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Por Pedro Porto | Fotos de Gabriel Wickbold

Rock, game, senhas e segredos guardados em pequenas caixas

Na era do tudo-ao-mesmo-tempo-agora, onde tem gente na internet enquanto vê TV e ainda fala ao celular. No momento em que se descobre que é você quem decide que a música mais tocada do seu Ipod não é a mesma das rádios, e que você acaba de encontrar no YouTube o vídeo mais incrível da semana, ou do dia, ou da última meia-hora. Quando as pessoas descobrem seu poder para escolher o que ver, ouvir, saber e sentir. Como é que uma banda de rock faz para mostrar sua nova música e conquistar alguns minutos da atenção das pessoas?

O Leela, uma banda de rock criada em 2000 resolveu lançar “Pequenas Caixas”, faixa-título de seu novo álbum, de um jeito bem diferente. Pensaram em todas as formas tradicionais que conheciam, se questionaram (www.praquemaisumclipe.com.br) e resolveram criar o troço mais interessante possível para se relacionar com os bons e velhos (e novos) fãs. É isso mesmo, criaram um troço.

O troço do Leela é uma espécie de game. O visual lembra o clássico Mario Bros e ele até parece um clipe. Desses que você estava acostumado a ver por aí. Mas, acredite, é bem mais interessante. Se você prestar atenção nos detalhes (sempre eles), vai descobrir umas coisinhas esquisitas espalhadas pelo troço. Mas que coisinhas são essas? Códigos? Senhas? Um portal secreto para são Tomé das Letras? Vai lá ver. É só digitar “troço do leela” no YouTube e começar a caçada.

O troço é a chave para as “Pequenas Caixas” do Leela, onde os segredos estão guardados, como diz o refrão da música. E no caso do troço, os segredos podem ser mais conteúdos sobre a banda, músicas do novo CD, vídeos de quando despontaram como banda Revelação no VMB da MTV com a música “Te procuro”, as filmagens da turnê brasileira junto com a Avril Lavigne ou ainda vários concursos colaborativos cheio de prêmios onde a participação é quase obrigatória. Aliás, como deveria ser em tudo que é muito legal na vida. Ou você consegue se imaginar sem interagir com a mulher mais linda que você já viu, um prato delicioso ou mesmo um pedaço de plástico bolha? Ploc! Não dá!

Somando a curiosidade coletiva com todas as novas possibilidades de comunicação em diversas mídias e plataformas, o Leela resolveu se comunicar com seus fãs da mesma forma que eles se relacionam entre si. Assim, além do troço no YouTube, o “Pequenas Caixas” ainda conta com um site www.pequenascaixas.com.br, algumas intervenções urbanas com projeções do troço nas fachadas dos prédios de ruas movimentadas, um fliperama que percorre as ruas do RJ e SP e também a distribuição de músicas da banda para os celulares dos fãs, através de antenas bluetooth durante os shows.
Na era do tudo-ao-mesmo-tempo-agora só tem uma coisa que não é novidade. A parte mais divertida de todo segredo vai ser sempre descobrir e contar para os outros. Tá esperando o que? Vá logo ver o troço.

WHOPIXIESNIRVANAZEPPELIN - Por Fausto Fawcett

Sem essa de indie-alternativo, sem essa balela besteirol de atitude, corta essa de mítico underground alimentando alguma pureza rockcéfala. A verdade é que a juventude (e é bom que se diga isso em 2008 com toda essa babação em cima dos quarenta anos das balbúrdias de 68) acabou.

A juventude enquanto segmento social alçado a condição de avatar de qualquer revolução, de renovação política, filosófica, social etc... acabou, já fez cinqüenta anos e tá de novo inserida, misturada no caldeirão de produções e acontecimentos humanos de todas as idades e diversidades, sem privilégios etários inventados a fim de se obter o máximo de consumo e adesão à pseudo movimentações de malcriação contra o sistema, contra tudo de que não se tinha a menor idéia de como funcionava mas que agitava os corações e mentes dos hormonautas.

Porque jovem é antes de tudo um super hormonauta, hormônios engolindo a pele, a flor da verve, o sexo da plebe e por aí vai. Divertindo e só. Segmento de consumo e pronto.

Porque toda essa introdução pra falar do Leela? Porque, junto com a juventude, o rock também está completando uns cinqüenta e poucos anos e a divertida fúria que caracterizava as posturas dos conjuntos, dos grupos no palco, nas turnês, no relacionamento com a vida já ficou diluída, absorvida pelos negócios do grande entretenimento mundial (GEM) e pior, desprestigiado se comparado com as fúrias mafiosas, as friezas psicopatas, as fúrias militares, a fúria de consumo etc.

Hoje a tal fúria virou tesão de manipulação eletrônica movida por um cinismo fundamental e uma capacidade infinita de praticar o canibalismo aleatório de todas as culturas, transformadas em nacos de informação reciclada. Alguns grupos ainda querem ser simplesmente conjuntos musicais tocando para uma grande churrascaria mundial. Tudo bem.

Mas o Leela vai muito além e serve de exemplo do que rola de melhor por aí, ou seja, turmas de quatro ou cinco que se reúnem movidas pelo tal tesão de manipulação eletrônica, de vertigem internet, decifração infinita de dados e senhas e códigos que viram pistas de música ou de imagens ou de jornalismo ou de publicidade instantânea ou ringtone de satélite que dura dois dias e cai virando poeira rasteira de pesquisa cósmica.

Bianca Jhordão e Rodrigo Brandão inventaram uma excelência pop chamada Leela, exemplo de usina de manipulação, dínamo de interferências, divisão punzer da produção de diversão. Isso é o que mais chama a atenção quando se convive, quando se ouve, quando se vê o grupo no palco e fora dele.

Claro que os elementos básicos da motologia rock estão lá devidamente incorporados, submetidos à produção: guitarras, baixo, bateria, a linda loura band-leader. Totalmente filosofal na sua postura de sereia do juízo final, o desempenho dos garotos no palco cheio de heranças whopixiesnirvanazeppelin e mais alguns só que nunca é apenas isso.

Todos esses elementos são ponta de iceberg do tal incessante processo de reciclagem e alquimia tecnotrônica. Se você ainda acredita na balela da atitude, se você ainda sonha com undergrounds míticos purificadores do eterno rock cheio de comércio no coração, se ainda acredita em papai-noel-galagher você ainda tem uma chance de sobrevivência mental, preste atenção no Leela, se ligue nessa luftwaffe de produção audioeletrônica visualdna de todas as senhas que vão se transformar em pistas de cultura razante.

Preste atenção na sedução da Bianca, a loura filosofal, sereia do juízo final... Se ligue nesse dínamo de interferências. Rodrigo Brandão e Bianca Jhordão inventaram uma excelência pop chamada Leela. O resto é juventude extraviada. Tenho dito.

www.pequenascaixas.com.br

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