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O Museu da Cidade, localizado dentro do Parque
da Cidade, resgata e conta a história de nossa cidade
Por
Bianca Jhordão
Segunda-feira pela manhã subi de carro a rua Marquês de São Vicente em direção ao Parque da Cidade, para mais um Pela Gávea. Como não tinha nenhum guarda na cancela do Parque, entrei e parei no estacionamento. Ao redor, muitos jardineiros da prefeitura cortavam a grama do parque e cheguei até a pensar no porquê de muitos dizerem que o Parque da Cidade anda abandonado. Pareceu-me que estavam cuidando desse patrimônio, que bom! Mas, depois descobri que não é bem assim... Conversando com os zeladores, me disseram que o Parque havia chamado os jardineiros há muito tempo e que somente de vez em quando eles aparecem para aparar os jardins e que eles estarem lá no mesmo dia que eu foi quase uma mera coincidência.
Perguntei onde ficava o Museu e me disseram que o melhor era ir de carro, pois seria uma subida razoável e, com o calor, chegaria lá um pouco suada. O Parque é realmente bonito e tranqüilo, porém os sinais de abandono são muitos, infelizmente. Conversando com trabalhadores locais, também descobri que o Parque é usado basicamente por estudantes para namorar e matar aulas. Mas todos garantiram que é um local seguro.
E, no meio desse enorme parque abandonado, no fim de uma pequena estrada, encontra-se o Museu Histórico da Cidade, instituição que preserva, pesquisa e expõe os bens culturais relacionados à história do Rio de Janeiro e do Brasil. “Estes bens culturais são suportes da memória que nos permitem compreender o passado e o presente”, explica a diretora do Museu, a museóloga Heloisa Helena Queiroz, no cargo há dois anos.
O Museu Histórico da Cidade foi criado em 1934, na administração do prefeito Pedro Ernesto com o objetivo de oferecer ao público conhecimento da história e da evolução da cidade através de objetos de arte e de ampla iconografia. Em 1942, foi transferido para o Centro Recreativo da Prefeitura na Praça Cardeal Arcoverde, onde permaneceu fechado. Somente em 1948 quando de seu retorno ao Parque da Cidade, o museu foi reaberto ao público.

A construção
O prédio foi erguido no século XIX e fez parte da Chácara do Morro Queimado, tendo como primeira proprietária D. Catarina de Sena. Posteriormente foi transformada em fazenda, sendo seu proprietário o Marquês de São Vicente. Adquirida em 1887 pelo Conde de Santa Marinha, recebeu como acréscimo o segundo pavimento e o jardim existentes até hoje. Em 1900, a chácara passou a ser dos donos da Casa Teixeira Borges, de secos e molhados. O proprietário seguinte, João de Carvalho Macedo, edificou perto do solar a Capela de São João Baptista. Em 1939, o governo do Distrito Federal comprou a propriedade de seu último dono particular, Guilherme Guinle. Localizado em uma exuberante área verde, o Museu tem uma vista panorâmica da Zona Sul. Os melhores meses para se apreciar a linda vista da varanda são maio, junho, julho e agosto.
A Capela de São João Batista
A capela dedicada a São João Batista foi construída na década de 20 pelo então proprietário do solar, João de Carvalho Macedo. Até a época em que a propriedade pertenceu à família Guinle, a capela era utilizada para cultos fechados.
Em 1972, o pintor Carlos Bastos foi convidado pela Associação de Amigos do Museu Histórico da Cidade para pintar os painéis retratando a vida e morte de São João Batista. Utilizando-se da fisionomia de pessoas que se destacaram no cenário cultural e político no país no momento, para representar as figuras sacras, o painel logo gerou polêmica. Caetano Veloso como São João Batista, Djanira como Santa Isabel e Pelé de asas azuis como um dos anjos formou o cerne da discórdia entre o pintor e a igreja. Esta alegava que a finalidade das figuras sacras era motivar o povo para a meditação e a reza e um rosto ligado a conceitos profanos dificilmente conseguiria tais resultados. Assim, exigiu que tais figuras fossem apagadas e colocadas como personagens secundários, aparecendo discretamente entre o povo. Embora tenha atendido à exigência, o pintor foi impedido de terminar a obra.
Apesar de todas as dificuldades pelas quais passa o Museu da Cidade, saí de lá satisfeita (apesar das picadas de mosquitos do Parque) e certa de que tinha ampliado meu conhecimento sobre a história do nosso lindo Rio de Janeiro.


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