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Com
842 metros de altura, a Pedra da Gávea, formada
por rocha gnáissica e exposta às mesmas
condições climáticas das outras
montanhas do Rio de Janeiro, tinha tudo para ser um
Pão de Açúcar. Mas não é.
Uma plataforma horizontal de granito, mais resistente
que o gnaisse, a recobre e protege da erosão.
Dali, tem-se uma fantástica vista de um raio
de 300 km do litoral fluminense.
Tomada
como referência por navegadores desde o século
XVI, a Pedra da Gávea foi assim batizada pela
semelhança que sua face voltada para o mar tem
com as gáveas, observatórios das caravelas
portuguesas. Visto por outros ângulos, no entanto,
o desenho do morro dá margem a um sem-fim de
histórias fantásticas.
Na
parte superior, identifica-se a cabeça de um
homem. O perfil é claramente visível a
partir do bairro de São Conrado - olhos, nariz,
boca e orelha. Há quem jure que a semelhança
não é gratuita.
Em
1933, o autor de um livro sobre inscrições
pré-colombianas pôs-se a decifrar o que
seriam inscrições fenícias gravadas
na Pedra da Gávea: Tyro Fenícia
Badezir, primogênito de Jethbaal. Começou,
assim, a lenda de que, em 850 a.C., o tal rei Badezir,
fugindo dos assírios, teria fundado uma colônia
na Baía de Guanabara. Dessa forma, a Cabeça
do Imperador, esculpida na rocha, seria uma gigantesca
estátua inacabada em honra ao primogênito,
enterrado, com seus tesouros, em algum ponto da montanha.
É
claro que os geólogos refutam a teoria da ação
humana intencional, afirmando que as marcas tomadas
como inscrições - com 30 metros de extensão
e 2,5 metros de altura, feitas em ponto de difícil
acesso - não passam de registros da erosão
natural. Olhos e orelhas são cavidades formadas
pelo desgaste mais intenso da rocha gnáissica,
próxima ao contato com o topo de granito.
Não
importa. Nenhuma explicação geológica
é suficiente para conter a profusão de
histórias que circulam em torno da Pedra da Gávea.
Além de efígie fenícia, há
quem veja no local uma base de discos voadores, até
mesmo, um portal para outra dimensão. Mas há
quem se concentre mesmo é em subir cerca de quatro
horas por caminhos muitas vezes perigosos, até
se sentar no alto do morro e contemplar o espetáculo
de rocha, floresta e mar, que recortam o Rio e encantam
céticos e místicos de todas as tribos.
Retirado
do livro Monumentos Geológicos do fotógrafo
Ricardo Siqueira

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