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NEM SÓ DE ESTRELAS VIVE O PLANETÁRIO DA GÁVEA, O MAIOR E MAIS MODERNO DO BRASIL

 

 

A primeira vez, ainda na antiga cúpula, foi com a excursão de meu colégio. Sentei numa confortável cadeira e o céu nunca mais foi o mesmo. Observar o céu é uma tarefa quase impossível nas cidades, a poluição luminosa e a correria são tantas, que até nos esquecemos que o céu está ali, de graça para quem quiser apreciar. Lembrei-me do filme de Akira Kurosawa, “Sonhos”, quando na história do povoado dos moinhos, o viajante pergunta para um senhor na beira do riacho por que não havia eletricidade na aldeia. “Por que a noite deveria ser clara como o dia? Eu não gostaria de não conseguir ver as estrelas à noite”, ensinou o sábio e simpático velhinho.

Com a chegada do homem à Lua, a astronomia começou a despertar mais atenção no grande público. Acompanhando essa “nova era”, o Brasil fez um acordo de troca de café com países do leste europeu e foi contemplado com seis equipamentos de projeção, sendo que um deles veio para o Rio de Janeiro. Com um moderno projeto arquitetônico de Ricardo e Renato Menescal, o Planetário da Gávea foi inaugurado em 1970, com a finalidade de difundir a astronomia e logo se tornou uma referência na cidade.

“Com o passar dos tempos, percebemos que o planetário já estava pequeno, ele já não atendia aos anseios, à demanda, ao número de escolas, público, sessões de fim-de-semana, sempre muito lotadas. Nós começamos a trabalhar com o objetivo de dotar a cidade com um novo planetário”, explica o diretor de astronomia Órmis Rossi, que faz parte da instituição desde 1973.

A paixão pela astronomia acompanha Rossi desde criança quando, ainda no interior do Espírito Santo, ficava fascinado pelo céu. “Larguei tudo o que fazia e vim fazer astronomia na UFRJ, a única especializada no Brasil”. No terceiro ano foi convidado por um professor para ser assistente da instituição e, ao lado de colegas, lutou e conseguiu que a profissão de astrônomo fosse reconhecida pelo município.

Planetário de Vanguarda
Mas a Fundação Planetário foi instituída somente no ano de 1992, com a criação de uma diretoria de astronomia e Rossi ficou encarregado de toda a programação didático-científica. “Nós estamos participando sempre dos grandes congressos mundiais de planetários e atualizados com as novas tendências. Procuramos trazer para o Rio de Janeiro o que de mais moderno está acontecendo lá fora. Por isso, somos um planetário de vanguarda no Brasil”.

Em setembro de 1998, a prefeitura do Rio investiu cerca de R$ 22 milhões para a construção do Espaço Museu do Universo, inaugurando o novo projetor, modelo Universarium VIII, em uma cúpula com capacidade para 277 pessoas. Em seu primeiro ano, o museu recebeu um público estimado de 350 mil pessoas. Para manter a coerência do desenho, os mesmos arquitetos da primeira etapa foram convidados, realizando um trabalho belíssimo.

A primeira fase do Projeto Museu do Universo – Experimentos Interativos já é uma realidade. A “Nave-Escola” é uma espécie de nave espacial na qual os visitantes interagem com diversos experimentos que dizem respeito ao conhecimento do sistema solar, da cosmologia, da pesquisa espacial e das condições astronômicas para o surgimento da vida no Universo. A princípio, o atendimento será dado somente às escolas. Fui visitar a “Nave”, mas não consegui “brincar” com os experimentos porque muitas crianças estavam lá, maravilhadas. Além do impacto visual provocado pela concepção arrojada, o projeto arquitetônico buscou aliar o aspecto lúdico ao processo educativo e temos realmente a sensação de estar participando de um filme de ficção-científica. Quando abrir ao público, valerá a pena ir lá.

Para o início de 2005, está planejada a implantação de outras áreas que farão parte do projeto. São elas: “A Terra e Seus Movimentos - Espaço e Tempo” (16 experimentos), “Astronomia Estelar” (10 experimentos) e “A Entrada do Museu” (4 experimentos).

O objetivo da Fundação Planetário é tornar-se um centro de ciências, e assim, difundir, popularizar e complementar o ensino formal da astronomia e das ciências afins, além de pôr ao alcance da população um espaço para conscientizá-la da importância do conhecimento científico com foco na astronomia.

Além das projeções, o planetário oferece, gratuitamente, às terças, quartas e quintas – ao anoitecer - a observação ao telescópio, que conta com quatro modernos instrumentos com alta capacidade de resolução. A procura do público é grande, principalmente nas noites de Lua em quarto crescente, quando dois ou três planetas se encontram no mesmo quadrante e, obviamente, durante os eclipses.

