Gávea
moda
moda
entrevista
gastronomia
teatro
ensaio
pela gavea
shopping
lan
artigos
a revista
contato
contato

 

 


Eduardo Souza Lima

ESPLENDOR BRASILEIRO

Allan Sieber podia estar berrando contra o dirigismo cultural ou fazendo propaganda de empresa de agiotagem, mas prefere chutar o traseiro de quem usa esse tipo de expediente – e também os de outros hipócritas e aproveitadores do gênero. Quem sonha em levar para casa o gim-tônica das crianças fazendo um trabalho honesto e sincero, sem ter que entrar na fila dos bajuladores da mídia, com certeza vai se identificar – e rir muito com a coletânea de quadrinhos “Preto no branco”, recém-lançada pela editora Conrad.

O humor de Allan é politicamente incorreto, anárquico, iconoclasta, mas nada alienado. E a sua vítima preferida é ele próprio. Como Harvey Pekar, de “American splendor”, o cartunista usa do seu traço sujo e tosco para narrar, sem dó nem autopiedade, as mazelas do seu dia-a-dia, seus fracassos, seus recalques. E também para recontar velhas piadas e mostrar que, passe o tempo que passar, certas coisas raramente mudam: o elefante é webdesigner e a formiguinha, diretora de videoclipes, mas o fim da história é o de sempre.

Gaúcho radicado no Rio, Allan atualmente publica um cartum mensal na revista “Sexy” e a tirinha “Vida de estagiário”, na “Folhateen”, da Folha de São Paulo. Mas o cartunista é mais conhecido – embora não tanto quanto devesse – por seu trabalho como animador, à frente da produtora Toscographics (www.toscographics.com.br). Seus três curtas em animação, “Deus é pai”, “Os idiotas mesmo” e “Por onde andará Petrúcio Felker?” foram premiados em festivais no Brasil e no exterior. O primeiro, chegou a virar série da MTV, mas foi retirado do ar por pressão da Igreja. Ele também trabalhou em filmes como “Houve uma vez dois verões” e “O homem que copiava”, de Jorge Furtado, e “Rio de Jano” (ah, o cabotinismo...). No momento, finaliza seus dois projetos mais ambiciosos: o desenho animado “Santa de casa”, inspirado num conto de Aldir Blanc; e o documentário “Pereio eu te odeio”, sobre o ator, que é seu velho chapa e colaborador. Em breve estará nas bancas também a revista “F.”, com histórias suas, de Arnaldo Branco – hoje, o mais inteligente humorista da internet, é só conferir no site www.gardenal.org/mauhumor – e de Leonardo, do jornal Extra, o melhor cartunista de imprensa diária carioca no momento.

Os quadrinhos da série “Preto no branco” também chegam à internet toda quinta-feira, bom, quase toda, no site www.tonto.com.br, do cartunista Fábio Zimbres, ex-editor da extinta revista “Animal”. O livro, lançado numa edição caprichada, custa em média R$ 24. Barato pode não ser, mas como diz o cineasta Jorge Furtado no seu posfácio: “Se você agüentar ficar de pé lendo numa livraria, talvez consiga ler o livro inteiro agora mesmo, sem pagar nada! O problema é que você vai perder a chance de mostrar o desenho pra alguém que vai achar engraçado, sabe como é, pode rolar...”.

Tudo bem, o cara pode ter exagerado um pouquinho. Mas um dia, quem sabe, o mundo inteiro não descobre o Allan e essa primeira edição não passa a valer uma nota preta?

P.S.: O Allan também tem o seu blog.
É http://talktohimselfshow.zip.net.

LEIA TAMBÉM:


Viagem, tecnologia, design e muito mais


Minha lista preferida de traumas infantis


O poder das palavras


A música pulsa no mundo

moda | comportamento | beleza| cidadania
teatro | ensaio | pela gávea | shopping | lan
artigos | a revista | contato | anunciantes
imprimir | topo