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CADA
VEZ MAIS O COMÉRCIO INVESTE NA ARQUITETURA E
DECORAÇÃO DE LOJAS E RESTAURANTES, TRANSFORMANDO
O VISUAL DESSES ESPAÇOS EM GRANDES ALIADOS AO
MARKETING E À IMAGEM DA EMPRESA
Por
Simone Raitzik
Entrar
na Donna Karan em Londres ou Nova York não é
apenas vislumbrar a nova coleção de roupas
e acessórios da grife de alto luxo. Praticamente
um museu para os amantes da arquitetura de impacto em
espaços comerciais, o ambiente é todo
feito para impressionar. Vale reparar em cada detalhe:
o piso, o contraste de materiais, o desenho do mobiliário,
a iluminação, os vestidos pretos sobrepostos
à parede da mesma cor... Enfim, o ato de estar
ali representa um afago na auto-estima do cliente já
que, afinal, tudo foi feito para encantá-lo e
enfeitiçá-lo. Essa sensação
tão prazerosa se tornou um forte aliado ao marketing
de bem-sucedidos projetos de lojas e restaurantes no
mundo inteiro, que buscam não apenas oferecer
um produto de altíssima qualidade, mas uma embalagem
à altura.
Projetos
bacanas são aqueles que estão de acordo
com o produto e com o público-alvo. Lojas de
grife têm que ser espaços que vendem design,
luxo e elegância nos mínimos detalhes.
E, acima de tudo, emoção. Você não
compra apenas a assinatura, mas tudo o que está
em volta e o que ela representa, explica a arquiteta
Bel Lobo que, junto com Bob Néri, assina um dos
escritórios mais badalados e ativos quando o
tema é a decoração comercial. Mesmo
segmentos não tão sofisticados devem pensar
o espaço com identidade e personalidade, porque
esse diferencial ajuda muito a cativar o cliente,
reflete ela, responsável pelos projetos da Alfaias,
Farm, Richard´s, Eliza Conde, Totem Kids, Santo
Sossego isso só para falar de algumas
do Shopping da Gávea.

Maria
Bonita
Pode
parecer impressionante uma mesma dupla ser autora de
tantos ambientes diferentes e marcantes, mas Bel sabe
que sua principal qualidade é o ecletismo. Vou
do clean ao barroco sem problemas. Consigo gostar de
tudo, diz. As referências são muitas:
quadrinhos, filmes, artes plásticas, paisagens,
viagens, sonhos e livros. Fui assistir a Moça
com brinco de pérola e tive a inspiração
de fazer um vitral branco, meio transparente, em um
novo projeto de restaurante, conta. O principal
é que cada espaço tenha personalidade
e uma identidade forte, apesar de vários materiais
se repetirem em muitos projetos. Esse é o caso
do piso de cimento barato e bacana,
afirma Bob , e dos tijolos, madeira, mármores
e aço. Dá para brincar muito com
essas matérias-primas. O resto vem das bossas,
dos detalhes e principalmente da iluminação,
resume ele.

Alfaias
Iluminação
é a palavra-chave para muitos arquitetos que
trabalham com projetos comerciais. Carolina Wambier,
da Laclau&Wambier, que assina a Mimi e a Sardinha,
sabe que pontuar as mercadorias com focos de luz é
importantíssimo para valorizar os produtos. Já
nos restaurantes, é preciso clarear a mesa e
não as pessoas, para que não se sintam
incomodadas, ressalta. O grande erro em muitos
espaços, segundo ela, acontece na especificação
de materiais, já que o que funciona bem em uma
casa nem sempre é apropriado em locais de alto
tráfego. É horrível ver que
em seis meses a loja ou restaurante já precisa
urgente de manutenção. Isso é sinal
de que as escolhas não foram corretas,
condena. Outro problema é fazer projetos
datados, com prazo de validade muito curto. O comerciante
não tem como bancar essas mudanças,
pondera. No caso da loja infantil Mimi e a Sardinha,
as casinhas dos balneários do sul da França
foram recriadas em armários-estantes, que expõem
as roupinhas com eficiência e bom gosto.

Farm
Datados
ou não, alguns projetos acabam necessitando de
uma renovação depois de alguns anos
seja em função de desgaste ou para renovar
o conceito da marca. Esse foi o caso da Richard´s
que, ao completar 30 anos, passou por um processo de
lifting, que incluiu uma boa mudança no visual
das lojas, tornando-as mais claras e arejadas. Na Maria
Bonita Extra, a história foi parecida. O arquiteto
Ronaldo Saraiva foi chamado para repensar a concepção
das lojas, já que buscavam um upgrade e mais
sofisticação. A idéia era
manter nas instalações o mesmo conceito
da roupa, que é de um design seco e clean, aliado
à modernidade e extrema qualidade, define
ele. O resultado veio rápido: as vendas aumentaram
sensivelmente. O consumidor adora acompanhar esse
processo. Ele se sente, de certa forma, mais moderno
e antenado, reflete Ronaldo, que fez também
a Eliane Muller, especializada em roupas de couro. A
idéia ali era passar uma sobriedade chique. O
espaço é basicamente feito de mármore
travertino e madeira. Outro fator importante foi
o projeto fazer com que o espaço de 22m2 crescesse.
Esse geralmente é um dos maiores desafios,
resume.

Eliane
Muller

Rosa
Kochen
A
exposição dos produtos é também
uma questão bastante presente (e polêmica)
em projetos comerciais. Cabe ao arquiteto entender exatamente
o que o cliente quer vender e, assim, propor uma arrumação
mais eficiente e segmentada. O arquiteto Pedro Paranaguá
teve essa preocupação em mente, na recente
reforma da Rosa Kochen, que vende pequenos objetos decorativos
com cores das mais diversas. O principal ali era
organizar o que seria exposto e criar uma base branca,
que facilitasse a visualização das peças,
explica ele. Nas estantes, brincamos com alturas,
larguras e profundidades, montando um mosaico que possibilita
agrupar pequenas coleções. No fundo da
loja, usamos Barrisol, uma lona emborrachada estendida
e iluminada por trás, que é um diferencial
bacana.
Para
Pedro, a grande tendência nesse universo mais
comercial, onde o branco e o minimalismo predominam,
é criar pequenos cantos mais quentes e acolhedores.
Foi isso que ele fez no recente projeto da Osklen na
rua Oscar Freire, nos Jardins (São Paulo), onde
projetou uma cabine vip com carinha de casa, cheia de
conforto para o cliente se esparramar. Em outra loja,
a Rabo de Saia, na Barra, fez um ambiente com poltronas,
cômoda e espelho. Ás vezes, dá
para ser mais aconchegante e menos funcional,
reflete ele. É isso que vejo também
na nova Richard´s, elogia.
Toda
essa sensação de aconchego e
se sentir em casa é recorrente quando
os arquitetos se referem ao espaço do Shopping
da Gávea. É claro que ali não tem
o pé direito duplo do Rio Design da Barra, ou
a iluminação de uma loja de rua, mas existe
uma familiaridade e um mix elogiado por todos. É
o ponto mais simpático do Rio, decreta
Paranaguá. Tem de tudo e, melhor de tudo,
gente bonita, que mora por ali e freqüenta o espaço,
arremata ele. Bel Lobo, habituê, completa: O
ambiente é relax, tem comidinhas gostosas, cafés
e aquele astral de shopping de bairro. Sem dúvida,
é a minha praia, resume.

Mimi
e a Sardinha
leia
também:
Shopping da Gávea
em plena fase de crescimento

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