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Quem
for desavisado ao Shopping da Gávea aos sábados
e domingos por volta das 17 horas pode achar que deixaram
a porta do playground aberta: é um verdadeiro
boom mirim que tomou o shopping. Tudo em função
do fenomenal sucesso do teatro infantil. O fato
pra lá de inédito - é que espetáculos
dedicados à primeira idade vem lotando teatros
e chamando a atenção para um mercado que
até então era relegado ao segundo plano.
Os
problemas das produções destinadas aos
pequeninos eram sempre os mesmos: produção
capenga, diretores de espaços que negavam pauta
e por fim e certamente por conseqüência
direta - o desprestígio crônico do público.
O
que mudou então? A relação com
o ofício. Percebe-se a seriedade e o profissionalismo
do soar dos três toques ao agradecimento. O teatro
infantil deixou de ser via de acesso ao teatro adulto.
Equipes técnicas e grupos teatrais de qualidade
garantem a continuidade e a visibilidade de bons trabalhos.
E as histórias, que antes ficavam restritas ao
universo das fábulas, enveredam por temas profundos,
como paixão, vaidade, ciúme, traição,
companheirismo e inveja.
Mas
há controvérsias. Nem todos os espetáculos
ditos interessantes caíram no gosto popular.
O boom é seletivo. Estar em um shopping
é muito positivo. Essa comodidade pós-moderna
facilita a vida dos pais e a vida dos espetáculos,
diz Bernardo Jablonski, diretor de Maroquinhas
Fru-Fru, em cartaz no Teatro Clara Nunes. Para
Jablonski, que também é redator de programas
da Rede Globo, a crise que ronda por aí atingiu
o teatro infantil.
Os
prêmios, que incentivavam tal aprimoramento, foram
reduzidos ao Maria Clara Machado, que já não
sabe se emplaca no segundo semestre. Porém, Jablonski
concorda que uma ficha técnica afinada, com elenco
de primeira e um bom texto, já garantem 70% da
bilheteria. Por isso escalou para seu espetáculo
atores que vieram do Teatro Tablado, como a atriz Tereza
Seiblitz. A luz ficou por conta de Aurélio Di
Simone, Renato Vieira assina a coreografia, Marcelo
Marques cuidou do figurino e José Dias do cenário.
Sete
teatros formam o corredor cultural infantil
Os quatro teatros do shopping formam com os teatros
do Tablado, Jockey e Maria Clara Machado (Planetário),
um novo corredor cultural dedicado aos baixinhos. Os
espetáculos alí apresentados começam
do lado de fora das salas, onde se misturam bonecos
gigantes e toda a sorte de fantasias de distintos contos,
com os pequenininhos, babás e pais, numa espécie
de carnaval fora de época. Em êxtase, crianças
pulam, gritam, riem, correm e choram.
E
se a entrada é uma euforia, a saída é
apoteótica. Ninguém pensa duas vezes ao
se atirar nos braços de seus mais novos amigos/ídolos
e tirar fotos de recordação. São
ursos, leões, bruxas e espaçonaves que
não assustam ninguém. E se você
acha que são as crianças que mais se divertem
é porque não viu a cara dos pais. Sem
o menor constrangimento, parecem ser capazes de tudo
para agradar aos rebentos, mas na realidade parecem
mesmo estarem dispostos a achar o caminho de um mundo
que gostariam de ter conhecido.

A
cultura teatral infantil é recente, apesar de
ter sua importância ressaltada e sua qualidade
assegurada- há cinqüenta anos, por Maria
Clara Machado. Mas essa é uma pagina prestes
a ser virada. Na era do mundo virtual, em que os amigos
são imaginários e estão do outro
lado da tela, pais buscam nessa uma hora de magia, a
socialização necessária para seus
filhos. Segundo a psicopedagoga Dina Sacramento, eles
querem que seus filhos participem e façam história
junto dos coleguinhas, que fortaleçam e ampliem
os laços de amizade, que brinquem e que aprendam
mais uma linguagem em suas vidas. As crianças
melhoram seu relacionamento com o mundo, ampliam sua
capacidade de interação. Serão
crianças melhores, com certeza, afirma
Dina.
As
crianças têm em comum a vivacidade e o
teatro as ajuda a abrir cada portinha no imaginário,
desenvolver o pensamento crítico, inserir-se
no mundo, ativar os princípios humanitários
e estreitar o relacionamento com a vida. A observação
é da diretora e autora Karen Acioly, que acaba
de receber o prêmio de melhor direção
pelo espetáculo Bagunça!,
no Prêmio Maria Clara Machado.

Em
cartaz no Teatro dos Quatro, o espetáculo Aladin
vem agradando em cheio à garotada. A premiada
Maroquinhas Fru-Fru pode ser vista no Clara Nunes
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