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O
ACESSÓRIO QUE JÁ FOI CONSIDERADO DESELEGANTE
OU UMA "FERRAMENTA PARA A VISÃO" SE
REINVENTA, GANHA SOFISTICAÇÃO E AJUDA
A CELEBRAR O ESTILO (E A PERSONALIDADE) DE CADA UM
Por
Simone Raitzik
Há
quem ainda acredite que os óculos funcionam como
um mero esconderijo, que torna o olhar mais distante
e inacessível. Outros apostam que não
passam de um instrumento útil e necessário
que melhora a visão e protege a vista dos raios
solares e do vento. Ambas as suposições
não deixam de estar corretas, mas são
simplistas e, de certa forma, ultrapassadas. Afinal,
esse acessório de quase 700 anos de vida é
muito mais do que isso: um bom par de óculos
representa estilo, personalidade e conforto. É
talvez a forma mais eficiente de ver e ser visto, já
que está no rosto, ponto visceral da vaidade
humana. Bom, se você ainda não desfrutou
desses atributos, chegou a hora de descobrir o que uma
armação bacana pode fazer pela sua imagem.
Os
óculos certos na hora certa fazem milagres pela
aparência. Tornam uma pessoa mais respeitada,
fashion, intelectual, antenada... Enfim, mostre-me a
sua armação que te direi rapidinho quem
você é ou parece ser, brinca Diana
Reis, dona da Lunnetterie, ótica que está
há 13 anos no mercado. Exagero ou não,
ela conhece bem o poder que um fino aro de metal ou
acetato representa para o estilo. Não foi à
toa que o cinema e a televisão transformaram
esse acessório em um aliado essencial na composição
de qualquer personagem. Excentricidade, timidez,
mistério ou charme, qualquer uma dessas qualidades
podem ser lidas diretamente no tipo de armação
dos óculos, revela a figurinista da TV
Globo Jeane Figueiredo, uma aficionada pelo acessório
que confessa ter mais de 100 pares guardados em preciosas
caixas no seu closet.
São
vários os exemplos de personagens famosos que
eternizaram sua imagem usando lentes de grau ou escuras.
Quem não lembra do shape de coração
dos óculos estilo pop art da sedutora Lolita
de Stanley Kubrick? E como não perceber o estilo
hilariante de Jerry Lewis, com sua armação
sempre caída no nariz? E a graça peculiar
de Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo com seus óculos
grandes e bem escuros? Enfim, é delicioso reparar
o quanto esse acessório é capaz de criar
atitude e se transformar em um cartão de visita.
Os óculos chegam antes da própria
pessoa e proporcionam uma leitura muito rápida
da personalidade do indivíduo. Por exemplo, em
uma festa, coloque um modelo grande, vermelho, e todo
mundo vai logo entender que o seu estilo nunca vai ser
básico e previsível, considera Jeane.
Carioca,
com 38 anos, Jeane faz aquele tipo que sempre surpreende.
Nunca espere dela algo muito convencional. Sabe
como as pessoas escolhem uma bolsa ou um colar? Eu escolho
o par de óculos. É ele que dá o
toque que complementa a roupa. Troco todo dia,
explica ela. Sem preconceitos, ela pesquisa suas aquisições
em tudo quanto é lugar: lojas, brechós,
camelôs, viagens para o exterior... O legal
é que sempre dá para brincar com um modelo
vintage. O investimento vale a pena porque nunca saem
de moda ou então voltam a ser hype de tempos
em tempos. Pessoalmente, gosto de modelos do tipo outdoor
mesmo. Os com vida própria e feitos para aparecer,
de preferência Ray Ban ou Valentino. Mas sei que
tenho um rosto que facilita essas ousadias, porque meu
cabelo é curto e estou sempre de cara lavada
e brinco pequeno, acrescenta.
Conhecer
o seu estilo e respeitá-lo é, por sinal,
um quesito essencial na hora de adquirir um novo modelo.
Nem sempre a moda do momento é o que fica
bem na pessoa, resume Diana. Existem algumas regras
básicas que facilitam a escolha, segundo ela,
como procurar sempre quebrar a forma do
rosto. Ou seja, faces redondas pedem armações
retangulares e os finos e compridos ficam bem com os
quadrados ou redondos, tipo John Lennon.Mas quem
tem rosto quadrado fica bem com quase tudo, afirma
ela, que também deixa claro que a personalidade
de cada um vale mais do que essas regras. Vista
os óculos, olhe-se no espelho por uns 5 minutos
e veja se você se sente bem, se tem a sua cara.
Se for o caso, assuma a escolha sem receio, encoraja.
No
caso dos óculos de grau, muita gente ainda vê
o uso dessas armações como um empecilho
para a imagem, um suplemento desnecessário em
pleno rosto. Na verdade, o que falta é a consciência
de que esse acessório pode ser um aliado para
a aparência. Basta uma boa orientação.
Geralmente, quando as pessoas vão selecionar
o primeiro par, procuram aqueles que somem no rosto,
bem fininhos e quase invisíveis. Na compra do
segundo, eles já entenderam a idéia, se
acostumaram, e até arriscam um de acetato colorido,
com um formato mais arrojado. Expert em identificar
o estilo de cada um, Diana já conhece bem os
grupos de profissionais que sabem tomar partido desse
acessório. Geralmente são os que
trabalham em ambientes mais criativos e menos convencionais,
como designers, publicitários, estilistas, jornalistas
e arquitetos, enumera.
