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CUIDADOS PARA SUA ORQUÍDEA FLORESCER TODO ANO

Luz - Elas gostam de muita luz, mas não de sol direto.
Água - As orquídeas devem ser molhadas abundantemente, mas devem secar inteiramente antes de serem molhadas novamente (não coloque prato com água debaixo do vaso).
Adubo - Podem ser pulverizados adubos foliares ou depositados farelos de mamona sobre o substrato.

O Orquidário se coloca à disposição para solucionar eventuais problemas com suas plantas ou simplesmente para orientação quanto ao plantio.

 

 

ADOTADO PELO DESIGNER DE JÓIAS ANTONIO BERNARDO, O ORQUIDÁRIO DO JARDIM BOTÂNICO RESISTE BRAVAMENTE AO PASSAR DO TEMPO

Por Bianca Jhordão

 

 

Estava uma tempestade quando saí de casa rumo ao Orquidário do Jardim Botânico. Freqüento pouco o parque e confesso que nunca tinha estado no orquidário, nem sabia onde ficava. Tentei a entrada pela Gávea, mas logo fui informada de que o local ficava do outro lado, que eu tinha de passar pela Rua Jardim Botânico, virar para pegar a Lopes Quintas, Pacheco Leão e encontrar a outra entrada atrás do parque. Depois de algum trânsito e da chuva estiar, achei a entrada e perguntei pelo orquidário. O segurança, muito simpático, me disse para estacionar ao lado e ir andando, que ficava mais à frente.

Apesar do clima cinzento, a estrutura de ferro octogonal é realmente bonita e chama a atenção no meio de todo verde à volta. O espaço interno é conservado e as orquídeas, por toda a parte, deixavam o ambiente muito aconchegante. Crianças americanas passeavam por lá com seus pais, e um casal mineiro procurava sementes ou mudas de plantas para sua fazenda. “O Jardim Botânico não vende sementes, mas pode fazer uma doação para sua fazenda. O melhor a fazer é entrar no site www.jbrj.gov.br e se informar sobre os procedimentos”, explicou a bióloga Marta Moraes, que cuida do orquidário desde 1996, mas trabalha no Jardim Botânico desde 1981. Ela explica ainda que o principal papel da instituição é o de ser um depositário de plantas, para que estas possam ser trabalhadas, estudadas e catalogadas.

Parceria que deu certo
O Orquidário do Jardim Botânico funciona a pleno vapor desde 1997, ano em que uma notícia de jornal atraiu a atenção do designer de jóias Antonio Bernardo: o parque buscava parcerias através da campanha “Adote um jardim e entre para a História”. Em 24 horas ele assinou a adoção do Orquidário e o mantém até os dias de hoje. Sua paixão pelas orquídeas começou quando uma amiga o presenteou no nascimento de sua primeira filha. Ao final da floração ele decidiu cuidar da planta e um ano depois viu novas flores se abrindo.

“Existe o mito de que as orquídeas são difíceis, delicadas e complexas. Mas minha amiga disse que os cuidados eram simples e que precisava não só regá-la como também observá-la”. Freqüentador do Jardim Botânico, bairro onde também morava e tinha seu atelier, Antonio Bernardo se sentia atraído pelo local. “Adotar o orquidário era uma forma de estar recuperando uma incrível coleção de orquídeas e de, ao mesmo tempo, estar me relacionando com a comunidade local”.

Antes da adoção, o Orquidário estava fechado e muito destruído. Marta lembra-se dessa época: “Essa estrutura de ferro estava bastante enferrujada, os vidros caíam e a coleção mesmo ficava aqui atrás, sem acesso aos visitantes”.


O orquidário do Jardim Botânico funciona desde 1997

Algumas tentativas para a reabertura do espaço aconteceram. Em 1992, durante a ECO-92, e em 1995, durante uma grande exposição internacional de orquídeas que aconteceu no MAM. Infelizmente, todas elas sem sucesso.

A época em que o designer de jóias resolveu adotar o local coincidiu, felizmente, com a de uma doação que o Ministério do Meio Ambiente fez para reformar a estrutura octogonal e todo seu espaço interior. A partir daí, o orquidário se firmou e recebe hoje em dia, junto com o Jardim Botânico, mais de mil visitantes por fim-de-semana.

Exposições atraem visitantes
Mas esse número dobra ou às vezes triplica em maio e setembro, meses em que acontecem, anualmente, duas grandes exposições de orquídeas. Em conjunto com a Associação de Orquidofilia do Rio de Janeiro, a Orquida Rio, o orquidário do Jardim Botânico organiza e congrega cerca de dez expositores de todo o Brasil, para que possam mostrar suas coleções. Também são montados estandes para a venda das plantas. “Vem muita gente, em geral pessoas que têm um olhar interessante, acostumadas a ver as plantas bonitas que temos aqui. Muitas pessoas gostam de comprar, mas nós aqui não vendemos”, ressalta a bióloga Marta.


A estrutura de ferro octogonal chama a atenção

Paisagista e ex-presidente do Clube dos Decoradores do Rio de Janeiro, Yedda Leite Rodrigues é fã das exposições e uma apaixonada pelas plantas. “São flores realmente belas. Apesar de consideradas frágeis e de difícil cultivo, elas não exigem muito mais cuidados do que as demais plantas. Mas necessitam sim de condições ambientais apropriadas para cada espécie”.

As orquídeas são encontradas praticamente em todas as partes do mundo, com exceção das regiões polares e na água. Nos Andes, a mais de cinco mil metros de altitude, sob as rochas, nas florestas tropicais e temperadas, em terrenos pantanosos, no cerrado, sob o sol direto, enfim, quase sempre podemos encontrar uma de suas numerosas variedades. Uma dúvida recorrente é a de que orquídeas são parasitas por fixarem-se em árvores. Mas não é verdade, como nos explica a simpática Yedda: “A orquídea só precisa da árvore para fixar suas raízes, como um ponto de apoio. Ela tira sua alimentação do ar, do sol (com a fotossíntese) e dos sais minerais da chuva. Parasita é quando uma planta se agarra na árvore e suga sua seiva. Dependendo, pode até matá-la”.

Para Antonio Bernardo, as orquídeas influenciam até mesmo em seu trabalho: “Estar em contato com a natureza é sempre uma inspiração. Eu gosto dos formatos extravagantes, exóticos e diferentes das orquídeas, mas não vejo isso no sentido de reproduzir, e sim de estimular minha criação”, conclui o designer.

O Jardim Botânico está aberto aos visitantes de segunda a domingo, das oito da manhã às cinco da tarde, durante todos os dias do ano (exceto nos dias 25 de dezembro e 1º de janeiro).

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