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Majestoso entre outros dois pontos turísticos da cidade, o Jardim Botânico e a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Jockey Club BRASILEIRO é um marco histórico da cidade

Por Bianca Jhordão

Os fins-de-semana na piscina eram divertidos. Primeiro curtia a água “quentinha” da piscina das “crianças” até conseguir atravessar numa só respiração a piscina grande, onde também rolavam as aulas de natação. Meus primos jogavam futebol e eu assistia e torcia. No fim da tarde, tomávamos sorvete e caminhávamos ao redor da pista de corrida. As piscinas do Jockey eram o meu point.

Já na faculdade e morando na Lagoa, voltei ao clube para uma aula de fotografia e fiz fotos incríveis. Acabei indo morar na Gávea e tive a sorte de poder freqüentar um dos clubes mais bacanas da Zona Sul carioca indo a feiras de roupas e livros, peças de teatro, shows, jantares, freqüentando aulas de Yoga, assistindo filmes ao ar livre e até mesmo às clássicas corridas de cavalo.

Marco Histórico
Majestoso entre outros dois pontos turísticos da cidade, o Jardim Botânico e a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Jockey Club é um marco histórico da cidade e decorrente da fusão entre o Derby Club e o Jockey Club.

Os dois clubes de corrida de cavalos conviveram pacificamente durante alguns anos e, depois da fusão (o Derby funcionava onde hoje está localizado o Maracanã) e da mudança para a Lagoa, o Hipódromo da Gávea foi inaugurado em 1926 e passou a ser ponto importante da cidade do Rio de Janeiro. 

A fusão dos dois clubes turfísticos do Rio de Janeiro também gerou o aparecimento de nova insígnia para o nascente Jockey Club Brasileiro. Aproveitou-se a estrela, marca do antigo Jockey, em ouro, uma das cores do extinto Derby, sobre um novo campo azul. Desde então, a bandeira azul estrelada é o símbolo do Jockey Club Brasileiro.

Linneo de Paula Machado foi o primeiro presidente do Jockey Club e a ele se deve, ainda como presidente, a construção do Hipódromo da Gávea, a maior construção da cidade naquela época e construído ao estilo Luis XV, sob o traço do arquiteto Francisco Couchet.

No dia 6 de agosto de 1933 foi realizado o primeiro Grande Prêmio Brasil, com dotação de 300 contos de réis, tendo sido vencedor, em grama úmida, o cavalo brasileiro “Mossoró” que, segundo se fala, quase foi levado no colo pela multidão presente ao hipódromo, conduzido por Justiniano Mesquita.

Linneo de Paula Machado acompanhado de engenheiros.


O Jockey na Política

O Jockey Club teve papel relevante na vida social e política do Rio de Janeiro nas décadas de 40/60, até a transferência da Capital para Brasília. Os grandes acontecimentos eram no Jockey, principalmente porque os cassinos foram fechados no governo do Presidente Dutra.

“A mudança da capital para Brasília e um malfadado decreto do Presidente Jânio Quadros delimitam o início do processo de reversão do prestígio e da popularidade do turfe na cidade e o desprestígio do Rio de Janeiro no contexto do turfe nacional”, explica o advogado Hariberto de Miranda Jordão Filho.

Não obstante, a criação de puro-sangue prospera e se engrandece, nas décadas subseqüentes. A mudança dos principais criadouros para o Rio Grande do Sul propicia uma explosão na qualidade dos cavalos e estimula o estabelecimento de padrões que trazem competitividade internacional ao turfe brasileiro. O Brasil deixa de ser um coadjuvante no cenário latino-americano e mundial.

No período de glória, na sede social na esquina da Av. Rio Branco com Almirante Barroso, em prédio estilo neoclássico, o restaurante era freqüentado por famosos advogados, magistrados, membros do Ministério Público, médicos, engenheiros, militares e, também, por políticos, não só os que estavam exercendo mandato na Câmara e no Senado, como pelos políticos gaúchos remanescentes da Revolução de 1930, como Oswaldo Aranha - turfista entusiasta e ativo participante da política interna do Jockey Club Brasileiro - e o General Flores da Cunha que ficava descansando no salão de leitura e, em determinados momentos, chamava um garçom e dizia: “joga 200 cruzeiros na vaca” e continuava a descansar.
O salão de leituras era refúgio para os que procuravam revistas e jornais estrangeiros, como também lugar para sérias conversas políticas, de negócios e futuros negócios, enfim, era um termômetro da vida social e econômica da cidade do Rio de Janeiro e do Brasil.