É
esse o caso da decoradora Christiane Laclau, dona de
um estoque de 10 modelos que renova de ano em ano. O
meu preferido é tipo Jackie O, de acetato preto,
e suas variações, conta ela, que
confessa ter um rosto que se adapta bem às lentes.
Antenada à moda, já que trabalhou muitos
anos como estilista da Richards, Mr.Cat e Blue
Man, ela pondera que, nesse universo de armações,
o melhor é fugir de tendências e se fiar
nos clássicos que não fiquem datados.
Agora, por exemplo, todo mundo está usando
os tipo bolha, com curvatura nas laterais. Eu não
gosto e acabo tendo dificuldade de achar novidades,
afirma. Se nos óculos de sol Christiane se permite
ser mais ousada e, de vez em quando, arriscar algo mais
divertido, nos de grau analisa todos os detalhes antes
de fazer o (alto) investimento. É coisa
séria. Devem ser adequados com a deficiência
que se tem na vista, além de ter lentes leves
e que não arranhem com facilidade. Acho importante
pesquisar e comprar em uma ótica de confiança,
dá a dica, mostrando a sua escolha: um modelo
retangular de acetato colorido. E Jeane completa: Lente
boa é fundamental, mesmo na armação
comprada no camelô. Senão, haja dor de
cabeça....
Mais
do que apenas a qualidade das lentes, toda a tecnologia
dessa indústria avançou muito nos últimos
cinco anos. Há mais leveza e flexibilidade,
principalmente para o usuário de óculos
de grau. É importante que o consumidor entenda
que o investimento vale a pena e busque esse conforto
na hora da compra, explica Diana. Para ela, a
mentalidade ainda é valorizar mais roupas ou
jóias do que os óculos. Geralmente
a pessoa tem 10 vestidos no armário, mas um só
par de óculos, dá o exemplo. Experimente
combinar a armação com a roupa, o clima
e o astral do dia. Todo mundo vai reparar, recomenda.
É exatamente esse o conceito da Chilli Beans,
marca paulistana que há cinco anos transformou
os óculos escuros em acessórios de moda.
Lançamos cerca de dez modelos por semana,
conta Lázaro Mansur, representante da grife no
Rio. Apesar das lentes serem de poliuretano com
proteção total contra raios UV, os preços
são bem acessíveis. Justamente para que
o consumidor se sinta à vontade para voltar sempre,
acrescenta.
Atualmente,
a Chilli Beans acaba de tirar do forno a linha Ice,
com armações de metal e acetato bem claras
(marfim) e lentes coloridas. O bacana é
que esse tom dá um ar de limpeza no rosto,
diz Lázaro, que aponta também outros best-sellers:
os modelos para a noite, com lentes amarelas, e o Clube
da Luta, inspirado no usado por Brad Pitt nesse filme.
Já Diana acredita que a tendência é
apostar no visual dos anos 70, variando as cores. O
vinho substitui o marrom e o bege. É chique e
arrojado. Quem quiser ser mais ousado, pode partir para
o roxo, verde e beterraba, tonalidades fortes no próximo
verão, decreta. E os clássicos continuam
firmes: o acetato preto, o tipo aviador, o Ray Ban...
Esses não têm erro. São sempre
uma boa compra, assegura ela.
Não
há mais desculpa. Preços acessíveis,
informação, qualidade há
motivo de sobra para assumir esse acessório essencial
na composição de qualquer visual. Experimente
ousar e dar uma boa pista da sua personalidade e estilo
apenas através do seu par de óculos. Você
vai se surpreender com o resultado.
LENTES
COM HISTÓRIA
A
primeira vez que se ouviu falar de algo parecido com
um óculos foi em 1284. A armação
era a princípio feita de dois simples aros de
metal ou de couro batido, acoplados com um pino. Usá-lo
era uma forma de facilitar a leitura ou melhorar a visão
de um modo geral. Escuros? Nem pensar, só muuuiiiiito
mais tarde. Esses primeiros exemplares, por sinal, não
tinham hastes e era preciso sustentá-los com
a mão. Como a indústria do vidro ficava
em Veneza, foi ali onde tudo começou. Logo, Holanda
e França começaram a produzir também
seus modelos, seguidas por Inglaterra, Alemanha, Espanha,
Boemia e, um pouco mais tarde, Estados Unidos.
Já
as armações com hastes surgiram a partir
de 1730, depois de um longo intervalo. Foi o inglês
Edward Scarlett quem teve a brilhante idéia de
fixar os óculos nas têmporas, facilitando
enormemente a leitura. Os materiais eram os mais nobres:
tartaruga, marfim, metal e lentes de cristal. A partir
do fim do século XIX, as resinas sintéticas,
como galalite e baquelite, invenções americanas,
se tornam matérias-primas maleáveis, perfeitas
para a indústria da visão. Hoje, o acetato
e o metal são os materiais mais usados nesse
segmento que caminha sempre antenado com o universo
da moda.
ONDE
ENCONTRAR NO SHOPPING DA GÁVEA
Chilli Beans, Contactus e Lunetterie

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