|
TELAS
E ESCULTURAS PARA COMBINAR COM O SOFÁ? ARQUITETOS
E ARTISTAS DISCUTEM O VERDADEIRO PAPEL DAS ARTES PLÁSTICAS
NA DECORAÇÃO
Paula
Miller
Até
mesmo aquilo que parecia se tratar de um ato simples
e prazeroso, como decorar uma casa, está agora
causando a maior polêmica. A discussão
se passa no campo das artes plásticas. Será
indevido o uso de uma obra de arte na decoração?
A resposta nunca é unânime (ainda bem),
mas caminha para um mesmo lado: depois de criada, a
obra de arte passa a ser do público e, sem preconceitos,
pode pertencer a qualquer um.

Fazer
uma peça é como dar à luz um filho,
a gente coloca no mundo e depois não tem mais
controle, acredita o artista plástico Jefferson
Svoboda, que viu, há alguns anos, uma série
de suas cerâmicas ser capturada pelo amigo arquiteto
Cláudio Bernardes, sem mesmo ter tido o prazer
de lamber a cria. Um dia, cheguei
em um restaurante e dei de cara com uma obra minha,
olhei com certa estranheza e depois me dei conta de
que se tratava da série que o Cláudio
havia comprado.
Trabalhar
diretamente com arquitetos tem sido uma alternativa
importante para o artista plástico no Brasil.
Mesmo que alguns puristas condenem esse fato, pois a
obra acaba sendo adquirida muito mais para combinar
com a cor do sofá do que com o gosto e personalidade
do cliente. Ainda assim, muitos artistas não
acreditam que isto seja um problema, principalmente
se há afinidade entre os dois profissionais.

Obra
de arte até na cozinha: chique e minimalista,
o trabalho da artista plástica Fernanda Gomes
cria pequenas interferências na parede
Agora
mesmo estava terminando uma residência, onde eu
tinha uma grande sala com nichos a serem preenchidos,
pensei no que seria adequado e encomendei as obras.
Acho importante essa relação com o artista,
diz o arquiteto Gilmar Peres, para quem ter uma casa
bonita sem ter uma obra de arte é como viver
sem história. Fica parecendo um showroom.
Mas
nem todo mundo concorda. Rosinha Goldenstein acha que
suas esculturas têm alma e que existe sentimento
no trabalho do artista.
Misturar
essa força simplesmente para combinar com o tapete
ou com o sofá é um horror, diz.
A
arquiteta de interiores Ester Cotrim compartilha da
mesma opinião de Rosinha. Para ela obra de arte
é obra de arte e peças de decoração
são peças de decoração.
A
obra de arte tem um lugar que é dela, nós
até podemos sugerir algum artista que tenha um
trabalho coerente com o projeto feito para a casa, mas
o artista deve ter liberdade total para trabalhar,
acredita Ester, que ao lado da sócia Claudia
Escarlate, adquiriu uma obra da artista plástica
Fernanda Gomes para decorar uma cozinha.
Proprietário
da tradicional Galeria G, no Shopping da Gávea,
Gilberto Cabral diz não ver nenhum problema no
uso das artes plásticas na decoração.
Ao contrário, para ele, o importante é
que cada vez mais o público veja e se interesse
pela arte.
Nas
minhas duas galerias 80% das obras são vendidas
através de arquitetos que além de comprar
as obras, acabam trazendo o público para a galeria.
Gilberto
acredita que a mudança sofrida no mercado nos
últimos anos, contribuiu também para uma
mudança de mentalidade em relação
a esse uso das artes na decoração. Segundo
ele, a boa obra de arte sempre terá o seu valor
e o seu lugar, nao importa onde esteja. Falou e disse.

As
esculturas da artista plástica Rosinha Goldestein
têm inspiração surrealista, são
coloridas e espirituosas, podendo ser colocadas em qualquer
ambiente da casa ou escritório
moda
| decoração
| entrevista
| gastronomia
| teatro
ensaio pela
gávea | shopping
| lan
| artigos
|
a revista
| contato
| imprimir
| topo
|