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Por Denise Lopes

Novas Tecnologias

Todas as cinco “aguardadíssimas” salas de cinema do Grupo Estação, que estão inaugurando, no Shopping da Gávea, estão equipadas para exibir tanto em película, quanto em digital. A duplicidade atende a uma necessidade do mercado de cinema no Brasil, onde cerca de 40% dos longas já são produzidos no formato considerado até bem pouco tempo alternativo, e mais de 120 títulos brasileiros ou não já chegaram às telas por transmissão via satélite e projeção digital. Muitas vezes, sem nem ao menos o espectador se dar conta.

Acostumado a comandar a maratona do Festival do Rio, que toma conta da cidade entre setembro e outubro, o grupo exibidor que anuncia para breve mais um complexo de salas em Botafogo, onde mantém outros dois, além de dois em Ipanema, um na Barra, o Estação Paço e mais os tradicionais Paissandu e Odeon, foi o primeiro a contratar os serviços da recém-criada Rain Network, em 2004. Empresa responsável hoje por nove entre dez exibições digitais que acontecem no país, a Rain, de capital brasileiro, nascida dentro do Studio Mega, empresa especializada em novas tecnologias de pós-produção, já operou em cerca de 325 cinemas nacionais e tem hoje mais de 110 salas conectadas permanentemente à sua rede digital, no Brasil, Estados Unidos e Inglaterra.

Apesar de a projeção digital ainda encontrar barreiras na pouca profundidade de campo e no tom, por vezes, meio azulado/esverdeado de sua impressão na tela, é cada vez mais certa a sua disseminação. Na Bélgica, berço de um dos últimos grandes produtores de filme positivo para o cinema (Agfa-Gevaert), já há cerca de 320 salas criadas para exibir somente em digital. A simplicidade logística da entrega de apenas uma master do filme, que é disponibilizada no sistema e que chega às diversas salas por meio de transmissão via satélite, é atraente e lucrativa.

Uma cópia de filme em 35 mm pesa em torno de 30 quilos e custa em média R$ 7 mil. Além do desgaste físico do seu uso e da complicada operação do seu transporte até as salas, o equipamento de projeção digital custa em média duas ou três vezes menos do que o equipamento de projeção em película. O único inconveniente certo é que, por necessitar de uma iluminação mais potente, a mão-de-obra e o gasto com reposições de lâmpadas que se queimam com mais facilidade é muito maior.

Apesar do barateamento das salas e de todas as facilidades do digital, que permite a interatividade (vide as escolhas promovidas pelo público na Maratona Odeon, que acontece toda primeira sexta do mês), a exibição de trailers diferenciados para um mesmo filme (caso de ‘Cafuné’, de Bruno Vianna) e a transmissão em separado de legendas, que reduz ainda mais os custos, no Rio, existe apenas uma única sala montada especialmente para exibir no formato digital: o Ponto Cine, no Guadalupe Shopping, sucesso total de público, voltado para a exibição de filmes nacionais. Mas das cerca de 2,2 mil salas de cinema existentes hoje no país, cerca de 100 já possuem equipamento para exibição digital.

A previsão da Rain Network é de que em cinco anos todas as salas de cinemas do país já estejam habilitadas para operarem pelo sistema digital. Salas com processos de exibições digitais ainda mais sofisticados do que o da Rain também começam a surgir. Na sala 10 do Kinoplex Norte Shopping, do Grupo Severiano Ribeiro e UCI, a exibição no formato 3D já é uma realidade desde o dia 30 de março, quando o desenho animado ‘A família do Futuro’, da Disney, estreou ali com o auxílio de óculos polarizados. No complexo do UCI no New York City Center, na Barra da Tijuca, há também uma sala totalmente focada na projeção digital. E embora os grandes estúdios norte-americanos tenham colocado inúmeras barreiras ao adotar o quase inalcançável padrão DCI (Digital Cinema Initiative) de exibição digital, a Motion Pictures Association of America (MPAA) prevê para 2010 a transformação em digital de pelo menos um terço das salas dos EUA.

O fenômeno irreversível da “convergência digital” deve causar mudanças ainda muito mais imprevisíveis no mercado audiovisual. Resta saber que suportes e mídias serão mais capazes de atrair indústria e público. O uso indiscriminado do celular no Brasil, a chegada da TV Digital que promete começar as primeiras transmissões oficiais até o fim do ano por São Paulo, a briga entre os televisores com tela de plasma e LCDs, e o início da operação de programas como o Joost, da dupla de criação do Kazaa (especializado em downloads de música na internet) e Skype (serviço de telefonia na web), que pretende mudar a oferta do conteúdo audiovisual na grande rede, ocupada ainda hoje por sites como o Youtube, que não diferenciam amadorismo de profissionalismo, são algumas das pontas do iceberg que vão revolucionar a oferta audiovisual no Brasil e no mundo nos próximos anos.

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