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Saboroso,
fácil de preparar e, como se não bastasse,
muito saudável. Adjetivos e características
que, rapidamente, vêm transformando o shitake
em ingrediente de destaque em um número cada
vez maior de cozinhas brasileiras. Como protagonista
ou coadjuvante de receitas simples ou sofisticadas,
o cogumelo oriental conquistou também o campo:
o Brasil não só produz como já
exporta o fungo para países como o Canadá
e, vejam só, o Japão. No capricho, Gávea
preparou esta reportagem e selecionou algumas receitas
para você provar, no garfo (ou no hashi) e no
paladar, os motivos de tantos elogios. Bom apetite.
Por
Henrique
Koifman :: Fotos de Helio
Levcovitz
Antes
de começar a escrever sobre cogumelos, uma dúvida
prosaica atingiu este redator: se não são
animais, os fungos também não são
considerados vegetais; então como estão
na dieta de tantos vegetarianos puristas? Uma pequena
pesquisa no universo gastronômico da internet
reuniu, em poucos instantes, milhares de receitas vegetarianas
que incluem especificamente nosso astro dessas páginas.
Preferimos não aprofundar, nem a pesquisa nem
a discussão. E concluímos que os gourmets
vegetarianos devem ter feito exatamente a mesma coisa:
entre discutir a estrutura dos seres vivos e aproveitar
suas delícias, letra B, sem radicalismos e sem
culpa.
Radicalismo,
aliás, não combina mesmo com o shitake
ou shiitake, como preferem alguns. Suave no paladar
e no estômago, tem exatamente na sutileza do sabor
e na delicadeza da textura duas de suas maiores qualidades.
Essas e mais um extenso rosário de propriedades
terapêuticas (veja o box), que fazem com que seja
um dos remédios mais populares na China, onde
atribuem a ele até poderes mágicos.
Os
cogumelos, por sinal, têm ao longo dos tempos
essa ligação direta com o imaginário
popular. Desde funcionarem como abrigo para pequenos
seres nas fábulas e lendas, até integrarem
poções e fórmulas secretas, capazes
de salvar ou matar personagens ao menor gole. Essa parte
da fama se justifica na grande quantidade de cogumelos
tóxicos que existe na natureza. Alguns deles
realmente e fatalmente venenosos. Outros, alucinógenos,
utilizados em rituais indígenas e coisas do gênero.
Ao longo dos mesmos tempos, no entanto, o homem foi
aprendendo a distinguí-los e descobrindo novas
maneiras de aproveitá-lo. Na Europa, os primeiros
cultivos de cogumelos datam de aproximadamente 300 anos
(antes eles eram apenas colhidos na natureza). Na Ásia,
a produção de fungos pelo homem é
bem mais antiga e, no Brasil, começou nos anos
1950, com o já tradicional champignon, o cogumelo
de Paris.
Originário
do Japão e da China, o shitake começou
a ser cultivado (há quem diga criado) aqui há
cerca de 15 anos. E, de 10 anos para cá, vem
ganhando mais e mais adeptos. Um casamento perfeito
entre demanda e oferta, que congrega chefs de cozinha
de restaurantes não apenas orientais,
mas também de vários sotaques da culinária
contemporânea , produtores entusiasmados
e, é claro, deliciados consumidores finais.
O
shitake, como a maioria dos cogumelos, se desenvolve
em madeira apodrecida. Vicente de Albuquerque Filho
cultiva o fungo há quase 10 anos. Ele trabalha
no sítio Araucárias, localizado nas proximidades
da charmosa estrada Teresópolis-Friburgo, e produz
cerca de 40 quilos do cogumelo por mês. Sua produção
é toda vendida, principalmente, a turistas e
conhecidos, além de alguns donos de restaurante
que o procuram quando seus estoques acabam. O preço
atualmente cobrado pelo quilo do shitake no sítio
é de R$ 25,00. Vicente revela que o cultivo é
lento, pois a incubação do shitake dura
meses. O que podemos fazer é forçar
a reprodução dos fungos, diz Vicente.
