| |
Eduardo Souza Lima
A
BALELA DO OSCAR
Cidade
de Deus virou a pátria de celulóide
da vez. Só que uma coisa é torcer pelo
filme como se faz por um time de futebol; outra é
acreditar que uma eventual vitória traria benefícios
para o cinema brasileiro em geral. É claro que
desta vez foi diferente. O beijo da Mulher-Aranha,
dirão uns, não era uma produção
100% brasileira; O pagador de promessas,
O quatrilho, O que é isso companheiro?
e Central do Brasil concorriam a um prêmio
para o qual Hollywood não dá a menor pelota,
a de filme falado em língua não-inglesa.
Cidade de Deus entrou na festa da Academia
pela porta da frente. Mesmo não tendo ganho nenhum
prêmio, Fernando Meirelles saiu ganhando. Ele
é um diretor indicado ao Oscar. Seu cachê,
falando por baixo, decuplicou. Se antes da indicação
ele já não dava conta dos convites para
dirigir produções internacionais, agora
é que o seu telefone não vai parar mais
de tocar. Mas foi uma vitória pessoal dele -
e, não podemos esquecer, do produtor e tanque
de guerra Harvey Weinstein, o chefão da Miramax,
dona do filme lá fora. Dela tirou proveito o
pessoal da parte técnica de Cidade de Deus
e, quiçá, pode vir a se beneficiar um
ou outro ator. E olhe lá.
Historicamente,
os Estados Unidos sempre foram importadores de talentos
- de Fritz Lang a Peter Jackson - nunca de produtos.
Filmes eles só exportam. Roberto Benigni ganhou
os seus Oscars, armou aquela presepada toda, A
vida é bela foi realmente bem de bilheteria
nos EUA, mas nem por isso houve um boom de cinema italiano
mundo afora - na verdade, nem mesmo na Itália.
O sucesso de Cidade de Deus não necessariamente
também vai atrair os olhos do resto do mundo
- ou mesmo os daqui - para o cinema brasileiro. O mais
provável é que esperem dele mais e mais
Cidades de Deus. Quem não se enquadrar
no modelo, fatalmente permanecerá no gueto.
O
cinema americano é hegemônico no mundo
inteiro porque sempre deu as cartas dentro de casa também.
Foi assim que ele se transformou em indústria.
Para ganhar o jogo fora, é preciso ganhar dentro
de casa primeiro.

LEIA
TAMBÉM: 
Janelas
Abertas

A população mundial
contra
os corações partidos

Equilibrando energias

Soul, rock... e pagode?

moda
| comportamento
| beleza|
gastronomia
teatro
| ensaio
| pela
gávea | shopping
| lan
artigos
| a revista
| contato
| anunciantes
imprimir
| topo
| |