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Quando lançou o primeiro volume de sua coleção intitulada “Para Ler na Rede”, na X Bienal do Livro, no Rio, o sociólogo italiano Domenico de Masi brincou: “Pode ser que alguém ache que é sobre a internet e compre um exemplar”. Afinal, poucas pessoas poderiam suspeitar que alguém que vive se desdobrando para atender as milhares de consultorias e palestras sobre organizações empresariais na sociedade pós-industrial, pudesse estar se referindo àquela prosaica extensão de tecido presa entre dois suportes, ícone máximo da preguiça e da indolência.

Mas é com o intuito de reavaliar o status da rede frente a uma nova classe de trabalho, que o autor do best-seller “O Ócio Criativo” resolveu batizar assim sua coleção, que promove o resgate de textos antigos, porém decididamente atuais e pertinentes. Mais do que uma sugestão, o título é uma sutil forma de confrontar a inventividade e a intuição humana frente a desmedida devoção ao trabalho e a fervorosa boçalidade empresarial. Em suas próprias – e cada vez mais valorizadas – palavras “a rede é a antítese da linha de montagem. Além disso, talvez seja o objeto mais bonito e funcional que tenha sido inventado até hoje pelos seres pensantes.”

O fato é que, influenciados por esse aspecto, digamos, “pós – industrial” da rede, alguns empresários resolveram trocar a supertecnológica cadeira ergométrica pelo simplório e primitivo artefato. E garantem que passaram a trabalhar muito melhor. “Fiz uma pequena revolução no meu escritório. Primeiro troquei meu antigo computador por um laptop, para levar meu trabalho pra onde quisesse. Depois me livrei daquele set-up impessoal de mesa e cadeira e passei a trabalhar na rede. Não sei se foi o movimento da rede que ativou a oxigenação no cérebro, mas sei que produzo muito melhor assim!” diz Giancarlo Macrinni, diretor de marketing de uma moderna empresa situada em Roma.

Mas não precisamos ser tão radicais nem ir tão longe. Desde que o empresário paulista Marco Zigel trocou sua poltrona em frente a TV por uma rede, seus domingos ficaram bem menos tediosos. “A gente fica enraizando naquele poltronão, vendo aquela programação decadente e esquece que existem formas deliciosas e simplérrimas de se usufruir do precioso tempo ocioso sem se sentir uma batata descerebrada. A rede estimula a reflexão enquanto te repousa. Você só tem que relaxar, apontar o browser cerebral e voilá! Habemus idéias”.


REDE DE TACTEL DA IMAGINARIUM: PRÁTICA, COLORIDA E TECNOLÓGICA, PODE SER TRANSPORTADA DENTRO DE SUA EMBALAGEM

De Masi conclui em seu livro que numa era em que os computadores e as máquinas substituem num ritmo vertiginoso a simiesca qualificação operária, nada será tão valorizado quanto as idéias. “Hoje em dia até um frango contém mais tecnologia do que carne. Queiramos ou não, devemos saber que o único tipo de emprego remunerado que permanecerá disponível com o passar dos tempos será o de intelectual criativo”. E isso exige mais do que tudo, sagacidade e cuca fresca. Por isso, da próxima vez que você estiver sufocado em arquivos, precisando de soluções a curto prazo e se sentindo encarcerado nas grades de uma planilha do Excel, experimente embalar seus problemas numa rede. Quem sabe sua vida não dá um 360! Só cuidado para, quando der essa virada, não cair da rede!

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