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O
som que vem do Norte
Vou
começar falando um pouco de uma cena e
não de um disco específico. Estive
em Belém recentemente e fiquei muito impressionado
com a quantidade de música boa que acontece
lá agora, desde bandas de rock, com misturas
ou não, como Cravo Carbono, La Pupuña
e Suzana Flag até o movimento eletrônico
do Tecno Brega, que cresceu muito e hoje tem o
tamanho do funk carioca sendo junto com ele, uma
manifestação bem brasileira de música
eletrônica.
O
tecno brega hoje já tem vertentes como
o cyber brega. As equipes de som, como Rubi e
Tupinambá, têm estruturas gigantescas
com paredes enormes de caixas de som. O som é
muito alto e grave, e é chamado por eles
de Treme Terra.
A
banda de tecno brega Tecno Show é uma boa
aposta e tem a cantora Gabi como uma verdadeira
estrela e supercantora. Ela já tem discos
lançados e conseguiu passar do status de
banda de um hit. Vale destacar também o
trabalho dos produtores locais como Beto Metralha
e Dj Iran.
Paralelo
a esse movimento, a Funtelpa foi assumida por
Ney Messias, que está fazendo um trabalho
brilhante com a rádio Cultura e a TV Cultura,
com espaço para bandas locais e diversos
tipos de música do país inteiro.
Devo dizer que ouvir rádio em Belém
foi uma experiência única para mim
e que aqui no Rio só ligo o rádio
para ouvir o Mauricio Valladares ou o Nelson Motta.
Lá ouvia rádio por horas seguidas.
É
de Ney também o projeto de lançamentos
como Mestres da Guitarrada, que dá foco
a Vieira, Curica e Aldo Sena que são os
Ventures Brasileiros, mistura de surf music com
carimbó e merengue. Eles bem mereciam realmente
ser mais reconhecidos no Brasil por seu estilo
único, e pelo disco, que vem numa edição
luxuosa com caixa feita de madeira pintada, com
a produção de Pio Lobato, um guitarrista
e produtor bastante inventivo da cena local.
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