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Alguns clubes, seus encontros e contatos

Veteran Car Clube do Brasil
Reuniões todo o segundo domingo do mês, das 9h às 15h. Local: Praça XV. Sede: Rua Darke de Matos, 230 / Loja A . (21) 3884-5877

Clube Carioca de Autos Antigos
Reuniões todo último domingo do mês, a partir das 14h. Local: Estacionamento do Freeway/Extra Av. das Américas, 2.000, Barra da Tijuca. Sede: Rua Pedro Teles, 595 - Casa 2. (21) 3017-0539

VW Clube RJ
Reuniões todo primeiro domingo do mês, a partir das 10h. Local: Pátio do supermercado Extra da Avenida Maracanã (antiga fábrica da Brahma).
(21) 2576-7045 (Leonardo Tanure)

 

CARROS ANTIGOS CONQUISTAM CADA VEZ MAIS ADEPTOS NO RIO, QUE NÃO MEDEM ESFORÇOS PARA TER O SEU "CARANGO" ORIGINAL DE FÁBRICA

Por Henrique Koifman :: Fotos Celso Pereira

Poucas coisas simbolizam tão bem e tão completamente o século XX quanto o automóvel. Emblema vistoso da industrialização, da produção em série e da evolução mecânica, ele é também um objeto de desejo comum a quase toda a civilização (fora da área de influência desse desejo, estariam apenas grupos isolados – ou, como diz aquela velha canção nordestina, lugares “sem rádio e sem notícia das terras civilizadas”). Por outro lado, poucas coisas se tornaram – e se tornam – tão rapidamente obsoletas no mercado quanto os modelos de automóveis. Desde os anos 1950, nesse segmento, o status da novidade não dura mais que uns meses e o da atualidade, uns três anos. Assim, o que era o máximo do arrojo, um bólido de linhas sensuais e tecnologia de ponta há cinco anos, hoje não passa de um carro qualquer e, daqui a mais alguns poucos anos, será classificado como “velho” e terá como destino, nesta ordem, alguns motoristas de baixa renda; os maus tratos mecânicos e o ferro-velho.

Esta história está bem melancólica, não é, leitor? Como Gávea não é revista para reflexões depressivas, o que nos leva a falar de carros antigos aqui é um pequeno mas charmoso desvio no destino das máquinas descartáveis de quatro rodas. Desvio que só se apresenta para poucas delas, justamente as mais interessantes. São os chamados modelos “clássicos”, que por suas características acabam colocando toda aquela conversa sobre linhas atualizadas e tecnologia na devida pasta da chatice e alcançando um tipo de status totalmente diferenciado. Principalmente depois que a maior parte de sua “safra” já foi devidamente reciclada. Assim, sem perder a pose depois de mais de 30 anos de asfalto, um pequeno conversível pode chamar muito mais atenção que em seus tempos de “linha”.


Mercury 1947

Esse é o caso, por exemplo, do Karmann-Ghia 1970 da cantora Danni Carlos. Fã confessa de antiguidades, Danni ganhou o carrinho de presente há alguns anos e não o troca por nenhum outro. Mais que isso, tempos depois, comprou outro veterano. “Gosto de tudo o que é antigo, móveis, roupas, etc.”, diz a cantora. “Tenho também uma Alfa Spider 1974 e, se puder, quero comprar um Fusca conversível, original de fábrica”, sonha ela. A expressão “original de fábrica”, aliás, é definidora do valor desses carangos. O Karmann-Ghia de Danni, por exemplo, é um dos poucos da série numerada de conversíveis fabricados pela Volkswagen no Brasil e, por isso mesmo, raro e valorizado.


Estevão Ciavatta

Para manter essa fidelidade às características originais dos modelos, os aficionados não medem esforços ou despesas. Muitas vezes, compram um carro que, ao longo dos anos, sofreu modificações e investem tempo e dinheiro para recolocá-lo nos mesmos padrões que tinha quando era novo. Uma operação que exige também muita paciência e dedicação – já que as peças para essas máquinas são difíceis de obter. Um mecânico caprichoso e igualmente paciente, para tanto, é também fundamental. “Meus carros acabam passando um tempo grande na oficina”, confessa Danni Carlos. Ela diz, no entanto, que tudo isso vale a pena pelo prazer de ter e dirigir os modelinhos. “Além disso, não são carros caros, que despertem a atenção de ladrões”, completa.


La Sale 1939

Essa vantagem – tranqüilizadora nesses nossos bicudos tempos – é uma das coisas que atraíram o diretor e fotógrafo de cinema Estevão Ciavatta para o volante de seu charmoso Gordini 1965 – carrinho fabricado no Brasil na década de 1960. “Encontrei o carro em Itaguaí, no interior do Estado do Rio”, relembra. “Estava todo engatilhado, o tanque de gasolina era uma garrafa de desinfetante de dois litros. Agora, depois de dois anos de trato, ele está quase perfeito”, orgulha-se. Estevão reconstruiu o carrinho aos poucos com a ajuda de Nélson Cintra, mecânico especializado em carros antigos europeus e também proprietário de um Gordini. O diretor usa sua raridade diariamente para ir trabalhar e diz que adora a mudança de ritmo que ele proporciona. “Você dirige com as janelas abertas, conversa com as pessoas nas ruas, é a maior curtição. Jamais teria o carro se não fosse para usar”, afirma. Sua única queixa em relação ao carrinho diz respeito ao conforto: é um pouco duro e apertado. Deficiências que fazem com que seu dono sonhe com outra aquisição. “Gostaria de comprar um Cadillac da década de 1950”, revela.


Mercedes Benz 1967

A paixão pelos carros antigos gerou até um termo para designar seus adeptos: são os antigomobilistas. Reunidos em clubes, eles promovem reuniões periódicas, trocam informações, peças e participam de passeios com suas jóias a gasolina. No Rio, há algumas dessas agremiações. As duas maiores e mais conhecidas são o Veteran Car Club (fundado em 1968) e o Clube Carioca de Carros Antigos. Fazem parte desses grupos, proprietários de modelos com mais de 30 anos – ou simplesmente admiradores dessas máquinas. Para quem está pensando em comprar um desses carangos, aliás, a melhor pedida é passar a freqüentar as reuniões de um dos clubes – além desses, há outros, dedicados a marcas e modelos específicos, como o VW Clube, o Clube do Opala e do MP Lafer (réplica do MG inglês fabricada no Brasil nos anos 1970/80), entre outros. Uma navegada na internet, com visita aos sites desses clubes, é um ótimo começo.


Danni Carlos: tudo pelo prazer de dirigir carros antigos

Outra dica para quem quer se iniciar no antigomobilismo sem gastar muito é optar por um modelo nacional que tenha sido fabricado por um bom período – como um Opala, um Fusca (ou outros VW), Jeep Willys, etc. Desse modo, será mais fácil e mais barato obter peças para deixá-lo e mantê-lo em forma. Modelos importados geralmente exigem considerável fôlego financeiro e oferecem maior dificuldade de restauração e manutenção. A exceção fica com modelos como os da linha Mercedes, para os quais há quase todas as peças – que podem ser importadas dos EUA ou da própria Alemanha. O custo neste caso, no entanto, não é dos mais convidativos.

No mais, para curtir o que um modelo clássico desses tem de melhor, basta mantê-lo brilhando e aproveitar as tardes ensolaradas cariocas em longos passeios pela cidade. Sem pressa, sem neuras e com muito charme. Como nos bons tempos.

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