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APÓS
CONQUISTAREM O GOSTO DOS BRASILEIROS, VINÍCULAS
CHILENAS INVESTEM NA QUALIDADE E ALCANÇAM PRESTÍGIO
INTERNACIONAL
Henrique
Koifman
Os
vinhos chilenos vêm conquistando, cada vez mais,
o paladar dos consumidores e o respeito dos enólogos
de todo o mundo. No Brasil, onde o Chile é o
maior fornecedor estrangeiro de vinhos, eles já
são quase uma unanimidade e ocupam um grande
espaço em nossas lojas especializadas. A seguir,
você vai conhecer um pouco mais sobre a história
e as características da bebida que vem dos vales.
Dizem
os especialistas que um bom vinho é o resultado
da conjunção entre uma boa terra, um bom
clima e uma boa mão. Esta mão, é
claro, representa o homem, com seu conhecimento, intuição
e persistência. E um dos motivos pelos quais o
Chile é hoje um dos principais produtores vinícolas
do mundo está justamente na feliz reunião
desses ingredientes. Solo propício, estações
marcadas, com grandes variações de temperatura
entre o dia e a noite, e uma tradição
que remonta aos antepassados europeus tornaram possível
que, em plena e improvável América do
Sul, surgissem excelentes vinhos de diversas variedades.
Fortuna para os chilenos e, porque não, sorte
nossa já que temos acesso facilitado pela
curta distância à produção
desses nossos inspirados vizinhos.
A
fama dos vinhos chilenos não chega a ser novidade.
Mas foi principalmente a partir do final da década
de 80 quando os investimentos em qualidade feitos
pelas vinícolas de lá se intensificaram
que eles conquistaram o respeito dos especialistas
internacionais. No Brasil, as garrafas vindas do Chile
são habitués de nossas mesas há
pelo menos 20 anos. Podemos dizer, sem carregar na pretensão,
que acompanhamos, par-i-passu, o desabrochar de sua
produção e, hoje, temos aquele país
como nosso maior fornecedor estrangeiro da bebida.
As
origens
A uva chegou ao Chile a bordo dos navios dos conquistadores
espanhóis. As primeiras mudas de vitis vinífera
foram plantadas pelo sacerdote Francisco de Carabantes,
em Concepción, no ano de 1548. E a planta se
deu tão bem naquele trecho da América
do Sul que, apenas dois anos depois, a primeira safra
chilena era produzida. A expansão da cultura
da vinha foi rápida e já em 1554 chegava
às localidades de Macul e Ñuñoa.
O
grande passo para a evolução da bebida
chilena, no entanto, foi dado em 1851, quando Silvestre
Ochagavía iniciou o cultivo de variedades francesas
como Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot, Pinot Noir,
Sauvignon Blanc, Semillon e Riesling em Talagante, no
Vale Central. Assessorado então pelo enólogo
francês Joseph Bertrand, Silvestre lançou
a base do que viria a ser a grande produção
dos vinhos chilenos e, já em 1877, as primeiras
garrafas eram exportadas para a Europa.
A
consagração
Ao longo dos anos, o exigente mercado europeu foi
se consolidando como destino de parte da produção
chilena, num movimento lento mas constante de conquista
de apreciadores e respeito. De tal forma que, hoje,
as vinícolas chilenas estão trabalhando
para reposicionar seus produtos de alta qualidade e
preço mais elevado entre 30 e 70 dólares
a garrafa no Velho Continente, reabrindo recentemente
um escritório exclusivamente dedicado à
representação de seus vinhos na Inglaterra.
Além disso, as marcas do Chile têm estado
presentes em praticamente todas as feiras e grandes
degustações anuais nos principais países
consumidores, não só da Europa, mas do
mundo. A idéia é seguir o exemplo
dos produtores do Velho Mundo (Itália, França,
Espanha) e oferecer bebidas com origem controlada, terroir
definido, menor produção por área
e plantações com grande concentração
de videiras, privilegiando a qualidade, revela
o enólogo chileno Ariel Pérez.
E
quais são as principais características
desses vinhos, suas armas para conquistar um segmento
tão seleto de marcas? Algumas são típicas
dos fermentados do Novo Mundo, como por exemplo, a de
se produzir vinhos distintos. Há os que
podem ser consumidos jovens, como os das
regiões do Valle de Colchagua, Maipo, Maule e
San Antonio, por exemplo, informa Ariel. Estes
são mais redondos, prontos para se
desfrutar. E também há os que possuem
grande potencial de guarda, surgidos nos últimos
10 anos, completa o enólogo, explicando
que a qualidade deste segundo tipo de bebida está
em sua madureza, intensidade de aromas e estrutura de
taninos maduros. O segredo do sucesso está na
descoberta das regiões certas para cada cepa
(Carmenere, Syrah, Viogner), além da utilização
de avançadas técnicas de vinicultura.
Caiu
no paladar
No Brasil, os vinhos chilenos possuem ótima
aceitação e até uma certa popularidade,
posição alcançada ao longo dos
últimos 20 anos. E se inicialmente ganharam mercado
por seu custo-benefício bastante favorável,
as melhores marcas do Chile acabaram conquistando os
brasileiros por sua qualidade. O consumidor brasileiro
é bem informado e também um bon vivant.
Está sempre buscando pretexto para novas descobertas
e o Chile, por ser uma referência em termos de
novos investimentos no mundo do vinho, chama sua atenção,
analisa o enólogo Ariel, que vê nesse comportamento
o melhor caminho para quem deseja descobrir a melhor
bebida: É bom ser bastante infiel e degustar
vinhos de diferentes países, regiões e
marcas, e nunca perder a capacidade de se surpreender,
nunca ter preconceitos, ensina.
A
boa aceitação dos vinhos do Chile, num
círculo virtuoso de mercado, tem feito com que
os comerciantes de vinhos venham investindo cada vez
mais nas garrafas com origem nos vales de lá.
Péricles Santos Gomes, da Casa do Porto
delicatessen que tem nos vinhos, especialmente os franceses
e chilenos, sua especialidade e que está inaugurando
sua loja carioca no Shopping da Gávea este mês
passou a trabalhar com vinhos chilenos em 1996.
Comecei a visitar as regiões do Chile e
a pesquisar as vinícolas. Só em 1997 estive
lá 12 vezes e, a cada viagem, tive mais convicção
de que nenhum outro país oferece a qualidade
pelo preço que encontramos no Chile, opina.

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