Também fazem parte uma ampla biblioteca, sala de cinema onde são exibidos pequenos documentários, colônias de férias para as crianças, cursos de iniciação científica e, aos domingos, na cúpula, acontece o evento “Música nas Estrelas”, com distribuição gratuita de senhas aos primeiros que chegarem. O cenário para o fundo musical de artistas como Wagner Tiso, Naná Vasconcellos e o pianista Arthur Moreira Lima, entre outros, é um céu estrelado com efeitos especiais. E não podemos deixar de falar no teatro Maria Clara Machado, gerido pela Rede de Teatros da Prefeitura e no superbadalado Restaurante 00. Tudo isso no complexo do Planetário.

O que é um planetário?
Planetário é um projetor de tecnologias sofisticadas, capaz de reproduzir o céu com milhares de estrelas, numa cúpula hemisférica. As sessões de cúpula são realizadas graças a um planetário de última geração, auxiliado por dezenas de equipamentos periféricos, que simula fielmente imagens em movimento de um céu semelhante ao que podemos observar durante uma noite clara, em local completamente livre da poluição, nos explica um dos folhetos distribuídos. Mas como funciona? O diretor de astronomia da Fundação, Órmis Rossi, completa: “O instrumento possui duas grandes esferas: uma equivalente ao Hemisfério Norte e a outra responsável pela projeção do Hemisfério Sul. E nessa grande esfera, várias lentes com um bordado especial do arranjo estrelar e uma lâmpada de grande intensidade. São várias lentes num hemisfério, e para cada estrelinha vai uma fibra ótica, então você não perde nada da luz. A luz sai, passa através da fibra ótica na estrelinha da lente e joga um ponto na tela. É uma tecnologia muito especial porque você consegue produzir a imagem como se de fato estivesse vendo a estrela, um ponto luminoso”.

Ainda existem pouquíssimos planetários no Brasil. Nem todo governo tem condições de investir porque é uma estrutura cara. No Japão, somente na cidade de Tóquio, existem mais de 50 Planetários, contra 23 em todo o Brasil.

E o nosso Planetário da Gávea tem muitos planos pela frente. “Estamos negociando para trazer o Imax para o Rio de Janeiro. O cinema seria numa outra construção civil, já que a tela cilíndrica equivale a sete andares de altura. Os assentos também ficam numa estrutura inclinada e, com essa tela, você se sente parte da projeção”, finaliza o astrônomo Rossi, que se despede de sua segunda gestão à frente da Associação Brasileira de Planetários, que a partir de 2005 fica a cargo de outro astrônomo da Gávea, Fernando Vieira. Estaremos na torcida!

Principais atividades

Sessões de Planetário - As sessões de planetário são a principal atração da Fundação Planetário e destinam-se aos estudantes e ao público em geral. Diferenciam-se por faixas etárias e níveis de escolaridade, no caso do atendimento às escolas. Após as sessões escolares, com duração aproximada de 40 minutos, há um debate sobre o tema abordado, conduzido por um astrônomo.

Cursos - Os cursos são voltados para o público leigo interessado em astronomia. Têm, em geral, uma semana de duração. São eles: Identificação do céu, Nascimento, vida e morte das estrelas, História do calendário, Sistema solar, Teoria da relatividade: faça você mesmo, Introdução à cosmologia, Nossa estrela - o Sol, Brincando e aprendendo astronomia, Astronomia prática, Falando de física e História da astronomia.

Exposições - A Fundação Planetário apresenta exposições sobre temas científicos e culturais.

Observação ao Telescópio Noturna e Solar - O público tem oportunidade de observar os astros ao telescópio, à noite, sob a orientação de astrônomos. Durante o dia, há uma sala específica para a observação do Sol. Através de um celostato, o público pode observá-lo em “luz branca” e H-a.

Oficina - Em uma sala com capacidade para 30 pessoas, os estudantes e os professores são atendidos em duas atividades distintas. Na Iniciação Científica os estudantes são estimulados a montar experimentos e a construir instrumentos astronômicos simples, tais como telescópio, relógio de sol, etc. A outra atividade desenvolvida neste espaço é o curso de Atualização de professores, onde além de obterem informações sobre astronomia, aprendem a construir modelos e a montar experimentos para serem usados em sala de aula.

Teatro - O teatro do Planetário pertence à Rede Municipal de Teatros e apresenta espetáculos diversificados para os públicos infantil e adulto. Além disso, desenvolve cursos e workshops.

Seminários - Os seminários do Planetário vêm atraindo um grande público ávido por informações e debates acerca de seu tempo.

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