| |
DESDE
QUE O MUNDO É MUNDO, ELES TRABALHAM O DIA INTEIRO,
SE ESTRESSAM COM A SOBREVIVÊNCIA DA FAMÍLIA
E TÊM POUCO TEMPO PARA SE CUIDAR. MAS, REPARE,
O QUADRO ESTÁ MUDANDO...
Por
Simone Raitzik
Um
belo dia, as mulheres foram à luta: queimaram
sutiãs e partiram para a conquista do mercado
de trabalho de igual para igual. Pois bem, elas conseguiram
o que queriam. Disputam cada centímetro de poder
com os homens e se tornaram seres independentes, bem-sucedidos
e sexualmente liberados (genericamente falando, claro).
E agora? Eles querem a contrapartida. E estão
batalhando por isso: descobriram que há um maravilhoso
universo antes só explorado pelo público
feminino que está a seu alcance. Basta desbravá-lo.
Os
primeiros indícios já começam a
aparecer. Crescem de forma vertiginosa os lançamentos
no mercado de cosméticos voltados especificamente
para os homens. Marcas de luxo como Biotherm, Lancôme
e Carolina Herrera administram linhas masculinas com
grande sucesso. Recém-chegada, a badalada Zirh
se especializou em cuidar só deles e deixa claro
que "não é uma extensão de
um produto feminino. Tudo foi pesquisado e desenvolvido
especialmente para os homens, cuja pele apresenta três
vezes mais problemas de oleosidade do que a da mulher".
Eles
são vaidosos e há até um termo
moderninho para defini-los: metrossexual, lançado
por Mark Simpson em um artigo na www.salon.com e que
se espalhou em 2002. Quem são? Homens urbanos,
com forte senso estético, que gastam grande quantidade
de tempo e dinheiro com a aparência e o estilo
de vida. E se descrevem como sensíveis e românticos.
"É claro que essas definições
são sempre perigosas e amplas demais", diz
João Paulo Mendonça, músico de
42 anos, bem-casado, apaixonado, com um filho, Pedro
Lucas de 8 meses. "Mas acho que me encaixo em muitas
dessas características. Leio revistas como Details,
W, In Style e sei tudo do universo da moda e cosmética.
Sem preconceitos", brinca.
Suas
dicas são quentes. Ele garante que a avaliação
de qualquer marca de cosmético começa
pelo creme de barbear e a loção pós-barba.
"Quem sabe fazer o simples com eficiência
é forte candidato a acertar nos outros quesitos",
atesta, admitindo que se dá bem com o 212 da
Caroline Herrera e está adorando os produtos
da Zirh. Entre outros mandamentos para os iniciantes,
João Paulo conta que descobriu há muito
tempo que a vaidade assumida sem preconceitos faz um
bem danado. Para a aparência e para a auto-estima.
"Depilo sobrancelha, desbasto os pêlos no
peito e nas costas com uma escova que comprei em Bangkok
em 93. E adoro saber que tipo de roupa fica bem em mim;
aliás, adoro moda", conta, listando os ternos
de Paul Smith e as cuecas de Calvin Klein entre os favoritos.
"Aprendi a me olhar no espelho para corrigir a
postura e me acostumei a dar uma olhada geral... Recomendo
a prática".
"O
homem definitivamente descobriu o consultório
do dermatologista", confirma o especialista João
Paulo Niemeyer. "Antes eles vinham aqui só
para tratar de calvície, queda de cabelo ou acne.
E mesmo assim na cola da mulher. Agora vêm sozinhos,
por iniciativa própria, em busca de tratamentos
para prevenir rugas, como botox e ácidos. Querem
também saber qual é o hidratante bom para
a sua pele e o shampoo certo para o cabelo e couro cabeludo",
completa ele. Tanto interesse, segundo ele, vem sendo
estimulado pela mídia e também pelo simples
fato de que aparência é essencial para
o bem-estar e o sucesso profissional. "Elas, afinal,
estão cheias de gás e começaram
a se cuidar bem antes. Agora são eles que têm
que correr atrás", diz.
 |
 |
| Nélson
Silva, diretor comercial: Cuido de mim, da
cabeça e do físico, porque me faz
bem |
João
paulo mendonça, MÚSICO:vaidade
assumida sem preconceitos faz um bem danado |
Na
esteira do boom, começam a aparecer aqueles endereços
quentes - que vale a pena anotar no Palm. O Spazio dell´Uomo,
em pleno centro da cidade (2253-9966), é o que
o nome diz: um espaço voltado para tratamentos
de beleza do homem. "Eles não querem mais
usar os mesmos cremes das mulheres. Procuram o diferencial,
o específico", explica a dona do lugar,
Jacira Pitta, que há seis meses abriu as portas
para investir nesse nicho. E ela apresenta números
surpreendentes: "Pesquisas recentes constatam que
eles já representam 16% do mercado de cosméticos
no Brasil, o dobro do início dos anos 90",
declara para quem quiser ouvir.
Há
quem veja apenas uma vaidade exacerbada em tudo isso.
Não é bem assim. Muitos se cuidam em busca
de algo mais, ou seja, bem-estar e saúde. "Não
gosto de ser caracterizado como vaidoso. Cuido de mim,
da cabeça e do físico, porque me faz bem.
Não faço isso para impressionar ninguém,
o que seria uma atitude, aí sim, vaidosa",
conta Nélson Silva, diretor comercial da Vale
do Rio Doce, com tudo em cima do alto dos seus 48 anos.
"Viajo muito e tenho hábitos que me ajudam
a viver melhor e ter mais disposição para
o trabalho e para a minha família. Minha alimentação
é saudável e onde quer que eu esteja procuro
um hotel com academia de ginástica", resume
ele. Prático, mantém um visual clean com
o cabelo sempre curto, barba feita, mãos e unhas
sempre em dia. "Se não fosse isso, seria
difícil agüentar esse ritmo de vida".
Mais
relaxado, Marcelo Bijú, 35 anos, surfista e apresentador
de um programa cultural na rádio comunitária
do Vidigal, não se preocupa com rótulos.
Sabe apenas que há uma grande diferença
entre se cuidar e ser narcisista. "Eu faço
muita ginástica, tenho o mesmo corpo há
anos, uso protetor solar poderoso e hidratante. Mas
é só". E se pintarem cabelos brancos?
"Deixa aparecer. Saber envelhecer com charme e
dignidade é o melhor trunfo do homem. Afinal
de contas, só se apega em moda quem está
perdido. Porque estilo é para sempre", dá
o recado.

moda
| comportamento | beleza|
cidadania
teatro
| ensaio
| pela
gávea | shopping
| lan
artigos
| a revista
| contato
| anunciantes
imprimir
| topo
| |