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Talvez
você não esteja ligando o nome ao lugar,
mas o Galpão fica ali mesmo, exatamente embaixo
do viaduto Lagoa-Barra, em frente ao Planetário,
logo na curva, onde você passa todos os dias sem
nunca parar para saber o que era e o que aquilo estava
fazendo ali.
Esse
lugar estava abandonado, mal iluminado e com muitos
problemas de roubo. Como trabalho na Comlurb
sou Gerente de Comunicação Empresarial
- falei com o presidente, Sr. Paulo Carvalho, sobre
um projeto envolvendo a questão do lixo com a
arte, e que esse lugar era perfeito para um Galpão.
Aprovado o projeto, tive o prazo de um mês para
completar as obras, nos explica a idealizadora
do projeto, Lenora Moraes de Vasconcellos.
O
conceito do Galpão das Artes Recicladas já
começa no próprio espaço, que foi
reciclado e transformado num grande ateliê voltado
para a arte da reciclagem. A proposta é transformar
objetos e fazê-los voltar para nossas casas como
obras de arte. O primeiro passo de transformação
de materiais de resíduos urbanos foi cortar uma
garrafa PET e usar como vasinho de planta. Aqui não
queremos isso, acho que esse tipo de reaproveitamento
já está dimensionado dentro da população.
Queremos que esses resíduos urbanos fiquem bonitos,
que virem peças de arte para decorarem nossas
casas, completa Lenora.
Três
ateliês ocupam atualmente o espaço, capitaneados
pelos artistas e parceiros Sérgio Cezar (arquiteto
do papelão), Sérgio Marimba (escultor
de ferro reciclado) e Sebastião Feijó
(móveis com garrafas PET). Através de
oficinas, eles ensinam voluntariamente a arte de reciclar
à crianças e adolescentes carentes, que
passam a ter uma nova visão sobre o que antes
era apenas lixo para eles.

Ainda
no Galpão encontramos um espaço chamado
Reforma, onde os artistas deixam obras à
venda e a ampla sala Xepa Café, dedicada
à arte contemporânea e onde ficamos por
dentro do que está sendo feito em matéria
de resíduos urbanos.
Mas
o que o arquiteto Hélio Pellegrino tem a ver
com a história? Chamei o Hélio por
ser morador da Gávea e uma pessoa brilhante que
tem esse conceito da reciclagem no seu trabalho. Explicamos
todo o projeto e ele abraçou a idéia na
hora. O painel da frente foi todo feito por ele,
conta Lenora, que resolveu homenagear o arquiteto dando
seu nome ao Galpão.

Obra
produzida com material de demolição por
Lili Câmara e Paulo Roberto
Tiro
meu chapéu! Acho simplesmente uma idéia
magnífica. O pessoal da Comlurb materializou
o sonho concretamente. É um exemplo para todo
o Brasil, um espaço abandonado que agora tem
o cunho da educação e da arte. Eles fizeram
exatamente o que deveria ser feito, elogia o arquiteto
e homenageado Hélio Pellegrino. Fico super
grato e envaidecido com essa homenagem porque fui um
precursor na reutilização de materiais.
Comecei para baixar os custos da casa da minha mãe
e acabei usando o conceito como princípio. Faço
arquitetura com materiais novos sim, mas nunca deixo
de usar os reciclados porque assim valorizamos nosso
planeta, completa Hélio.
Com
um ano de existência, o Galpão está
começando a ser incorporado ao cotidiano da Gávea.
Atualmente a média de visitantes é de
300 pessoas por mês e esse número tende
a crescer, de acordo com a programação
planejada para os próximos meses.

Escultura
de Norita Fonseca que mistura garrafa pet, jornal, pano
de chão e papel machê
Começou
em agosto a exposição O Rio de Tudo
um Pouco feita por um grupo liderado pelo psicanalista
e artista plástico Marco Antônio Figueiredo,
em exibição até novembro. Em seguida,
acontece a segunda edição do Empório
do Natal Reciclado, uma boa opção
para comprar presentes natalinos. À noite ainda
estão sendo preparadas palestras sobre a questão
da cidadania. E todos os dias às 19h, acontece
uma roda de capoeira, sugestão de Hélio
Pellegrino. Dei essa idéia por não
encontrar aqui na Gávea um espaço para
essa arte. Sempre que posso, vou lá jogar.

Mentora
e entusiasta mor do projeto, Lenora costuma dizer que
o Galpão é um dos vértices de produção
de conhecimento da Gávea. Nós produzimos
conhecimentos sobre resíduos urbanos, a PUC produz
conhecimentos gerais e o Planetário produz conhecimentos
da ciência. Um triângulo, fashion, cultural
e antenado.
O Galpão das Artes Recicladas está
localizado numa área restaurada sob o Viaduto
LagoaBarra, na Av. Padre Leonel Franca, s/nº,
em frente ao Planetário do Rio de Janeiro. Horário
de funcionamento: das 10h às 19h, de terça
a sábado. Tel. 2249-2286.
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