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Eduardo Souza Lima
BELÉM
E OUTRAS CIDADES ILUSTRADAS
Depois
do Rio, a melhor cidade para se viver no Brasil é
Belém. De inspiração parisiense,
a capital do Pará tem simpáticas ruelas
que desembocam em largas e arborizadas avenidas, uma
bela e recém-reformada orla que margeia o rio
Amazonas (algo como o nosso prefeito vem prometendo
há anos para a zona portuária), praças
aprazíveis e bem conservadas, com seus coretos
franceses e um patrimônio histórico que
rivaliza com as cidades mineiras e é a nova estrela
da coleção Cidades Ilustradas, da editora
Casa 21. Quem assina o álbum é o quadrinista
francês Jean-Claude Denis.

Rio
de Janeiro
A
coleção Cidades Ilustradas foi criada
pelos editores Roberto Ribeiro e Emanuele Landi, parceiros
desde a época da saudosa Bienal Internacional
de Quadrinhos do Rio de Janeiro, que teve duas edições
em meados dos anos 80. A idéia: convidar artistas
de quadrinhos para desenharem cidades brasileiras. O
primeiro álbum da série foi Rio
de Janeiro, do quadrinista francês Jano,
o pai do rato Kebra, que saiu em 2003 no Brasil e na
França. Nele, o artista fez espécies de
crônicas ilustradas da cidade, retratando não
apenas sua arquitetura e geografia, como os costumes
cariocas.
A
segunda cidade homenageada foi Belo Horizonte, pelo
traço do espanhol Miguelanxo Prado. Além
de desenhar a capital mineira, Prado criou uma história
envolvendo tráfico de pedras semi-preciosas e
lendas urbanas belo-horizontinas. O álbum acaba
de sair na Europa. Em seguida veio Curitiba,
marcando a estréia de um desenhista brasileiro
na série: o carioca César Lobo. E o álbum
marcou uma nova guinada: como a capital do Paraná
não é lá muito conhecida nem no
Brasil, Lobo fez uma espécie de guia turístico
para turistas espertos. Além de desenhar a cidade,
pinçou curiosidades, como o sandubão preferido
dos nativos.

Salvador
Outro
brasileiro foi encarregado do álbum seguinte,
Marcello Quintanilha (ex- Gaú), que desenhou
Salvador. E fez o melhor trabalho até agora.
Radicado em Barcelona, na Espanha, onde atualmente trabalha
na série Sete balas para Oxford,
para a editora belga Lombard, Quintanilha passou 15
dias na cidade caçando impressões. Mas
parece que foi bem mais: em seu álbum, Salvador
parece falar com o leitor por meio de suas historietas
cheias de vida e aquarelas inspiradíssimas.

Belém
Da
mesma geração de Jano - ele nasceu em
1951 - Jean-Claude Denis foi o criador, ao lado de Caroline
Dillard e Martin Veyron, do Group Imaginon. Seu trabalho
mais conhecido é a série Luc Leroi. Denis
conheceu Belém nos anos 80 e voltou à
cidade no ano passado para desenhá-la. São
belos trabalhos em aquarela - na edição
brasileira, um a menos do que na francesa - nos quais
o artista consegue realizar a sua maior ambição:
reproduzir fielmente a singular luz de Belém.
Como Jano fez com o Rio, Denis também optou por
não seguir o caminho mais fácil, desenhando
apenas os pontos turísticos mais evidentes da
cidade. Quem teve a felicidade de conhecer Belém
pessoalmente, certamente a reconhecerá em seus
traços.

Belo
Horizonte
Ainda
este ano sai o sexto álbum da série, Cidades
do Ouro Mineiras, assinado pelo mineiro Lélis.
A Casa 21 lançou este mês também
Sem comentários, coletânea
de desenhos e textos publicados no site do cartunista
gaúcho Allan Sieber, e no ano que vem faz chegar
às livrarias um livro sobre o carnaval carioca
desenhado pelo ilustrador italiano Lorenzo Mattotti.
.

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