| |
Por
Gabriela
Varanda
EM
MEADOS DOS ANOS 80, UM GRUPO DE JOVENS CINÉFILOS
ESTAVA À FRENTE DE UM AUDACIOSO PROJETO: CRIAR
UM CINECLUBE PARA PROMOVER SESSÕES FORA DO CIRCUITO.
O LUGAR ESCOLHIDO: UMA VELHA SALA DE PROJEÇÃO,
ESCONDIDA NUMA GALERIA, GUARDADA POR UM PÉ SUJO,
PERTO DA ESTAÇÃO DO METRÔ, EM BOTAFOGO.
NASCIA ASSIM O ESTAÇÃO BOTAFOGO.
Quem olha hoje as profissionais salas do Grupo Estação
espalhadas pela cidade, e tem menos de 30 anos, talvez
não saiba como era prazeroso assistir a um clássico
europeu, e depois beber uma cerveja com os amigos, olhando
o movimento ali pela rua Voluntários da Pátria,
na porta do pé-sujo que dava boas-vindas a quem
entrava na galeria. Era um programa cult. Tá
certo que nem se usa mais essa palavra. Mas foi no Estação,
que vi, pela primeira vez, uma videolocadora que organizava
os filmes por diretores. Então, você escolhia
assim: hoje levo esse do Fellini, amanhã aquele
do Robert Altman. Era programa para quem conhecia cinema.
E havia também os filmes do Estação,
aqueles exclusivos, entre clássicos e recentes,
e os independentes, que só eram exibidos na galeria
de Botafogo.
Perseguindo
uma programação de qualidade e investindo
firme numa platéia interessada no circuito alternativo,
os sócios do Estação transformaram
a aventura entre amigos em empresa. Hoje, o Grupo Estação
possui 16 salas no Rio de Janeiro, espalhadas por Botafogo,
Flamengo, Copacabana, Ipanema, Barra da Tijuca, Centro
e Niterói, e ainda o Top Cine, em São
Paulo. Além das salas de projeção,
a empresa gerencia distribuidora de filmes, livrarias,
videolocadoras e lojas agregadas aos cinemas. Dos cerca
de vinte cineclubistas iniciais, quatro permaneceram
à frente do negócio, como sócios:
Adriana Rattes, diretora de marketing e novos projetos,
Marcelo Mendes, diretor de exibição, Ilda
Santiago, diretora da distribuidora Filmes do Estação,
e Nelson Krunholz, diretor administrativo e financeiro.
Alguns ex-cineclubistas ainda se mantêm
próximos ao Grupo, mas tomaram outro rumo em
suas vidas, explica Adriana Rattes.
O
Grupo Estação também promove mostras
e festivais para cinéfilo nenhum botar defeito.
O Festival do Rio é o principal deles. Nasceu
lá trás, ainda como Mostra Banco Nacional
de Cinema, antes do banco patrocinador fechar as portas,
e hoje se firma como maior evento internacional de cinema
na América Latina. Na edição de
2004, mais de 400 filmes foram assistidos por cerca
de 270 mil pessoas, em 15 dias. Para lançar seus
filmes no Rio, diretores como Roman Polanski e Carlos
Saura, e o astro americano Samuel L. Jackson já
pisaram em solo carioca. O Festival do Rio é
a ocasião para popularizar os filmes-cabeça
e quebrar o preconceito diante de obras com uma proposta
estética diferente da hollywoodiana, opina
o jornalista Marcelo Janot, presidente da Associação
dos Críticos de Cinema do Rio de Janeiro. Ele
mesmo criou gosto pela sala de projeção
ainda adolescente, freqüentando as históricas
retrospectivas de clássicos de François
Truffaut e Jean-Luc Godard, promovidas em Botafogo.
Perseguindo
a formação de novas gerações
de apreciadores de filmes de qualidade, o Grupo Estação
transformou o seu mais generoso cinema, o belíssimo
Odeon, situado em pleno coração da cidade,
em palco para mostra de curtas e sessões de filmes
independentes, freqüentados, em sua grande maioria,
por jovens. É o caso do Cachaça Cinema
Clube, organizado por ex-alunos e estudantes de cinema
da UFF. O curta é sempre o primeiro trabalho
de um diretor, e o Cachaça permite que jovens
profissionais do cinema troquem idéias e experiências,
explica Lis Kogan, uma das produtoras do evento. Ruy
Gardnier, editor da revista eletrônica Contracampo,
é outro que movimenta o cinema da Cinelândia.
Promovendo as Sessões Cineclube nas noites de
quarta-feira, Ruy resgata os velhos tempos do Estação
Botafago, projetando clássicos e filmes de diretores
pouco exibidos por aqui, como o alemão Rainer
Werner Fassbinder e o francês Jean Vigo.
Sempre
próximo ao seu público, o Grupo Estação
não pára de buscar novos cinemas pela
cidade. E para os moradores da Gávea e arredores,
a notícia não poderia ser melhor: quatro
salas novinhas em folha serão abertas no quarto
piso do Shopping da Gávea, até o final
do ano. Uma área de 1.500 m2, com direito a um
espaçoso foyer, café e charmosas lojinhas.
Gostamos desse conceito de cinema de bairro, e
identificamos o morador da Gávea como um admirador
dos filmes que exibimos, explica Adriana Rattes.
Outra boa notícia é que o Grupo Estação
abrirá também novas salas em Botafogo,
juntinho ao metrô. Será um verdadeiro
multiplex a céu aberto, diverte-se Adriana,
referindo-se à grande área formada entre
o novo projeto e os vizinhos Estação Botafogo
e Espaço Unibanco de Cinema. Na contramão
de uma tendência recente, em que salas tradicionais
da cidade foram fechadas, o sucesso do Grupo Estação
reformula a máxima do concorrente: cinema de
arte é a maior diversão.

moda
| arquitetura
| beleza|
cinema
teatro
| gastronomia
| pela
gávea | shopping
| lan
artigos
| a revista
| contato
| anunciantes
imprimir
| topo
| |