Getúlio Vargas e Paulo de Frontin (de binóculos).

Na Moda
Na Gávea, os páreos mais importantes eram desfile de moda: vestidos, chapéus, jóias e o high-society comparecia. No primeiro domingo de Agosto acontece o Grande Prêmio Brasil, o páreo mais importante, na época e, ainda hoje, do turfe brasileiro - assim como no mesmo dia corre a famosa loteria federal conhecida como Sweepstake - e o Pres. Getúlio Vargas, gaúcho e aficionado por cavalos, comparecia (é famosa a vaia que recebeu em 1954 quando chegava no Rolls Royce presidencial pela pista central de grama para assistir ao páreo), assim como os ministros, embaixadores, todos na tribuna de honra da arquibancada dos sócios.

“Na mesma noite era realizado a Nuit des Longchamps, um baile a rigor, smoking e vestidos compridos para os sócios e convidados especiais no restaurante do hipódromo, outro ponto alto da sociedade da época, onde os colunistas sociais como Maneco Muller e Ibrahim Sued  alimentavam as colunas sociais no dia seguinte e por vezes, com as “fofocas” do baile, durante toda a semana”, conta Hariberto, que completa: “O Jockey Club Brasileiro representou, nas décadas de 40/60, sem sombra de dúvidas, o ponto alto da vida social, política e econômica do Rio de Janeiro, capital do Brasil”.

Largada do Grande Prêmio Brasil de 1978

Terceiro Milênio
No início dos anos 1990, um movimento de oposição leva o empresário José Carlos Fragoso Pires à presidência do Jockey Club Brasileiro. Um novo dinamismo passa a dominar o clube e as corridas de cavalo.

Valorizam-se os profissionais e as corridas. Rejuvenesce-se o Hipódromo da Gávea e o Jockey Club com reformas e iniciativas que levam à maior abertura ao público, do turfe e da entidade.

“Costumo dizer que o Jockey é um dos pontos de equilíbrio da cidade do Rio de Janeiro. É uma honra poder trabalhar cercada de tanta energia e força da natureza e de se sentir abençoado pelo abraço do Cristo Redentor”, declara a professora de Yoga Silvia Ferraz, que é professora do Nirvana, o maior centro de Yoga da América Latina, que se localiza no interior do clube. “E neste espaço conseguimos encontrar a paz interior, a quietude da mente e a prática do Yoga torna-se realmente uma meditação em movimento”, completa.

É nesse contexto de modernização, competitividade, esporte, lazer, moda, eventos, gastronomia, recepções, shows e, é claro, a mais importante prova do turfe nacional, que o Jockey Club Brasileiro se prepara para o terceiro milênio e muitos séculos a mais de turfe no Rio de Janeiro.

Curiosidades
• A vastidão da marquise da Tribuna Social mede um total de 22,40 metros e é, até hoje, considerada recorde mundial.
• Um grande cronômetro, sobre um pedestal de granito, visível de todo o Hipódromo da Gávea, delimita a extremidade sul da reta final e o início do que ficou conhecido, no jargão turfístico carioca, como a “curva do relógio”.
• No primeiro Grande Prêmio Brasil inscreveram-se 39 animais. Pertencendo, em sua quase totalidade a proprietários tradicionais no Rio de Janeiro e São Paulo eram 13 cavalos argentinos, 10 franceses, 4 ingleses, 4 uruguaios, 2 irlandeses e, apenas, 6 nacionais, um dos quais seria o vitorioso.
• Hoje o Jockey Club Brasileiro realiza as suas corridas às sextas, sábados, domingos e segundas-feiras. De todos os Grandes Prêmios realizados nos diversos hipódromos brasileiros, o Grande Prêmio Brasil, marcado para o primeiro domingo do mês de agosto, tornou-se a prova de maior expressão do turfe brasileiro.

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