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O MISTÉRIO E A IMPONÊNCIA DA PEDRA DA GÁVEA FASCINAM CARIOCAS E TURISTAS E INSPIRAM HISTÓRIAS FANTÁSTICAS

Fotos de Ricardo Siqueira

 

 

Com 842 metros de altura, a Pedra da Gávea, formada por rocha gnáissica e exposta às mesmas condições climáticas das outras montanhas do Rio de Janeiro, tinha tudo para ser um Pão de Açúcar. Mas não é. Uma plataforma horizontal de granito, mais resistente que o gnaisse, a recobre e protege da erosão. Dali, tem-se uma fantástica vista de um raio de 300 km do litoral fluminense.

Tomada como referência por navegadores desde o século XVI, a Pedra da Gávea foi assim batizada pela semelhança que sua face voltada para o mar tem com as gáveas, observatórios das caravelas portuguesas. Visto por outros ângulos, no entanto, o desenho do morro dá margem a um sem-fim de histórias fantásticas.

Na parte superior, identifica-se a cabeça de um homem. O perfil é claramente visível a partir do bairro de São Conrado - olhos, nariz, boca e orelha. Há quem jure que a semelhança não é gratuita.

Em 1933, o autor de um livro sobre inscrições pré-colombianas pôs-se a decifrar o que seriam inscrições fenícias gravadas na Pedra da Gávea: “Tyro Fenícia Badezir, primogênito de Jethbaal”. Começou, assim, a lenda de que, em 850 a.C., o tal rei Badezir, fugindo dos assírios, teria fundado uma colônia na Baía de Guanabara. Dessa forma, a “ Cabeça do Imperador”, esculpida na rocha, seria uma gigantesca estátua inacabada em honra ao primogênito, enterrado, com seus tesouros, em algum ponto da montanha.

É claro que os geólogos refutam a teoria da ação humana intencional, afirmando que as marcas tomadas como inscrições - com 30 metros de extensão e 2,5 metros de altura, feitas em ponto de difícil acesso - não passam de registros da erosão natural. Olhos e orelhas são cavidades formadas pelo desgaste mais intenso da rocha gnáissica, próxima ao contato com o topo de granito.

Não importa. Nenhuma explicação geológica é suficiente para conter a profusão de histórias que circulam em torno da Pedra da Gávea. Além de efígie fenícia, há quem veja no local uma base de discos voadores, até mesmo, um portal para outra dimensão. Mas há quem se concentre mesmo é em subir cerca de quatro horas por caminhos muitas vezes perigosos, até se sentar no alto do morro e contemplar o espetáculo de rocha, floresta e mar, que recortam o Rio e encantam céticos e místicos de todas as tribos.

Retirado do livro Monumentos Geológicos do fotógrafo Ricardo Siqueira

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