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Eduardo Souza Lima
CHINEMA
A
distância entre O clã das adagas
voadoras e Herói e Kill
Bill é a mesma que separa o filme de Tarantino
das velhas fitas de Bruce Lee. Depois de assistir aos
dois filmes de Zhang Yimou é difícil não
imaginar que Hollywood está com os seus dias
contados. E considerar Matrix e congêneres
pré-históricos.
A
China percebeu - como os Estados Unidos haviam percebido
tão logo o cinema foi inventado - que para conquistar
a hegemonia mundial, não basta ter dinheiro,
é preciso ter hegemonia cultural também.
Notou que os seus eternos rivais, os japoneses, haviam
saído na frente, com seus desenhos animados e
histórias em quadrinhos, e partiram para o ataque.
O
primeiro golpe foi O Tigre e o Dragão,
sucesso de bilheteria em todo o mundo e indicado ao
Oscar de filme em língua não inglesa.
Um amigo crítico de cinema que o viu no Festival
de Cannes ficou maravilhado. Era um neófito em
filmes de artes marciais e lhe sugeri que assistisse
à sessão da TV Bandeirantes dedicada ao
gênero. Os chineses sempre foram os melhores do
riscado, só que ainda não tinham ganhado
respeito. Para isso, bastou que um diretor de renome
- no caso Ang Lee - se arriscasse no gênero para
que isso acontecesse.
Zhang
Yimou é outro velho conhecido do Ocidente. Mas
seus filmes estavam restritos ao público do cinema
de arte com seus dramas intimistas e sociais - Lanternas
vermelhas, Amor e sedução
etc. Tinha prestígio, mas não as massas.
Ninguém melhor do que ele para dar respeito ao
cinema chinês e, ao mesmo tempo, transformá-lo
no fenômeno em escala planetária.

Goste-se
ou não deles, Herói estreou
em primeiro lugar nas bilheterias e foi candidato ao
Oscar de filme em língua não inglesa e
O clã das adagas voadoras vem deixando
meio mundo boquiaberto. Eles têm cinco mil anos
de histórias para contar; bons atores que, além
de representar, são dançarinos e acrobatas;
tecnologia de ponta; bom gosto; mão-de-obra abundante
e barata; e um mercado interno capaz de sustentar qualquer
indústria. Os chineses não estão
de brincadeira. Prepare-se: para o bem ou para o mal,
eles vieram para ficar.

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