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As indicações do enólogo:
Pedimos ao enólogo Ariel Pérez que nos indicasse os melhores vinhos de seu país. Sem querer ser definitivo ou injusto, sugeriu as marcas que, segundo ele, lhe deram mais prazer durante o último ano. São elas:
• Antiyal
• Almaviva
• Syrah da Viña Matetic
• Liguai Premium da Viña Pérez–Cruz
• El Principal
• Don Melchor 1999
• Apaltagua

 

 

APÓS CONQUISTAREM O GOSTO DOS BRASILEIROS, VINÍCULAS CHILENAS INVESTEM NA QUALIDADE E ALCANÇAM PRESTÍGIO INTERNACIONAL

Henrique Koifman

Os vinhos chilenos vêm conquistando, cada vez mais, o paladar dos consumidores e o respeito dos enólogos de todo o mundo. No Brasil, onde o Chile é o maior fornecedor estrangeiro de vinhos, eles já são quase uma unanimidade e ocupam um grande espaço em nossas lojas especializadas. A seguir, você vai conhecer um pouco mais sobre a história e as características da bebida que vem dos vales.

Dizem os especialistas que um bom vinho é o resultado da conjunção entre uma boa terra, um bom clima e uma boa mão. Esta mão, é claro, representa o homem, com seu conhecimento, intuição e persistência. E um dos motivos pelos quais o Chile é hoje um dos principais produtores vinícolas do mundo está justamente na feliz reunião desses ingredientes. Solo propício, estações marcadas, com grandes variações de temperatura entre o dia e a noite, e uma tradição que remonta aos antepassados europeus tornaram possível que, em plena e improvável América do Sul, surgissem excelentes vinhos de diversas variedades. Fortuna para os chilenos e, porque não, sorte nossa – já que temos acesso facilitado pela curta distância à produção desses nossos inspirados vizinhos.

A fama dos vinhos chilenos não chega a ser novidade. Mas foi principalmente a partir do final da década de 80 – quando os investimentos em qualidade feitos pelas vinícolas de lá se intensificaram – que eles conquistaram o respeito dos especialistas internacionais. No Brasil, as garrafas vindas do Chile são habitués de nossas mesas há pelo menos 20 anos. Podemos dizer, sem carregar na pretensão, que acompanhamos, par-i-passu, o desabrochar de sua produção e, hoje, temos aquele país como nosso maior fornecedor estrangeiro da bebida.

As origens
A uva chegou ao Chile a bordo dos navios dos conquistadores espanhóis. As primeiras mudas de vitis vinífera foram plantadas pelo sacerdote Francisco de Carabantes, em Concepción, no ano de 1548. E a planta se deu tão bem naquele trecho da América do Sul que, apenas dois anos depois, a primeira safra chilena era produzida. A expansão da cultura da vinha foi rápida e já em 1554 chegava às localidades de Macul e Ñuñoa.

O grande passo para a evolução da bebida chilena, no entanto, foi dado em 1851, quando Silvestre Ochagavía iniciou o cultivo de variedades francesas como Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot, Pinot Noir, Sauvignon Blanc, Semillon e Riesling em Talagante, no Vale Central. Assessorado então pelo enólogo francês Joseph Bertrand, Silvestre lançou a base do que viria a ser a grande produção dos vinhos chilenos e, já em 1877, as primeiras garrafas eram exportadas para a Europa.

A consagração
Ao longo dos anos, o exigente mercado europeu foi se consolidando como destino de parte da produção chilena, num movimento lento mas constante de conquista de apreciadores e respeito. De tal forma que, hoje, as vinícolas chilenas estão trabalhando para reposicionar seus produtos de alta qualidade e preço mais elevado – entre 30 e 70 dólares a garrafa – no Velho Continente, reabrindo recentemente um escritório exclusivamente dedicado à representação de seus vinhos na Inglaterra. Além disso, as marcas do Chile têm estado presentes em praticamente todas as feiras e grandes degustações anuais nos principais países consumidores, não só da Europa, mas do mundo. “A idéia é seguir o exemplo dos produtores do Velho Mundo (Itália, França, Espanha) e oferecer bebidas com origem controlada, terroir definido, menor produção por área e plantações com grande concentração de videiras, privilegiando a qualidade”, revela o enólogo chileno Ariel Pérez.

E quais são as principais características desses vinhos, suas armas para conquistar um segmento tão seleto de marcas? Algumas são típicas dos fermentados do Novo Mundo, como por exemplo, a de se produzir vinhos distintos. “Há os que podem ser consumidos ‘jovens’, como os das regiões do Valle de Colchagua, Maipo, Maule e San Antonio, por exemplo”, informa Ariel. “Estes são mais ‘redondos’, prontos para se desfrutar. E também há os que possuem grande potencial de guarda, surgidos nos últimos 10 anos”, completa o enólogo, explicando que a qualidade deste segundo tipo de bebida está em sua madureza, intensidade de aromas e estrutura de taninos maduros. O segredo do sucesso está na descoberta das regiões certas para cada cepa (Carmenere, Syrah, Viogner), além da utilização de avançadas técnicas de vinicultura.

Caiu no paladar
No Brasil, os vinhos chilenos possuem ótima aceitação e até uma certa popularidade, posição alcançada ao longo dos últimos 20 anos. E se inicialmente ganharam mercado por seu custo-benefício bastante favorável, as melhores marcas do Chile acabaram conquistando os brasileiros por sua qualidade. “O consumidor brasileiro é bem informado e também um bon vivant. Está sempre buscando pretexto para novas descobertas e o Chile, por ser uma referência em termos de novos investimentos no mundo do vinho, chama sua atenção”, analisa o enólogo Ariel, que vê nesse comportamento o melhor caminho para quem deseja descobrir a melhor bebida: “É bom ser bastante infiel e degustar vinhos de diferentes países, regiões e marcas, e nunca perder a capacidade de se surpreender, nunca ter preconceitos”, ensina.

A boa aceitação dos vinhos do Chile, num círculo virtuoso de mercado, tem feito com que os comerciantes de vinhos venham investindo cada vez mais nas garrafas com origem nos vales de lá. Péricles Santos Gomes, da Casa do Porto – delicatessen que tem nos vinhos, especialmente os franceses e chilenos, sua especialidade e que está inaugurando sua loja carioca no Shopping da Gávea este mês – passou a trabalhar com vinhos chilenos em 1996. “Comecei a visitar as regiões do Chile e a pesquisar as vinícolas. Só em 1997 estive lá 12 vezes e, a cada viagem, tive mais convicção de que nenhum outro país oferece a qualidade pelo preço que encontramos no Chile”, opina.

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