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Ian Mecler
A
TERRA PROMETIDA
O
cabalista lê a Bíblia de uma maneira diferente.
Ele sabe que este é um livro divino, codificado,
e que lembra histórias que são sempre
atuais para a humanidade. Uma história bíblica
bem conhecida é a de Moisés, aquele que
retirou o povo hebreu da escravidão.
A
história conta que para salvar a vida de seu
bebê, a mãe de Moisés deixou-o em
uma pequena cesta às margens do rio Nilo. A filha
do Faraó encontrou o bebê e acabou criando-o
no palácio real, com todo o conforto. Um dia,
já crescido, Moisés resolveu sair do palácio
e ver o que se passava fora dele. Ao defender um escravo
hebreu que era surrado violentamente por um egípcio,
acabou matando o egípcio. E por isto teve que
se afastar.
Durante
o exílio, Moisés viveu em uma cidade vizinha.
E foi lá que ele recebeu pela primeira vez a
revelação de Deus. Moisés caminhava
à luz do dia, em profundo estado meditativo,
quando se deparou com uma sarça ardente. A sarça
era um tipo de planta comum naquela região e
era comum arbustos daquele tipo pegarem fogo devido
ao calor. No entanto, este arbusto continuava a pegar
fogo e jamais se consumia. Mantinha-se ileso. E foi
assim que Moisés pela primeira vez viu a face
de Deus.
É
interessante observar que a primeira revelação
de Deus a Moisés se deu através de uma
planta comum, em uma situação comum, quando
ele olhava para baixo. Normalmente temos a idéia
de que uma revelação de Deus deveria se
dar em uma grande aparição no céu,
em uma noite magnífica. Mas Deus está
em todo lugar, e para aquele que está preparado,
tomado pela consciência da humildade (e ele olhava
para baixo) esta revelação pode se dar
a qualquer momento. Todo momento pode ser especial.
Naquele
momento Moisés era eleito para libertar os hebreus
da escravidão e a partir de então travou
uma grande batalha espiritual contra o Faraó,
até que conseguiu libertar seu povo, promovendo
a abertura do mar.
A
história é toda repleta de códigos.
O Faraó, mencionado no texto, representa nosso
ego exacerbado, que faz-nos esquecer que somos parte
de um todo muito maior, e nos impele no desejo de receber
só para nós mesmos. É a pura visão
da casca. Tanto que os faraós, ao morrer, retiravam
os órgãos e mumificavam o corpo, ou melhor,
a casca do corpo.
O
Egito é uma palavra-código que se refere
a uma situação de escravidão à
qual a grande maioria dos seres humanos está
submetida. É o nosso comportamento repetitivo,
caracterizado por padrões compulsivos, que nos
afasta de uma vida significativa.
A
Travessia do Deserto é o caminho longo, árduo
e cheio de dificuldades, que percorremos para sair deste
estado de escravidão do aparente e chegar a uma
nova consciência.
Finalmente,
a Terra Prometida é o estado de consciência
elevada, que dá real sentido à nossa existência.
Momento em que compreendemos nosso lugar nesta existência,
em que atingimos o significado da palavra Amor. Neste
estado não há espaço para o medo.
Nesta dimensão compreendemos o valor de cada
obstáculo com que nos deparamos. Cada um deles
traz um significado a mais à nossa vida.
Este
episódio nos ensina sobre uma possibilidade sempre
atual de mudarmos nossa consciência. Sair do mundo
da escravidão significa mergulhar em um mundo
desconhecido, para uma travessia muito longa e difícil.
Somente com um propósito muito claro é
possível enfrentar os confrontos áridos
deste deserto e encontrar os caminhos que levam a uma
vida significativa.
Texto extraído do livro Os Segredos da
Cabala, de Ian Mecler.

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