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Estava
uma tempestade quando saí de casa rumo ao Orquidário
do Jardim Botânico. Freqüento pouco o parque
e confesso que nunca tinha estado no orquidário,
nem sabia onde ficava. Tentei a entrada pela Gávea,
mas logo fui informada de que o local ficava do outro
lado, que eu tinha de passar pela Rua Jardim Botânico,
virar para pegar a Lopes Quintas, Pacheco Leão
e encontrar a outra entrada atrás do parque.
Depois de algum trânsito e da chuva estiar, achei
a entrada e perguntei pelo orquidário. O segurança,
muito simpático, me disse para estacionar ao
lado e ir andando, que ficava mais à frente.
Apesar
do clima cinzento, a estrutura de ferro octogonal é
realmente bonita e chama a atenção no
meio de todo verde à volta. O espaço interno
é conservado e as orquídeas, por toda
a parte, deixavam o ambiente muito aconchegante. Crianças
americanas passeavam por lá com seus pais, e
um casal mineiro procurava sementes ou mudas de plantas
para sua fazenda. O Jardim Botânico não
vende sementes, mas pode fazer uma doação
para sua fazenda. O melhor a fazer é entrar no
site www.jbrj.gov.br e se informar sobre os procedimentos,
explicou a bióloga Marta Moraes, que cuida do
orquidário desde 1996, mas trabalha no Jardim
Botânico desde 1981. Ela explica ainda que o principal
papel da instituição é o de ser
um depositário de plantas, para que estas possam
ser trabalhadas, estudadas e catalogadas.
Parceria
que deu certo
O Orquidário do Jardim Botânico
funciona a pleno vapor desde 1997, ano em que uma notícia
de jornal atraiu a atenção do designer
de jóias Antonio Bernardo: o parque buscava parcerias
através da campanha Adote um jardim e entre
para a História. Em 24 horas ele assinou
a adoção do Orquidário e o mantém
até os dias de hoje. Sua paixão pelas
orquídeas começou quando uma amiga o presenteou
no nascimento de sua primeira filha. Ao final da floração
ele decidiu cuidar da planta e um ano depois viu novas
flores se abrindo.

Existe
o mito de que as orquídeas são difíceis,
delicadas e complexas. Mas minha amiga disse que os
cuidados eram simples e que precisava não só
regá-la como também observá-la.
Freqüentador do Jardim Botânico, bairro onde
também morava e tinha seu atelier, Antonio Bernardo
se sentia atraído pelo local. Adotar o
orquidário era uma forma de estar recuperando
uma incrível coleção de orquídeas
e de, ao mesmo tempo, estar me relacionando com a comunidade
local.
Antes
da adoção, o Orquidário estava
fechado e muito destruído. Marta lembra-se dessa
época: Essa estrutura de ferro estava bastante
enferrujada, os vidros caíam e a coleção
mesmo ficava aqui atrás, sem acesso aos visitantes.

O
orquidário do Jardim Botânico funciona
desde 1997
Algumas
tentativas para a reabertura do espaço aconteceram.
Em 1992, durante a ECO-92, e em 1995, durante uma grande
exposição internacional de orquídeas
que aconteceu no MAM. Infelizmente, todas elas sem sucesso.
A
época em que o designer de jóias resolveu
adotar o local coincidiu, felizmente, com a de uma doação
que o Ministério do Meio Ambiente fez para reformar
a estrutura octogonal e todo seu espaço interior.
A partir daí, o orquidário se firmou e
recebe hoje em dia, junto com o Jardim Botânico,
mais de mil visitantes por fim-de-semana.
Exposições
atraem visitantes
Mas esse número dobra ou às
vezes triplica em maio e setembro, meses em que acontecem,
anualmente, duas grandes exposições de
orquídeas. Em conjunto com a Associação
de Orquidofilia do Rio de Janeiro, a Orquida Rio, o
orquidário do Jardim Botânico organiza
e congrega cerca de dez expositores de todo o Brasil,
para que possam mostrar suas coleções.
Também são montados estandes para a venda
das plantas. Vem muita gente, em geral pessoas
que têm um olhar interessante, acostumadas a ver
as plantas bonitas que temos aqui. Muitas pessoas gostam
de comprar, mas nós aqui não vendemos,
ressalta a bióloga Marta.

A
estrutura de ferro octogonal chama a atenção
Paisagista
e ex-presidente do Clube dos Decoradores do Rio de Janeiro,
Yedda Leite Rodrigues é fã das exposições
e uma apaixonada pelas plantas. São flores
realmente belas. Apesar de consideradas frágeis
e de difícil cultivo, elas não exigem
muito mais cuidados do que as demais plantas. Mas necessitam
sim de condições ambientais apropriadas
para cada espécie.
As
orquídeas são encontradas praticamente
em todas as partes do mundo, com exceção
das regiões polares e na água. Nos Andes,
a mais de cinco mil metros de altitude, sob as rochas,
nas florestas tropicais e temperadas, em terrenos pantanosos,
no cerrado, sob o sol direto, enfim, quase sempre podemos
encontrar uma de suas numerosas variedades. Uma dúvida
recorrente é a de que orquídeas são
parasitas por fixarem-se em árvores. Mas não
é verdade, como nos explica a simpática
Yedda: A orquídea só precisa da
árvore para fixar suas raízes, como um
ponto de apoio. Ela tira sua alimentação
do ar, do sol (com a fotossíntese) e dos sais
minerais da chuva. Parasita é quando uma planta
se agarra na árvore e suga sua seiva. Dependendo,
pode até matá-la.
Para
Antonio Bernardo, as orquídeas influenciam até
mesmo em seu trabalho: Estar em contato com a
natureza é sempre uma inspiração.
Eu gosto dos formatos extravagantes, exóticos
e diferentes das orquídeas, mas não vejo
isso no sentido de reproduzir, e sim de estimular minha
criação, conclui o designer.
O
Jardim Botânico está aberto aos visitantes
de segunda a domingo, das oito da manhã às
cinco da tarde, durante todos os dias do ano (exceto
nos dias 25 de dezembro e 1º de janeiro).

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