O processo é bem artesanal: quando notamos
que já existe uma colônia formada, mergulhamos
a madeira na água por aproximadamente 24 horas.
Como o cogumelo precisa de oxigênio, isso o força
a sair do espaço interno da madeira,
dando lugar para que uma nova colônia se forme,
ensina o especialista, informando que cada tora dá,
em média, quatro colheitas.
Entre
a colheita e o consumo, no entanto, o tempo deve ser
pequeno, pois os cogumelos são extremamente sensíveis
e perecíveis para preservá-los
por mais tempo, há os recursos da desidratação
(o shitake seco pode ser utilizado do mesmo modo que
o italianíssimo funghi secchi) e da conserva.
No
fogo, esse tempo também não deve ser longo.
A maioria das receitas indica um cozimento rápido
e em temperaturas elevadas, suficientes apenas para
deixá-lo na textura ideal. Um dos best-sellers
dos restaurantes orientais, por exemplo, é preparado
com pequenos pacotes de papel laminado contendo pedaços
de shitake e um pouco de manteiga e levados ao forno
alto por cinco minutos. Nos molhos, sopas, massas e
demais receitas em que é combinado a outros ingredientes,
ele deve entrar no final, justamente para não
cozinhar demais. Uma característica que, afinal
de contas, combina perfeitamente com esse fungo de sabor
sutil e personalidade forte.
Nutrição
e saúde
Utilizado há mais de mil anos como remédio
pelos chineses (onde é chamado de hua gu), o
shitake está no cardápio das pesquisas
de laboratórios pelo mundo afora, de olho em
suas propriedades terapêuticas. Uma delas, já
comprovada, é a de estimular o sistema imunológico,
algo que surte efeitos positivos no tratamento de viroses
comuns e até de doenças gravíssimas,
como a AIDS e a hepatite do tipo B. Como se não
bastasse, ele comprovadamente ajuda o organismo a reduzir
os níveis do colesterol no sangue. No Japão,
durante uma pesquisa, um grupo de 460 mulheres tomou,
durante uma semana, nove gramas diárias de shitake
seco. Depois de um exame de sangue, constatou-se que
o nível do colesterol havia baixado de 7 a 15%
em todas elas.
Rico
em proteínas, o saboroso cogumelo garante ao
organismo os nove aminoácidos fundamentais ao
sustento do organismo e, como tem poucas calorias e
quase nenhuma gordura (nesse caso, esqueça a
manteiga!), é ideal para integrar dietas para
emagrecer. O rol de nutrientes do shitake inclui ainda
vitaminas E, B, C e D, cálcio, fósforo,
ferro, potássio e fibras.

ONDE
ENCONTRAR
Você
pode se deliciar com o shitake em uma série de
pratos servidos nos restaurantes do Shopping da Gávea.
Confira abaixo.
La
Pastasciutta
Anti pasto de shitake (100g)
Salada de shitake com
parmezon e rúcula
Shitakes grelhados com
abobrinhas em lâmina
e tomates em cubos ao
molho de manjericão
Sauté de cogumelos silvestres
com paglia e fenno. O prato
leva três tipos de cogumelo
com molho shoyu (foto)
Origami
Atum ao molho de gengibre
com nirá e shitake
Espetinho de shitake
Rolinho de shitake
(a mesma massa do rolinho
primavera, pode levar
molho doce, de acordo
com a vontade do cliente)
Em algumas entradas o cliente pode
incluir o shitake como ingrediente
LA
Pasta Gialla
Medalhão ao vinho tinto com
molho de shitake e papardele
ao molho de agrião
Salada de verdes com shitake,
bolinhas de queijo de cabra e bruschettinhas de tomate
ao molho de agrião
Bruschetta de funghi misto
(com vários cogumelos)

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