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ESPAÇO NIRVANA, NO JOCKEY CLUB DA GÁVEA, INOVA O MERCADO NACIONAL DE SAÚDE E CUIDADOS COM O CORPO E A MENTE

Por Bianca Jhordão

Terça-feira ao meio-dia saí de casa para descobrir literalmente o que é o Nirvana. No caminho, fui ouvindo Nirvana, a já clássica banda de rock, imaginando como deve funcionar uma academia que cuida não só do corpo como também da mente.

Atravessei a Rua Jardim Botânico e entrei no Jockey Club. Um jardim bem cuidado com água corrente me guiou até a porta de entrada do Nirvana, onde uma bonita estátua indiana – quase da minha altura – “recepciona” as pessoas. Soube depois que a água corrente na entrada serve para “limpar” a energia das pessoas que estão chegando.

O amplo prédio de dois andares teve seu interior reestruturado seguindo os preceitos do Vastu Shastra, ciência hindu aplicada às construções para obtenção de paz e prosperidade. A arquitetura do espaço utiliza elementos naturais como água, madeira, fogo, metal e terra, criando um ambiente repleto de energia positiva e bons fluidos, conforme é explicado no folheto de apresentação. Na prática, você realmente se sente bem lá dentro e esquece o mundo lá fora.

Sentei no Orgânico, restaurante que funciona dentro do Nirvana e, enquanto esperava a yoguini e sócia do centro, Isabela Fortes, dei uma lida no cardápio, que conta com uma variedade de sucos, sopas, sanduíches, chás e cafés elaborados com ingredientes produzidos de maneira natural, ou seja, sem utilização de agrotóxicos, fertilizantes ou hormônios. O restaurante é aberto ao público, sendo assim não é necessário ser associado para desfrutar das saudáveis refeições que o espaço oferece.


“Fiquei muito tempo procurando um lugar como esse. Já estava quase desistindo quando minha mãe, que sempre caminha por aqui, resolveu entrar no Jockey para saber se eles teriam algum espaço disponível”, explica Isabela sobre o local. “Foi um presente de Deus”, respira aliviada.

Aos 7 anos, Isabela fez sua primeira meditação com uma terapeuta que freqüentava e, mesmo sem saber ao certo o que era, quando surgiam obstáculos - provas, vestibular, problemas, ela tirava os sapatos, cruzava as pernas e se concentrava na respiração. Assim os problemas se tornavam muito mais fáceis de serem superados.

Aos 16 anos morou nos Estados Unidos e se formou em três faculdades. De volta ao Brasil foi contratada para trabalhar num Banco de Investimentos e se mudou para São Paulo. Tempos depois voltou para o Rio, mas continuava insatisfeita com sua vida. “Não havia nada errado, mas me faltava uma finalidade. A vida não pode se resumir a trabalhar, trabalhar, trabalhar, ganhar dinheiro e morrer”, diz.

Isabela tinha uma amiga que freqüentava um centro de meditação no Rio e que estava indo para um ashram (retiro espiritual) em Nova York. Não pensou duas vezes e pediu férias ao banco para acompanhar a amiga. Com a desistência da parceira, que cancelou sua viagem de última hora, Isabela resolveu ainda assim encarar o desafio sozinha.

Chegando ao Shree Muktananda Ashram se inscreveu num intensivo de meditação e foi direto para a sala. Sentou-se lá e dormiu. “Comecei a ter uns sonhos muito estranhos. Num deles, eu saía voando e parava em frente à estátua de Ganesha (o Deus da Cabeça do Elefante). Fiquei sentada nesse jardim quando um senhor passou por mim, piscou e ao mesmo tempo foi como se eu tivesse voltado pro meu corpo naquela sala”.

A surpresa maior ocorreu quando, ao conhecer as instalações do ashram, o jardim com a estátua de Ganesha de fato existia igualzinho ao seu sonho e o senhor que piscou para ela era o guru Baba Muktananda, cuja foto estava no templo. Um dos mestres lhe explicou que o sonho era um dos efeitos da iniciação espiritual.

O curso, que a princípio seria de uma semana, se transformou em um mês. E, orientada pelos mestres, resolveu se inscrever num curso na Índia. Ao voltar para o Brasil nada de sua antiga vida lhe agradava. “Pedi demissão do trabalho, o dono do apartamento onde morava o pediu de volta porque era alugado e terminei meu namoro. Estava sem casa, sem emprego e sem namorado”.

Um telefonema da Índia dizendo que sua inscrição havia sido aceita chegou na hora certa. Na primeira vez, morou por 6 meses num mosteiro onde trabalhava 8 horas diárias cortando legumes. Nas horas vagas, meditava. “É um processo de introspecção e autoconhecimento muito grande, não tão fácil e muito dolorido. É como se você saísse de si e se olhasse de fora”.

Foram 4 anos de idas e vindas. Até que, na última vez, o professor titular ia para um retiro e o professor assistente precisava de uma assistente. Sendo uma aluna bem aplicada, Isabela logo foi designada para a função. Nesse momento, percebeu que sua vida se completava dando aulas.

