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INSTITUTO
MOREIRA SALLES CONCENTRA EM UM SÓ LOCAL DIVERSAS
FORMAS DE EXPRESSÃO CULTURAL
Por
Bianca Jhordão
Teguei
um táxi para subir a Marquês de São
Vicente. A chuva começava a apertar e preferi
não arriscar em subir a pé. Às
11h da manhã de uma chuvosa segunda-feira me
encontro na porta do Instituto Moreira Salles, antiga
residência do embaixador Walther Moreira Salles.
Devagar
abro o portão branco de madeira e um simpático
guarda me recebe com um sorriso. O jardim belíssimo
à minha frente me fez esquecer de que eu estava
na cidade. Que pena que hoje está chovendo,
precisa vir aqui num dia de sol! diz o guarda
enquanto me acompanhava até a porta principal.
Instalado
numa área de 10 mil metros quadrados, o projeto
de arquitetura executado em 1950, tem a assinatura de
Olavo Redig de Campos o mesmo arquiteto da embaixada
brasileira em Washington (EUA) - e o paisagístico
é de Roberto Burle Marx.
Depois
que o embaixador se mudou, a casa ficou fechada até
1996, quando ele doou a propriedade para o Instituto.
Na época já existia o Instituto em Poços
de Caldas, fundado em 1992, em São Paulo desde
1996 e Belo Horizonte, 1997. As obras de restauro no
Rio duraram três anos e o IMS-Rio foi inaugurado
em outubro de 1999.
No
Rio, a estrutura conta com auditório, cinema,
áreas expositivas, salas de aula, oficinas, ateliê,
biblioteca, cafeteria e dependências para hóspedes,
além de duas reservas técnicas: a fotográfica
e a musical.
É
um lugar especial. A propaganda é de boca-a-boca
e ainda tem muita gente aqui na Gávea que não
conhece, diz Luis Fernando Machado, engenheiro
de manutenção do IMS-Rio.
Foi
através de um amigo que Luis Fernando veio para
as obras de restauro em 1996 e continua no Instituto
desde então. Ele relembra das dificuldades de
transformar o salão de jogos na atual sala de
cinema.
Tivemos
que retirar três pilares de sustentação
e colocá-los a 1 metro e meio pra fora da construção.
Numa situação de complementação
da obra, parecia que ela não tinha dado certo.
Tivemos problemas com o concreto, que logo foi detectado.
Aquilo nos deu cabelo branco, sorri.
Em
maio de 1998, em decorrência da aquisição
da Coleção Gilberto Ferrez, que contempla
a produção do fotógrafo carioca
Marc Ferrez, o mais importante das Américas nas
viradas dos séculos XIX-XX, o Instituto Moreira
Salles decidiu erguer, na mesma área de seu centro
cultural no Rio, uma reserva técnica de padrões
internacionais. Além de guardar a coleção
Gilberto Ferrez, a Reserva Fotográfica comporta
espaço para o trabalho de pesquisadores, área
de restauração, laboratório e estúdio.


O
PROJETO EXECUTADO EM 1950, TEM A ASSINATURA DE OLAVO
REDIG DE CAMPOS
Atualmente
em exposição, O Brasil de Marc Ferrez
tem atraí- do um público médio
de 10 mil pessoas por mês desde o dia 26 de julho,
quando foi inaugurada. Devido ao sucesso, a exposição,
que a princípio ficaria até o fim de outubro,
foi prorrogada até fevereiro de 2006.
Essa
é uma exposição especial. Começou
aqui no Rio e acho que é onde vai estar completa,
nas outras cidades ela vai se adequando aos centros
culturais. Também iremos abrir essa exposição
no Museu Carnavalet, em Paris, explica a coordenadora
do IMS-Rio, Elizabeth Pessoa.
Todas
as exposições do Instituto são
itinerantes. Em fevereiro, Marc Ferrez vai para São
Paulo enquanto que o Rio receberá a exposição
do artista plástico Manfredo de Souza Neto, atualmente
em Poços de Caldas.

O
ESPAÇO OFERECE CURSOS, OFICINAS INFANTIS, CINEMA
E UM AGRADÁVEL CAFÉ
Os
acervos que o Instituto vem adquirindo e trabalhando
estão sendo sempre preservados e mostrados através
das exposições e das publicações.
Nós somos procurados por pesquisadores
do mundo inteiro, não existe igual no Brasil,
completa Elizabeth.
Em
2002, em comemoração à passagem
do centenário da primeira gravação
de disco realizada no país, o IMS inaugurou a
Reserva Técnica Musical, que abriga o Centro
Petrobrás de Referência da Música
Brasileira, o mais importante complexo do gênero
dedicado à preservação e divulgação
da memória da MPB.
Mais
de 12 mil gravações disponíveis,
incluindo o acervo da casa Edson que o Instituto adquiriu
do pesquisador e fotógrafo Humberto Franceschi,
o acervo do crítico e pesquisador José
Ramos Tinhorão, o arquivo pessoal de Pixinguinha
e ainda os arquivos do músico Ernesto Nazareth,
do jornalista e produtor Walter Silva e da cantora Elizeth
Cardoso.
Em
breve começaremos a construção
de uma Reserva totalmente voltada para os acervos literários
e para a biblioteca do Instituto, anuncia Elizabeth.
Para
completar, o IMS-Rio ainda tem uma programação
infantil gratuita aos sábados com direito a contadores
de histórias, teatro e até ateliê
de artes. Para os adultos, o curso de história
da arte, palestras no auditório, a série
chamada O Escritor por Ele Mesmo, shows,
concertos e para a família, as exposições
e os filmes.
Os
moradores da Gávea aprovam. Nos fins-de-semana,
gosto de passear pelos jardins, tomar um café
e assisitir a um bom filme. A exposição
do Ferrez também está maravilhosa, imperdível,
diz a estudante da PUC e moradora do bairro, Maria Miranda,
que acha que essa é a sala de cinema mais charmosa
da cidade.
Aqui
nós temos um trabalho todo de equipe, feito com
muito cuidado e carinho. As pessoas que vem aqui sentem,
reparam, fazem elogios, nos dão sugestões.
Procuramos sempre nos aprimorar, nos exigindo para atender
bem ao público. Elizabeth ainda convida
a todos para visitar o site oficial da Instituição
- www.ims.com.br - onde podemos encontrar informações
sobre a agenda cultural e ainda pesquisar as fotos e
músicas de seu acervo.
O
BRASIL DE MARC FERREZ

Um
dos mais importantes fotógrafos brasileiros do
século XIX e início do século XX,
Marc Ferrez ganha uma caprichada exposição
no Instituto Moreira Salles que se estende até
fevereiro de 2006. Paisagista e documentarista, sua
obra está profundamente identificada com a paisagem
carioca e com sua luxuriante e risonha natureza
(segundo palavras do próprio fotógrafo).
Ferrez
também traz contribuições inovadoras
no campo da pesquisa e da experimentação
de equipamentos, na adaptação de processos
e materiais fotográficos ao clima tropical. Nos
grandes projetos documentais comissionados pelo governo,
o também fotógrafo da Marinha Imperial,
vai do Sul ao Norte do país, e faz o registro
de obras de captação e abastecimento de
água, de mineração e do cultivo
de café consolidando-se como o maior fotógrafo
paisagista do século no Brasil.
A
mostra é organizada a partir do acervo do IMS,
composto por cerca de quatro mil negativos em vidro,
além de um precioso conjunto de tiragens de época,
álbuns, postais, estereoscopias e as mais antigas
fotografias em cores (autocromos) da cidade do Rio de
Janeiro.

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