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Raphael
Ramos
O imponente prédio na Rua Marquês de São Vicente fica
bem próximo ao Planetário e ao minhocão, ícones
da arquitetura
e do design no
Rio de Janeiro.
Não é por menos
que fica ali também, o Departamento
de Artes & Design
da PUC-Rio
Por mais que as outras universidades também tenham o mesmo curso, é o da PUC o mais concorrido do estado. Além disso, hoje, o Departamento de Artes também é um dos mais procurados na própria unidade e só perde para os cursos de direito e comunicação social. Isso, em números, significa 1.200 alunos dispostos a mostrar o que há de melhor no país quando se fala em design.
As honras não são por acaso. Um dos primeiros do país, o Departamento de Artes & Design da PUC-Rio é oriundo do Curso de Letras, quando se tinha um núcleo de disciplinas teóricas de manifestações artísticas e história da arte. Mais tarde, em 1974, identificou-se a viabilidade de oferecer o curso de desenho industrial. Ao final de quatro anos, o então reitor, Pe. João A. McDowell, oficializou a criação do departamento.

Respeitado no país inteiro, o curso oferecido na universidade é também conhecido internacionalmente. A maior prova disso são os seus ex-alunos, que hoje são reconhecidos até no mercado internacional. O designer Fred Gelli, idealizador da logomarca dos Jogos Olímpicos Rio 2016, é um ótimo e recente exemplo. Com a criação de Gelli, o Comitê organizador dos jogos espera arrecadar R$ 3 bilhões com licenciamentos. Revelada durante a virada do ano em Copacabana, a logomarca das Olimpíadas de 2016 foi criada pela agência Tátil, de Gelli, e ficou guardada em uma sala de acesso restrito, apelidada de “NASA”. “A biônica, tema do meu projeto de conclusão em design de produto, com certeza é o assunto mais fresco na minha vida em relação aos aprendizados da PUC. Esse tema foi a semente da fundação da Tátil e gerou a base de muitos dos meus princípios criativos utilizados em todos os projetos que desenvolvi, inclusive - claro - na marca dos jogos olímpicos! Ana Branco, minha orientadora na época desse projeto, continua sendo minha amiga e guru até hoje!”

Logotipo dos jogos olímpicos

Fred Gelli
Se você perguntar ao coordenador e professor Claudio Magalhães qual é o principal objetivo do curso de design da PUC, ele responde na ponta da língua e de forma objetiva e acadêmica que é formar profissionais capazes de atuar com competência e senso crítico apurado nas habilitações de design e comunicação visual. Segundo Magalhães, o departamento tem uma missão muito maior do que apenas preparar os seus alunos para profissionalizarem-se na área. O setor também se preocupa em deixar claro para os estudantes que design em nosso país tem que ser feito de forma coletiva. Àqueles que acham que o processo criativo é uma decisão particular, podem ter sérios problemas profissionais no futuro.

