uma novidade. O que impressiona é o investimento
em design para esse ambiente", atestam Carmem e
Marise, que destacam ali a combinação
de madeira, aço, vidro e cerâmica. Nos
banheiros, impera a mesma estética da alta tecnologia
e do minimalismo. Luiz Marinho se apaixonou pelos registros
de água deslizantes da Boffi e também
pela abundância de modelos de banheiras de hidromassagem
com todo o tipo de jatos.
"Algo
que me chamou a atenção foram também
as luminárias pendentes, que trazem muita personalidade
aos ambientes. A luz embutida e discreta foi preterida
em função de lustres maravilhosos, muitos
de acrílico", conta Patrícia que
aproveitou também para dar uma olhada no Fuori
Saloni. "Tem tanta coisa para ver, mas o que mais
gostei foi a mostra com trabalhos de Ron Arad (designer
israelense) que estava no Metropole, o antigo cinema
que Dolce Gabanna comprou e renovou. Imperdível",
resume ela. Carmem e Marise ficaram impressionadas com
os galpões da Zona Tortona e a exposição
de Swarowski. Já Luiz Marinho gastou vários
dias batendo perna pela cidade, desvendando as pequenas
exposições dentro das lojas, todas anunciadas
com um banner escrito "Interni" na fachada.
Ou seja, cada um traçou um roteiro bem específico
do melhor de Milão, sem dúvida um programa
imperdível para quem aprecia design e estilo.
"Parece uma overdose de informações,
mas vale muito a pena. Está tudo ali, concentrado",
garante Patrícia.
Anote
alguns nomes de designers e produtos que se ainda não
estão na sua agenda, um dia vão entrar...
PATRICIA
URQUIOLA - Está desenhando para todas as
grandes marcas e trouxe toques de alta costura para
o design de móveis. Seus produtos são
diferentes e criativos. Olhe o verso das peças,
o acabamento é fundamental.
FABIO NOVEMBRE - Um must quando o assunto é
irreverência. Era a capa da revista Interni lançada
durante o evento e assina o visual de vários
bares e restaurantes de Milão.
MARCEL WANDERS - Conquistou o prêmio de
Designer do Ano da Elle Décor italiana. Holandês,
ele usa ironia e fantasia em seus desenhos, que tem
a marca do contemporâneo. Trabalha para Bisazza,
assina a linha New Antiques da Cappellini e o tecido
My Dreams da Moroso.
LOUISE CAMPBELL - Sua poltrona Prince é
um luxo, feita de neoprene com recortes que lembram
uma renda. É um ótimo exemplo da influência
da moda no design de móveis. Em exposição
nas Conran Shops do mundo inteiro.
ZAHA HADID - Ela não chega a ser uma novidade,
já que sua fama é enorme. Mas a luminária
Vortexx, lançamento com sua assinatura, utiliza
uma tecnologia das mais modernas.
Neuland Studio - A estante Random é um
mosaico simples e impressionante feito de pequenos módulos
perfeitos para guardar livros e para ser apreciada.
HUMBERTO E FERNANDO CAMPANA - Precisa explicar? Já
se tornaram celebridades no mundo inteiro quando o assunto
é design.
SUPERESTUDIO PIÙ - Tom Dixon é
o criador por trás da nova coleção
expressionista da casa.
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