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PEÇA
ESTRELADA POR PEDRO CARDOSO MOSTRA UMA TRAMA VISTA DE
VÁRIOS ÂNGULOS, ONDE A VIOLÊNICA
URBANA É O FIO CONDUTOR
Por
Willed Silveira
Os
títulos são intrigantes, e quando se descobre
que por trás de Os Ignorantes está
o ator Pedro Cardoso e que o diretor Gus Van Sant responde
pelo filme Elefante as coisas ficam mais
intrigantes ainda. As duas obras guardam semelhanças,
apesar de serem totalmente diferentes. Calma. Vamos
aos fatos: os títulos não sugerem os temas
e todos saem se perguntando o porque do nome (você
descobrirá mais abaixo); abordam o mesmo fato;
a trama é vista em diversos ângulos
o que prende o espectador, pois a mesma cena se repete
com outro olhar; não têm caráter
político-social e intelectual; mostram partes
de um seguimento. Pronto, já dá pra traçar
um paralelo, mesmo que ficcional.
Partes
de um todo
Violência é mais um ítem do
cotidiano. Infelizmente. Gera polêmica, teses
de mestrado, discursos inflamados, filmes, espetáculos
e muito mais. É a partir desse tema que Pedro
Cardoso traça o texto do espetáculo Os
Ignorantes, onde também atua e dirige,
sob a supervisão de Amir Haddad. Violência
é também o enfoque de Elefante.
Nos dois casos, tal ponto de partida fica nas entrelinhas,
no desenrolar da história, para dar lugar ao
relato de que todos se encontram em completo estado
de ignorância.
Gus
Van Sant baseou-se na parábola budista sobre
um grupo de cegos examinando diferentes partes de um
elefante. Cada um afirma convictamente que compreende
a natureza do animal baseando-se somente na parte que
lhe chega ao tato. Ninguém vê ou sente
o objeto na sua totalidade, mas todos arriscam um palpite
totalizante, ignorando o resto. Segundo Pedro Cardoso,
Os Ignorantes é essencialmente um
divertimento para todos, tendo como assunto esta característica
de ignorarmo-nos a nós mesmos, e ainda, ignorarmos
que nos ignoramos.
Elefante
retrata o cotidiano de jovens numa escola americana
até um fim trágico. Os Ignorantes
narra uma tragédia decorrente de uma bala perdida.
Em ambos, o mesmo fato é descrito do ponto de
vista de cada um envolvido na trama, sempre no mesmo
espaço de tempo. Como se fossem flashes, as cenas
adquirem diferentes ângulos e ganham dimensões
por retratar algo que poderia acontecer na vida real.
Ignorar o todo e se ater a detalhes isolados talvez
seja a arma que o ser humano desenvolve para escapar
das mazelas, e assim, lavar as mãos em total
alienação.

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