Exposição dos alunos no Pilotis
“O design deve ser participativo. O profissional tem que ouvir as áreas envolvidas do trabalho que está sendo feito. Para que o produto final seja um sucesso, é importante a integração de vários departamentos, como produção, distribuição e comercialização”. Magalhães ressalta ainda que o perfil do designer mudou muito em relação a 20 anos. “Antes, na década de 90, tudo era copiado do exterior - desde a marca até os produtos. Hoje, sem dúvida nenhuma, conseguimos criar nossa identidade própria. O profissional brasileiro é muito respeitado aqui e internacionalmente, mas isso se deve a um processo longo de mudança de paradigmas. Um bom designer sabe que ele tem que ver, ouvir e sentir o que seu cliente realmente deseja. E isso pode ser desde uma roupa até um celular”.
Cláudio Ribeiro, ex-aluno do curso, é o melhor exemplo da importância de um trabalho coletivo. Gerente de Design da Motorola nos Estados Unidos, Ribeiro trabalha intensamente para ter no final um produto “perfeito”. Um aparelho telefônico móvel não precisa ser apenas bonito, mas dever ser bastante funcional. Para facilitar o processo final de criação, todos os setores são acionados e, juntos, chegam a um acordo ideal para o sucesso do produto.
Apesar do trabalho do designer ser reconhecido em todos os cantos do mundo, aqui, em território nacional, os profissionais sofrem com os impostos altíssimos. Por mais que ele consiga no final concluir sua obra, ele sempre esbarra em problemas fiscais, já que produtos importados são cada vez mais competitivos, principalmente os que chegam vindos da Ásia. Com preços muito baixos, os produtos chineses ganham mercado violentamente. Uma em cada quatro empresas brasileiras é afetada com importados da China. Pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 45% perderam participação no Brasil para chineses. Para enfrentar a competição com os asiáticos, Claudio Magalhães acredita no investimento em qualidade, redução de custos, diferenciação da marca e lançamento de novos produtos.
Mesmo com 20 anos de vida acadêmica e à frente da coordenação dos cursos de graduação e extensão, Magalhães não fica nada confortável quando questionado se o Departamento de Artes & Design da PUC é o melhor do Rio, mas não disfarça o orgulho da instituição ter sido a primeira do país a ter mestrado, iniciado em 1994, e doutorado, criado em 2003.
“O programa de pós-graduação tem trabalhado muito na consolidação da pesquisa em design no país. O PPGDesign tem direcionado seus esforços no sentido de capacitar pesquisadores e profissionais interessados em aumentar seu potencial de geração e otimização de conhecimentos relacionados ao design”.
A consolidação do curso de doutorado, com a formação das suas primeiras turmas, vem ampliando o campo de atuação do programa no país e também no exterior. Desde 2006, o programa tem enviado alunos para estudar no exterior, através do Programa de Doutorado no País com Estágio no Exterior (PDEE). O projeto mantêm convênios e acordos de cooperação com diversas instituições internacionais. Algumas conveniadas são: University of Arts and Design Helsinki (UIAH), UNESCO, NOKIA e European Association of Universities and Colleges of Art. Outro destaque de inovação foi a criação da revista Estudos em Design, publicação que incentiva a produção e a troca de informações entre pesquisadores, professores e estudantes de design. A revista conta com a participação de instituições de ensino e pesquisa em design no Brasil e no exterior.
Além de todo reconhecimento no meio profissional e acadêmico, o curso também já ganhou muitos prêmios. Mais do que isso, os ex-alunos que estão no mercado são a maior prova de sucesso do curso. A pattern designer Renata Americano, formada em 2003, é hoje diretora criativa da mega empresa de tecelagem, Renauxview. Além disso, também desenhou estampas de roupas para grifes badaladas, como Lucy in the Sky, Leeloo, Lenny, Clube Chocolate, Cantão e Richards. “Lembro quando era universitária, tive a chance de ver e estudar tudo que queria. Mas moda ainda não era uma disciplina relevante. Pouco se falava no assunto. Porém, mesmo assim, foi nas aulas de Técnicas de Ilustração com o professor Amador e em Processo Criativo com Ana Branco que descobri que era neste ramo onde eu queria mesmo me dedicar. Na época, minha maior preocupação era não saber fazer muito bem desenhos e ilustrações. E todo mundo me dizia que quem não sabia desenhar não podia fazer Artes & Design. Não concordo com esse pensamento. Foi na PUC que aprendi a fazer vários tipos de traços. Hoje, não nego que tudo é muito mais fácil. Nas minhas estampas gosto muito de usar colagens, traço a mão e fotos”.
Claudia Bolshaw, além de ser coordenadora do N.A.D.A, Núcleo de Arte Digital e Animação da PUC-Rio, também é jurada do Anima Mundi. Mesmo quando o festival não está em exibição na cidade, ela nunca pára. Recentemente, fez a produção de um filme infantil para o Planetário, que deverá ser visto por cerca de 200 mil crianças. Em “Infinitum”, quatro amigos adolescentes usam a imaginação para se transportarem para dentro de um jogo de tabuleiro sobre o universo. “Para mim, todo trabalho como designer deve ser feito em parceria; e isso eu escutei e vi muito quando ainda era estudante. Éramos todos novatos. O Brasil era um país que ainda ia passar por muita coisa, me lembro com perfeição que isso, de fazer parcerias, era sempre dito por alguns professores. Confesso que acho curioso esse mundo do design: um trabalho que usa tanto da tecnologia, mas precisa muito do diferencial humano”.

Personagens criados para o Planetário
Da mesma turma de Fred Gelli, ambos do ano de 89, Bolshaw segue profissionalmente num importante vídeo de divulgação do sistema brasileiro de TV digital, Ginga. O middleware é fruto do desenvolvimento de projetos de pesquisa coordenados pelos laboratórios Telemídia da PUC-Rio e LAViD da UFPB.
“Mais do que nunca, com esse trabalho do Ginga, a parceria é um elemento muito presente. Fazer um vídeo de animação para a divulgação desse sistema me deixa extremamente orgulhosa. A novidade pode não ser ainda muito significativa para os que moram em grandes cidades, mas para àqueles que vivem em pequenas regiões, será bastante revolucionário”.

Ana Couto é outro exemplo. Fundou a empresa Ana Couto Design em 1993, com a proposta de trabalhar o design como ferramenta para a construção de marcas fortes. Ana, atualmente, tem uma equipe de 60 profissionais e é uma líder intelectual do setor e uma das referências do mercado de Branding. A designer já fez trabalhos de marca para Itaú, Coca-Cola, Eletrobras, Vale e Souza Cruz. “A minha maior lembrança da PUC foi descobrir desafios conceituais do design. Questionamentos filosóficos, mais do que práticos. A universidade me deu a dimensão correta de quanto a profissão do designer pode e deve interferir na nossa sociedade. O projeto final de curso me fez estudar espaços geométricos e desenho infantil, um ano de aulas na Rocinha sob a gestão da professora Ana Branco: o maior ganho que tive na minha formação”.
No mais, Helio Levcovitz, publisher e diretor de arte desta revista que você tem em mãos, também se formou no Departamento de Artes & Design da PUC, e sente um orgulho enorme de fazer parte desta família! Veja mais em www.dad.puc-rio.br.
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