| |
CONFORTO, ELEGÂNCIA, TECNOLOGIA DE PONTA NOS ACABAMENTOS E A VALORIZAÇÃO DO ARTESANAL NAS TEXTURAS SÃO ALGUMAS DAS TENDÊNCIAS APONTADAS PELO 46º SALÃO INTERNACIONAL DO MÓVEL DE MILÃO.
Por
Simone Raitzik
Nada de tendências muito definidas ou fórmulas prontas. O que a última Feira de Milão provou, com total competência e elegância, é que a casa cada vez mais ganha personalidade própria e reflete os gostos do dono. A falta de definições de estilos aponta para um caminho múltiplo e repleto de surpresas e ousadias. Valem cores como preto, metalizados, cinza, verde, laranja, dourado, fazendo leve referência ao design dos anos 60 e 70. Valem móveis limpos e integrados na cozinha e detalhes neobarrocos na sala. As estampas geométricas e o toque do artesanal nas texturas mostram que vieram para ficar. Ou seja, a casa é um oásis de possibilidades. Basta você escolher o seu caminho, com a sua cara e o seu jeito, e mãos à obra.
Impossível deixar de citar que o Brasil estava por toda parte. Se os Irmãos Campana se firmaram como uma assinatura valiosa e lançaram a linha de cadeiras Leather Works, de retalhos de couro (para a Edra) e a linha com pneus TransNeoMatic (da Artecnica), com bowls, centro de mesa, houve uma grande homenagem a Sérgio Rodrigues no Fuori Salone (Spazio Random, organizada pela Lin Brasil). Mais? Novos talentos se destacaram no Salão Satélite, como a poltrona Carioca e a casa antistress de Patricia Davies, Rafael Roldão, Tiago Bouças, estudantes de design da UniverCidade (www.riocasaantistress.com.br) e o sofá Hypnose do designer Rafael Simões Miranda. Jovens e antenados, eles estão focados em usar matérias-primas e possibilidades técnicas que não agridam à natureza e tenham um comprometimento ecológico.
Entre os vários profissionais da área que estiveram em Milão nessa temporada, destacamos a opinião de alguns must-see eleitos por eles. Ou seja, uma seleção de dicas tipo “fiquem de olho nesse móvel, nesse nome, nessa tonalidade, na textura do papel de parede”.... São dicas selecionadas e aprovadas por quem entende (e adora) o assunto.

Patrícia Mayer, sócia da 3Plus
e organizadora do Casa Cor
Tendência: não existe uma tendência específica, vê-se de tudo. Os highlights que me chamaram atenção foram os metalizados, prata e ouro, em estofados, laminados e acessórios. As estantes com divisões menores. Os capitonês nas cadeiras ultra modernas. O senso de humor no trabalho dos designers Gaetano Pesche e Mario Bellini, que se utilizam de materiais diferenciados e cores vivas. Na Euroluce, as luminárias são verdadeiras esculturas.
Revival: há sim uma volta aos anos 60 e 70, principalmente nas formas arredondadas, na opi-art, na visão futurista dessas décadas, como os Jetsons.
Novos talentos: belo trabalho do jovem designer Rafael Miranda, muito bem colocado no Salão Satélite.
Personalidade: a casa está muito mais pessoal e isso se torna claro na arrumação dos estandes, na forma de colocar os livros nas estantes, nos arranjos florais e em idéias bacanas como os laminados com estampa em cadeiras super modernas (Antonio Citterio).
Designers em alta: Mario Bellini, pela coleção Stardust desenvolvida para a Meritalia composta de móveis feitos com flocos e iluminados por um novo sistema japonês. Patricia Urquiola, com seus estofados. Gaetano Pesche, pela personalidade dos móveis e formas orgânicas. Zaha Hadid, pelo sofá de linhas futuristas prateado. E, claro, o genial Philippe Starck, com a cadeira Miss Lacy, com corpo em aço inox com padronagem floral (parece uma renda) e base de aço. Pode ser usada ao ar livre, um luxo!
AS MANTAS DA COLEÇÃO DÉPLOIÉ DE ANA MIR E EMILI PADRÓS ACIMA E O TAPETE PARA SONHAR DE OLHOS ABERTOS DO STUDIO TORD BOONTJE, AMBOS PARA A NANIMARQUINA
Gilda Zukin e Verônica Levin, arquitetas
Tendência: design se une à moda, maior integração entre esses dois mundos, com total criatividade e ousadia.
Revival: a volta dos anos 70, principalmente no mobiliário com cantos arredondados, espuma maleável e também nas estampas. Os móveis multifunção, muito presentes nessa época, também aparecem com força total. São pufes tipo baús que viram mesa de apoio. Ou chaise longue que ficam lindas como esculturas.
Tons: preto, cinza, mas também laranja, verde e roxo.
