| |
Quando
a cortina do palco do Teatro dos Quatro se abrir e você
se deparar com atores de primeira grandeza, que por
si só já garantem uma bilheteria de sucesso,
provavelmente nem se lembrará de reparar o cenário,
a luz, o figurino, a trilha sonora... e muito menos
terá idéia da movimentação
que rola na coxia. Pois ficaria surpreso se soubesse
que um outro espetáculo acontece nos bastidores.
É de lá que saem todas as idéias
e truques pra lhe prender por cerca de 90 minutos na
cadeira e transportá-lo para a realidade
dos sonhos. E se te contarem que por trás
dos seis atores está uma equipe que beira cem
pessoas pode até lhe parecer um conto de fadas.
Se fossem passar os créditos seriam outros 90
minutos.
Veneza,
peça que narra as peripécias de três
prostitutas e um ajudante para realizar o último
sonho da velha cafetina, é um espetáculo
relativamente pequeno se comparado a outras produções
de Cynthia Graber (responsável por South American
Way, produção que levou três anos
só na captação de recursos). Uma
equipe de craques foi escalada para dar conta, em pouco
tempo, de mais essa empreitada com assinatura de Miguel
Falabella. Foram sete meses de trabalho intenso.
Tudo
começou em agosto de 2002, época que Cynthia
rumou para Argentina só para assistir a montagem
da terra de Péron. Voltou de lá com os
direitos comprados e com uma única certeza: o
diretor seria nosso showman multimídia. Depois
que Miguel cuidou da adaptação e da escalação
do elenco, a intrépida produtora foi bater de
porta em porta para conseguir a verba. Essa é,
com certeza a tarefa mais árdua de todas, mas
não é nem a metade do caminho. Enquanto
os atores decoravam o texto, Cynthia alinhavava detalhes
como reserva de teatro, espaço para ensaios,
figurinistas, cenógrafo, iluminador, músico,
coreógrafo, fotógrafo, designer gráfico...
Marcar
os ensaios é outra saga. Ainda mais quando todos
são famosos e cheios de afazeres. No caso de
Veneza foi reservado as madrugadas de um único
mês (considerado pouco) para que os atores acertassem
suas personagens com o diretor. Com o teatro liberado
somente dez dias antes da estréia, começa
outra maratona. É como se os atores tivessem
que ensaiar tudo de novo. Eles têm que se adaptar
às novas marcações, aprender a
manusear os novos objetos, aprender a usar o novo figurino
- sobretudo, aprender a trocá-lo em tempo recorde
marcar a luz, acomodar-se no camarim, acertar
detalhes com camareira, contra-regra, operadores técnicos,
maquiagem... E isso contando que a competência
dos profissionais envolvidos... e com um pouquinho de
sorte e boa vontade divina.
EQUIPE
DE SUCESSO
A fama se estende por todos os ramos profissionais em
Veneza. A equipe técnica é praticamente
parte do elenco e poderia até estar distribuindo
autógrafos! Dentre eles o grande destaque é
Cláudio Tovar, que assina o figurino e o cenário.
Dispondo de poucos objetos de cena, ele consegue transformar
um parco cenário em um remoto avião e
uma fantástica gôndola. Tovar diz não
ser ligado à moda e que tudo que faz é
para compor a personagem. Da forma como fechar
uma roupa à forma de enrolar o fio do ventilador,
tudo tem que ser calculado para facilitar o ator. Não
faço moda. Não faço figurino. Fantasia
é o que faço, completa. E para acentuar
as nuances cenográficas, Cláudio conta
com Aurélio de Simoni, papa da iluminação.
São os efeitos desenvolvidos por ele que farão
você acreditar que a gôndola desliza pelo
palco.
Para
que Juliana Baronni, Laura Cardoso, Arlette Salles e
todo o elenco possam brilhar é porque eles estão
cercados de artistas: administradores, técnicos,
divulgadores, camareiros, enfim, gente que faz o espetáculo
por trás do espetáculo. Agora só
falta você embarcar para Veneza.
Veja
a programação dos teatros do shopping
moda
| decoração
| entrevista
| gastronomia
| teatro
ensaio pela
gávea | shopping
| lan
| artigos
|
a revista
| contato
| imprimir
| topo
|
|