Pouco depois, foi para São Francisco fazer um curso de treinamento de professores e, ao retornar, ficou à procura de algum espaço para dar aulas. Então, Isabela e sua mãe esbarraram com Marcos Wettreich, antigo amigo e que atualmente é seu sócio.

“Fomos almoçar e ele me perguntou como é que eu tinha largado a minha carreira promissora para me transformar em professora de Yoga”. Wettreich começou a se interessar pelo assunto como um negócio e perguntou a Isabela como seria um lugar ideal para a prática de Yoga e para os cuidados com a mente.

“Na verdade aquilo que você pratica em 1h10 dentro da sala não é Yoga. Yoga é o que você tira daquilo e vai levar pra sua vida. É a forma com que você se alimenta, vê o mundo, a forma como pensa, reage...isso é o que a gente tenta passar”, finaliza a empresária.

O Nirvana oferece uma variedade de atividades corporais – como aulas de yoga, tai chi chuan, pilates, capoeira e bioginástica – e um SPA com 18 opções de massagens e tratamentos holísticos diferenciados, além de introduzir novas técnicas de medicina preventiva e relaxamento. O espaço conta com uma equipe de profissionais qualificados e realiza intercâmbio de professores para oferecer aos alunos a oportunidade de vivenciar novas tendências do yoga mundial. O Nirvana oferece ainda sauna nos banheiros, uma butique e um lounge para curtir, bater papo e relaxar. O estacionamento privativo garante o conforto dos alunos durante a permanência.

Após o papo com Isabela, fui para a sala 2 fazer uma aula de Ashtanga iniciante com o professor Marcos Damigo. Aproveitei a hora do almoço e, enquanto degustava uma salada e um suco de melancia com gengibre, conversei com ele, que também é coordenador dos professores, das aulas e dos workshops. “É uma atividade bem intensa, vai muito além das aulas”, explica.

O paulista Marcos tinha um grupo de teatro e começou a praticar Yoga totalmente por acaso e obrigado. Com o tempo, a obrigação se transformou em paixão e após 1 ano ele já dava aulas como assistente quando resolveu ir para a Índia. Conheceu Isabela nessa viagem e ficaram em contato desde então. Quando o Nirvana abriu, Marcos veio morar no Rio e adora o clima da cidade. “Minha vida mudou”.

Após o almoço, fui conhecer o espaço com Cecília Fortes, gerente de marketing e irmã de Isabela. Muito simpática, Cecília me mostrou a butique onde podemos encontrar roupas para prática e pós-prática, itens de conveniência como elásticos de cabelo, objetos de decoração, CDs com músicas relaxantes e uma linha de aromaterapia do próprio Nirvana, feita com óleos essenciais puros.

As três salas de Yoga são amplas, confortáveis e equipadas com acessórios para prática de Yoga. Também possuem uma sala para pilates e outras reservadas para terapias individuais. Todo o espaço é iluminado pela luz do dia e um jardim ao redor nos faz esquecer de que moramos num centro urbano.

No segundo andar, há um lounge, um solarium com vista para o Cristo e ainda o SPA. O SPA oferece diversos tipos de massagem e tratamentos desintoxicantes para nos ajudar a relaxar e a reduzir o estresse do dia-a-dia. As escolhas são muitas e irresistíveis: shiatsu, drenagem linfática, reflexologia, tailandesa, sueca, tui na, pedras quentes, ayuvédica, entre outras.

Já eram 15h e uma massagem Ayuvédica me esperava. Despedi-me de Cecília e entrei na área do SPA. Confortáveis poltronas, velas aromáticas e uma suave música tornavam o clima da sala de espera aconchegante. Tomei um chá de abacaxi enquanto vinha um escalda-pés com ervas para tirar minhas tensões antes da massagem.

O fisioterapeuta holístico Thomaz de Moraes Queiroz me esperava para a massagem que utiliza óleos escolhidos de acordo com o biótipo de cada pessoa. Ao penetrar na pele, os óleos relaxam e reequilibram o corpo e a mente, estimulam a circulação, eliminam as impurezas e favorecem o sistema imunológico. Traduzindo: “Uma delícia!”

Após a massagem, Thomaz nos dá uma dica para o dia-a-dia: “Precisamos parar de ter um olhar externo e virar nosso globo ocular para dentro. Precisamos observar nossa qualidade de vida, a rotina que estamos levando e se isso está adequado com nosso corpo. Se você se sentir estressado, tente dar um mergulho no mar para extravasar essa energia”.

Cecília completa: “A gente espera conseguir cada vez mais que pessoas pratiquem a Yoga, e que levem isso pra vida delas. O mundo é tão corrido, tão estressado, que se a gente puder ajudar um pouquinho as pessoas a relaxar e ter um dia-a-dia um pouco mais tranqüilo, já vale”.

Saí do Nirvana nas nuvens e com muita vontade de voltar outras vezes! Namastê.

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