Destaques: a Artek lançou um material novo, ecológico, especialmente interessante. A Boffi tem uma cozinha de Norbert Wangen, com tampos deslizantes que escondem o fogão e a pia, virando uma mesa, que são um show. Totalmente integradas à sala. Na Moroso, o conforto da estrutura, da essência, a valorização da qualidade. Os plásticos se destacam como alternativas ecológicas e bacanas, com padronagens diferentes e inusitadas. Nos Irmãos Campana, a reciclagem aparece nas luminárias de chapinhas e nas mesas que usam apoio de pneus recauchutados. Na Campeggi, os móveis dobráveis com espuma, superpráticos. Por exemplo, o colchão de visita pode ficar na vertical e virar um porta-cd. As luminárias que parecem nuvens são maravilhosas.
Gisele Taranto e Izabela Lessa, arquitetas da Progetto
Tendência: a casa deixou de ser monocromática, passou a ser mais cozy, recebeu linhas femininas, muitas tramas, sobreposições, repetição de células, materiais reversíveis, tapetes com estampas antigas, estruturas de ferro bem fina de várias cores, luzes que interagem.
Revival: houve mudança nas tonalidades e formas sim, mas não necessariamente representam um revival dos anos 70. A volta do preto em tudo (luminárias, sofás, metais de cozinha e wcs), cinza, fumaça e também das cores vivas (verde, vermelho e amarelo).
Móveis: Volant, da Patricia Urquiola para a Moroso. Shitake, de Marcel Wander, para a Moroso. Tapetes de crochê da Paola Lenti. Móveis com releitura de Mies Van der Rohe (Cassina) e poltrona com pochete e cinto enrolando como uma manta (Minotti).
Novos talentos: o tapete inspirado na areia de praia e o móvel versátil de encaixe mesa e banco, da Patricia Davies, é muito interessante.
Personalidade: Com o uso de cores fortes, a casa passa a ter mais personalidade. O artesanal elaborado com tecnologia de ponta gerou peças de crochê rígido, bem diferentes. Células de repetição cortadas a laser criam divisórias e revestimentos para estofados.
Cacau Santos, arquiteta
Tendências: adoro cadeiras, acho um objeto com proporções interessantes e mesmo que muitas vezes não cumpram seu papel essencial, são a primeira coisa que me atrai. Destaco os cortes a laser como novidade: poltrona Viccarbe de Jean Marie Massaud , cadeira Casprine de Marcello Zillane, cadeira Miss Lacy de Philippe Stark, cadeira Ole de Ludovica e Roberto Palomba. Mas eram as estantes que estavam por toda a parte, além dos tons de cinza e os acabamentos metalizados. Tecidos, acessórios, roupas, sapatos com as mesmas texturas. Essa é a moda!
Designer: pra mim o designer da vez é o Karim Rashid. Vi torneiras, pias, revestimentos e móveis desenhados por ele por toda parte.
Novidade: o que deu pra perceber nas exposições é que principalmente a nova geração de designers não está só preocupada em desenvolver apenas um objeto decorativo. Eles buscam novas linguagens tentando resolver funções domésticas aparentemente supérfluas e, muitas vezes, utilizam uma tecnologia pobre. Por isso, o artesanal aparece como forma de linguagem e proposta para dar personalidade e qualidade ao ambiente. O grande desafio da indústria é justamente unir tecnologia e artesanal em doses certas. Com qualidade.
Luiz Fernando Grabowsky, arquiteto
Tendências: sofás grandes, modulados, formas orgânicas, metalizados, cromados, bronze e brilho em tudo. Muito uso de transparência. Elementos com repetição, não só em luminárias como também em objetos. Plotagem de imagens urbanas ou estampas grandes para forração de peças-chave na decoração. Revival: grande influência dos anos 60, 70 e 80, com muito mais tecnologia e design arrojado. Formas variadas mas, principalmente, peças que se comunicam: sofás com mesas e banquetas acopladas, braços de sofás com bandeja/luminária, mesas de centro versáteis com movimento, camas com mesas ou pequenas bancadas de apoio. Tudo para economizar espaço e tornar mais prático o dia-a-dia da casa.
Tons: neutros - cinzas, beges, muito preto e prata, cobre e um pouco de berinjela. As estampas muitas vezes são sobrepostas, impressas no mesmo tom, discretas. Muito de vez em quando, uma cor forte, um vermelho, um verde cítrico... O mais interessante é que as estampas são usadas com humor e criam linguagem para o móvel.
Designers: Ron Arad trouxe cadeiras lindas. Antonio Citterio com sofás e mesas. Paola Lenti, tapetes e tecidos.
Até a próxima temporada!

moda
| fotografia
| gastronomia
| decoração
teatro
| pela gávea
| shopping
| lan
artigos
| a revista
| contato
| anunciantes
imprimir
| topo
| |